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quarta-feira, 29 de junho de 2016

Contracorriente


Hoje é dia 29 de junho, dia de São Pedro, feriado, todos os meus amigos estão tomando uma cervecinha essa hora, e eu não estou junto pois: sem granas, e morando no interior. A vida é dura pessoal. Mas enfim, estou em casa e decidi assistir alguns filmes, e como estou tentando aprender/aperfeiçoar meu espanhol, decidi fazer uma lista de filmes latino americanos para assistir no netflix. Não foi meu primeiro contato com filmes latinos, já tive ótimas experiências, mas o filme que eu assisti hoje me deixou muito mexida e motivada a falar sobre, justamente pela coincidência do dia em que resolvi assisti-lo.

Já é dia 29 pois já passa de 00:00, mas ontem, dia 28, foi o dia internacional do orgulho lgbt. A causa é celebrada mundialmente no dia 28 de junho, depois de um episódio de resistência em Nova York, em 1969. No bar Stonewall Inn, ponto gay da cidade, os frequentadores se voltaram contra as frequentes batidas policiais às quais eram submetidos. No ano seguinte, foi organizada a primeira parada gay do mundo, para lembrar do ato.

Por coincidência, o filme que eu resolvi ver foi o peruano Contracorriente (2009), sem ler sinopse nem nada, o que foi até bom, porque a surpresa foi muito melhor. Não costumo falar de filmes aqui porque não entendo muito de cinema, mas eu tinha que falar pra vocês sobre esse que é maravilhoso.

Contracorrente é o primeiro longa-metragem do roteirista e diretor peruano Javier Fuentes-León, é bastante surpreendente. É inesperado, corajoso, e muito bom. A ação se passa num povoado de pescadores no litoral do Peru, uma sociedade de terceiro mundo, latino-americana, pobre, religiosa, e portanto conservadora, apegada a tradições, machista.

Fala de infidelidade conjugal e de homossexualidade. De enfrentamento das regras sociais, de ruptura com os comportamentos esperados, de quebra de tabus.

A trama criada por Javier Fuentes-León tem um pouco de Dona Flor e Seus Dois Maridos: o amante morto do protagonista continua presente, exatamente como Vadinho continuava presente na vida de Flor. Dona Flor, o romance de Jorge Amado, é de 1966.

O maravilhoso é que tudo funciona. É, repito, uma bela história, um bom filme – sensível, honesto, corajoso, bem intencionado, tão correto na moral quanto no talento com que é realizado.

Quando estamos chegando aos 9 minutos de filme, vemos que Miguel e Santiago têm uma relação de amor.

Ainda estamos no princípio da narrativa, e o filme mostra um sexo, bem massa, por sinal, dos dois.

A fotografia do filme é um esplendor. Há paisagens magníficas, realçadas pela fotografia maravlhosa. Há tomadas subaquáticas de qualidade de tirar o chapéu. Mas o que mais impressiona são as atuações. Não há ninguém no elenco com atuação ruim.

O ator que faz o protagonista Miguel, Cristian Mercado, é boliviano, tido, segundo o IMDb, como um dos mais destacados atores de teatro do seu país. Sua filmografia, pequena ainda, com nove títulos.

Manolo Cardona, que faz o forasteiro Santiago, é colombiano; tem 22 títulos no currículo, inclusive diversas minisséries da TV da Colômbia.

A única peruana entre os papéis principais do filme é Tatiana Astengo, que faz (muitíssimo bem) o papel de Mariela, a mulher que o marido trai com outro homem. Tem 27 títulos no currículo.

É a não aceitação do próprio Miguel com sua afeição por Santiago, é a mulher Mariela, grávida, apaixonada, tentando resgatar um casamento sem saber como, é o amor, e a devoção de Miguel pela mulher, o filho e o amante de maneira intensa e o sofrimento justamente por isso, é o medo e a discriminação de amigos, são segredos, religião.

Ciente do suicídio social que seria assumir sua homossexualidade em um ambiente inóspito como aquele, Miguel é obrigado a repensar seu próprio preconceito ("Eu não sou aquilo", afirma ele para Santiago, em certo momento) para resolver a angustiante situação em que se encontra. Assim, é interessante notar que ele só começa a aceitar de fato sua natureza homossexual quando consegue viver sua paixão sem julgamentos externos, o que só é alcançado na interação com o fantasma de Santiago. Mas, nesse ponto, é o pintor quem deseja partir, algo que, somado às fofocas surgidas depois que indícios da relação entre eles foram descobertos na casa do então desaparecido, coloca Miguel em uma encruzilhada que se torna o centro da narrativa (e certamente justifica o título do longa): ou ele vai contra seus sentimentos em prol da manutenção do prestígio social, ou enfrenta suas próprias inseguranças e abraça sua verdadeira natureza para que possa viver plenamente com si mesmo e com a memória de Santiago.

Optar por esta última opção, obviamente, não é uma tarefa fácil, já que o preconceito faz parte do dia-a-dia daquelas pessoas mais do que elas mesmas conseguem notar.

A presença da igreja, além de ressaltar o aspecto conservador da comunidade, surge como uma oportunidade perfeita de alfinetar uma instituição que, ao mesmo tempo que condena a homossexualidade, prega mensagens de aceitação e amor ao próximo. Também não à toa, Miguel utiliza constantemente (não tira nem durante o sexo) um terço pendurado no pescoço, representando sua submissão ao conservadorismo que o cerca - e Fuentes-León demonstra inteligência ao fazer com que o personagem abandone o objeto minutos antes de alterar de vez sua postura.

Por fim, Contracorriente ainda consegue ressaltar que, enquanto uma pessoa não parar de se importar com o que os outros pensam sobre ela, nunca conseguirá ser plenamente feliz e realizada. E, por mais forçada que seja a sutil mudança de comportamento do povo de Cabo Blanco, a mensagem arrematada nos minutos finais é eficiente, contundente e universal: quando se trata de ser humano (um ser sujeito a sofrimentos e imperfeições), a intolerância é nada menos que abominável.

Toda forma de amor deveria ser bem vista aos olhos de todos, o grande foco do preconceito está no fato de que as pessoas não sabem definir o que seja, efetivamente, o amor ou formas de amar. Não há melhor amor, amor mais bonito ou amor mais certo. Apenas amor. O amor não faz distinção entre sexos, condição financeira, raça ou religião. A partir do momento que percebemos que o amor é um só, para todos, começaremos a entender que todos são iguais e tem os mesmos direitos e obrigações.

Meu conselho pra vocês, hoje, é esse, vejam esse filme, e também sejam livres pra amarem do seu jeito é claro.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

¡Adiós, Luiza!

A primeira coisa que fiz ao ligar o computador hoje foi: ouvir Esteban. Nossa ela ouve Esteban rsrrss. Eu ouço sim, para de rir de mim, queria ouvir algo triste, e eu acho Esteban triste por diversos motivos. Mas por que eu queria ouvir algo triste? Eu tô triste? Não, não estou triste. Só queria ouvir, não tem que ter um motivo.

(mas se você quer me deixar de foooora eu posso tentar ser feliz lá fooooora...) rsrs

Esse é o problema de tentar escrever ouvindo música, eu não consigo me concentrar, fico cantando mentalmente e introduzindo trechos da música no texto e tendo que apagar tudo depois (ilusãão que destruiu meu coraçããão).

Tô passando uns dias no interior, to usando a internet do trabalho do meu pai e outro problema de ouvir Esteban por aqui é que eu canto fazendo cara de sofrimento, e quando entra alguém no escritório deve achar que eu tenho algum problema. Algum problema sério. Mas o álbum tá quase acabando. Eu (deixo tudo pra vocêêê já que levou minha pazzzzz) espero não ter vontade de repetir.

Mudando de assunto, eu, depois de ir a todos os tipos de festa de boate gay a barzinho alternativo (que vejamos também tem é muitos gay rsrsrs) e fazer todos os tipos de ‘amizade’, descobri que não há nada nesse mundo que me faça mais feliz do que ficar em casa fazendo as coisas que eu gosto, tipo chamar o boy, comprar umas cervejas, uns salgadinhos e passar o fim de semana todo bebendo, comendo e assistindo Os Simpsons. Eu tenho uns cinco amigos e eu gosto muito deles. Muito. Talvez eu seja uma das pessoas com mais disponibilidade para amar que eu conheço (amar demais também é doença, vale lembrar). Infelizmente esses amigos moram longe, mas quando possível, gosto de recebê-los na minha casa e ir até a casa deles. Ultimamente eu ando sentindo falta deles, mas tudo o que tenho feito para reencontrá-los, todos juntos, não adianta. Eu, por alguma razão, não consigo interagir. Demoro para fazer novos amigos. Tenho um monte de defeitos e acabo ignorando muita gente legal que se aproxima etc. Vamos combinar, eu sou uma filha da puta arrogante. Não nego. É aquela coisa, “quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho”.

Tolstói estava completo de razão quando disse que a felicidade só é real quando compartilhada (não estamos falando do Facebook, rs). A mais completa solidão nunca o fará feliz. Ou você se encherá de gatos ou cometerá suicídio. Ou ambos.

Daqui a três dias eu completo 20 anos. Tá, lá vem vocês dizendo que eu já vou começar com os mimimi.
É ruim olhar pra trás e ver o tanto que a gente muda. Da criança entusiasmada e cheia de esperança, pra pré-adolescente irritante, mas ainda assim com a cabeça cheia de planos, pra adolescente cética e sem esperança. Aliás, uma dúvida que me acompanha atualmente, é se eu ainda sou uma adolescente ridícula, ou se já sou uma adulta ridícula. “Luiza, você já vai fazer 20 anos nas costas, ta velha, não é mais adolescente” Olha, me deixa. Ou talvez, eu só não me conforme mesmo, porque ser adulto deve ser a pior coisa do mundo.

Algo que ouvi no meu aniversário do ano passado, quando estava chorando porque segundo eu “já estava ficando velha, e a vida é uma merda”, foi: “Calma, são só 19, daqui a pouco vem 20, depois 21, 22, e as coisas só vão piorando”.

A mais pura verdade.

O que eu posso prometer pra esses 20 anos é que eu provavelmente nunca vou dizer na cara de uma pessoa que não gosto dela. Vou me lembrar que grosseria gratuita é algo vergonhoso. Não fazer papel de vilã mexicana afetada. Nunca falar alto e mexer muito os braços. Ninguém gosta de quem fala alto e mexe muito os braços. Não vou ser uma pessoa assim. Sério.

Eu só tenho medo de um dia não ter mais vontade de escrever; não posso afirmar que isso nunca acontecerá, mas torço para que as palavras ainda me acompanhem por muito tempo.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Burlando o sistema e morrendo de diabete

Morrerei de diabete aos 22. Sejamos positivos, ainda tenho 2 anos.

Essa frase refere-se ao café horrível e extremamente doce que fiz hoje. Não nasci pra ser dona de casa.

Porém, a grande verdade é que vou morrer de câncer no cérebro, de tão ignorante que sou. Tanta burrice não pode passar sem causar nenhum dano ao meu organismo.

Acabei de decidir que não vou terminar a graduação, vou vender brincos na praia, é isso! Vou até comprar um CD do Ventania e um baseadinho para ir me adaptando.

Eu deveria era comprar um livro de culinária, casar e ter alguns filhos, não pensar em carreira profissional. Eu seria uma boa esposa... Ah, quem eu quero enganar. Mataria meu marido após o ato sexual e o comeria. Mentira.

Se eu resolvesse me matar hoje, de acordo com Durkheim, eu estaria incluída no tipo de suicídio chamado “egoísta”, pois nada integrada a sociedade. Nesse caso eu morreria, e ainda me incluiria num tipinho de grupo miserável que é esse desses ~egoistazinho~ do caralho. Se vocês não querem me ver com ~sangue nos olho~ não vem me dizer que eu sou egoísta não, porque se tem uma raça me dá vertigem é essa. Então seu Durkheimzinho vamo voltando aí das profundeza do inferno pra achar outra denominação pro meu tipo de suicídio, pois muita pressa em realizá-lo, mas não sem antes você me fazer esse favorzinho. “O suicídio misantrópico” (e num vem me dizer que isso é sinônimo de egoísta) seria uma boa opção. #FIKDIK

2014, que ano locasso gente, ~ ainn mais como assim o ano ainda não acabou rsrsrs ~ olha vocês para com a chatisse, tá?

Digamos que meu ano só começou a melhorar de agosto pra cá, pois até julho só desilusões, desilusões amorosas, acadêmicas, familiares, copísticas (não sei se essa palavra existe, ok) rsrs. Como eu disse em outro texto, os primeiros seis meses do ano são os piores.

Esse ano eu fui à praia 3 vezes, o que é uma vitória, pois tudo que se relaciona a sol e água salgada me deixa agastada. Numa delas eu tomei banho de mar, e meu Deus, há quanto tempo eu não tomava banho de mar. Um dos motivos de eu não gostar de tomar banho de mar, além do sal, do sol (de maceióóó) e dos coliformes fecais é a preguiça e o enfado. Falemos então do azul chocante do mar, é algo anormal, parece que alguém jogou litros de Listerine Cool Mint. Por isso digo e repito, o mar foi feito pra gente olhar e ter inspiração. Só. Sentar na beira da praia, embaixo de uma barraca, tomando uma cerveja, melhor coisa.

O ano tá acabando. Meu aniversário tá chegando. Eu vou completar 2 décadas de existência. Olha só como soa: 2 DÉCADAS. Que Deus (ou o satã) me ajude.

Acho que 2014 foi um ano de grandes mudanças pra mim. Sim, percebi uma leve mudança no meu jeito de lidar com as pessoas. Chega um momento da vida que você quer deixar de ser otária né migos. Não deixei. Mas amenizei.

Comecei a trabalhar. Meu chefe era um demônio. Fui demitida. Graças a Deus.

Maio foi um mês, olha, foi um mês pesado, pois tristezas que não vêm ao caso. Junho foi o mês de parar de chorar e deixar de ser troxa, e chorar de novo por causa da copa. Julho também foi um mês pesado, pois preocupações com a saúde rsrsr. Agosto parece que foi um mês de reviravolta. Deixei um pouco de ser troxa rsrs e passei a confiar mais em mim, sem depender dos outros pra tudo, foi bom. Fiz boas escolhas. Conheci alguém, dei uns beijo, e segurei pra mim. Em outubro saí da casa dos meus pais, e vim morar com meu irmão e um amigo em Maceió, daí já começam as aventuras. Tipo cozinhar feijão, tipo lavar roupa, tipo comprar banana, tipo chorar pela minha mãe ao acordar morrendo de cólica achando que o útero vai descer pela vagina. E tipo ter que dar meus pulos pra economizar dinheiro, porque vou dizer a vocês, viver nesse sistema burguês é muito caro, por exemplo, vocês sabiam que uma dúzia de ovos (pra quem não sabe são 12 ovos) custa 4 reais e cinquenta centavos? Minha gente, isso é um absurdo. Sem falar nas passagens de transporte pra ir pra faculdade, o que dá 25 reais por semana. Assim não sobra nem pra cerveja do findi.

Mas nessa vida de cidade grande já encontrei um jeito de burlar esse sistema e economizar na passagem. Vamos lá para o tutorial de como não pagar a passagem do ônibus: Eu pego o ônibus bem perto do terminal, ou seja, poucas pessoas estão no ônibus, quase ninguém pagou ainda, desço uns três pontos depois, assim não dá tempo de subir muita gente. Colega, mesmo tendo o dinheiro trocado, pego uma nota grande, tipo 10, 20 reais e vou pagar, nunca tem troco, assim eu vou de graça rsrsrs. Hoje não funcionou pois certeza que aquele cobrador que parece o Wesley Snipes do Forene/Trapiche das 11:00 já me marcou. Além de me dar o troco trocou minha única nota de 20, agora vou ter que pagar passagem até a semana que vem.

Semana passada tive a experiência de ir pela primeira vez a um: RODÍZIO DE PIZZA. Eu comi tanto que tive que subir no ônibus pela rampa de deficiente, e ainda assim foi difícil. Parecia pinto no lixo. Também né migos, comendo pão com ovo todo dia...

Depois que me mudei da minha super cidade interiorana as coisas melhoraram bastante (para o pessoal, o capital anda bem mals).

E sobre esse ano, aprendi a não me expor tanto, a falar pouco, jamais opinar em assuntos babacas e principalmente a não puxar conversa com desconhecidos.

Hoje não levanto bandeiras, não defendo nada. Só quero passar sem ser notada. E quando você inflar o peito pra dizer que leu isso ou aquilo não quero nem me dar ao trabalho de fazer aquela cara de nojinho. Eu não quero esse tipo de papo, essa vaidade intelectual me dá câncer.

Um pouco de hipocrisia, claro. Tenho um blog e escrevo a minha opinião sobre diversos assuntos, mas sempre de uma forma sincera (Há!) e sem ares de trabalho acadêmico. Não pense que quero me fechar, eu também sinto fascinio pelos outros.

O bom é agir com naturalidade, sem precisar provar nada a ninguém.

E se você faz parte do grupo de pessoas que me odeia, acha que sou pedante, uma retardada mental, vá tomar no meio da sua tobinha e não vem encher o saco.

E se 2015 puder ser só uma continuação do que vem sendo 2014 de agosto até aqui, mas sem meu aniversário e com dinheiro, eu ficaria levemente feliz.

Adeus.


domingo, 1 de junho de 2014

Sobre Junho, Wesley Safadão e a Copa

Esse não é um texto daqueles de “que esse mês me traga o que aquele mês não me trouxe”, peço um pouco de respeito, obg.

Não sei se vocês são daqueles que calculam o coeficiente da beleza de cada mês do ano. Eu talvez seja. Ou seja mesmo, e só queira incluir um “talvez” aí no meio pra não querer dar uma de tão loca good vibes. Porque ser chata é uma coisa, ser good vibes tudo lindo é uma vertente que separa os chatos um pouco aceitáveis e os chatos irritantemente chatos mesmo.

Esse cálculo nem é lá tão difícil, afinal, eu sou de humanas, e cálculo não é uma das coisas em que eu me viro muito bem.

Parto do princípio de que todo mês que venha antes de junho seja uma grande merda.

Os meses do primeiro semestre. Parece que são todos podres. Os piores meses são sem dúvida Janeiro e Fevereiro. Eu nasci em janeiro, e não é nem de longe um mês a se comemorar, e sim de dar umas porrada na minha mãe por além de nem saber fazer uma filha direito, achar de engravidar numa data que vá me obrigar a nascer em janeiro. Eu fui uma criança que nunca pude comemorar o aniversário na escola com os coleguinhas de sala e a tia, porque janeiro é mês de férias. Além de fazer um calor da porra.

Ave Sangria sobre o calor da porra que faz em Janeiro


Janeiro é aquele mês espremido entre o rei Dezembro e o plebeu Fevereiro. Janeiro quer ser Dezembro, mas está mais pra Fevereiro.

Maio. Não tenho nada pra falar mal dele, só que é doido pra ser Junho e cair no meio do ano, mas não tem nenhuma chance de evoluir porque ainda tem e sempre terá os pés enfiados no primeiro semestre. Sem falar que esse finzinho de maio foi o que eu poderia chamar de “fim de mês ruim da porra”, eu olho pra ele tentando entender o que deu errado e não tenho a menor dificuldade de tantas que são as razões. E todas elas, é verdade, foram dadas por mim. Afinal, o que é que eu estava pensando? Na verdade, oscilou bem entre “fim de mês ruim da porra” e “olha aí uma surpresa boa”. Mas sabe como é, as partes ruins sempre superam as boas.

Com a chegada de Junho a coisa começa a melhorar. Junho não é assim um Dezembro, mas também não é um Fevereiro, pra sorte dele. É aquele mês que não compromete e fica lá sem mexer com ninguém, na beirinha do segundo semestre, sem dar trabalho.

Mas eu, realmente, gosto de Junho. É tipo: CARALHOOO A GENTE JÁ TÁ NO MEIO DO ANO. Junho é um mês nostálgico. Pois me lembra muito a época de escola. Das quadrilhas e das gincanas. Como esquecer que um dia eu já tive meu momento de glória sendo a noiva por dois anos seguidos? É pra poucos. Ainda mais quando o noivo é aquele seu paquerinha da sala.

Sempre que eu começo a lembrar das festas de São João da escola, eu me lembro do episódio fatídico ocorrido a minha pessoa, tão criança, ingênua, e feliz de andar na rua caracterizada de matuta, vestido, chapéu de palha, trança, indo pra escola, pronta pra dar um show na quadrilha e arrasar com a cara das inimiga fazendo elas morrerem de inveja do meu gingado e desenvoltura na dança, eis que, acometida pela senhora gravidade, coitada da Luiza criança, que tropeça e cai no meio da rua, assim rasgando a linda meia fina branca, ralando o joelho, e abrindo o berreiro a chorar, temendo não conseguir dançar com o joelho tão machucado e dolorido, e ainda com a meia rasgada. Lembro da cara de pena da minha mãe tentando me animar, dizendo que ninguém ia nem reparar.

É estranho, mas sempre me lembro desse dia, acho que porque eu tenha até fotos dele.

Enfim, por mais que hoje em dia, eu não seja muito adepta às atuais festas de São João da região onde eu moro, e não seja nenhum pouco fã do forró também atual, eu ainda acho o São João um festa muito bonita.
Como boa interiorana, alagoana e nordestina que sou, acho junho um mês muito alegre, e por que não dizer  ~fascinante~. Para alguns, apenas algumas bandeirolas e pratos à base de milho verde. Para mim, mês de alegria e celebrações embaladas por festas e reencontros.

A comida é abundante e diversificada, e não é querendo puxar sardinha pros lados de cá não, mas a culinária do Nordeste é de longe a melhor do Brasil, tem nada desses pão de queijo de minas, só queijo queijo queijo, ou aquelas gororoba do Norte de ~tucupi tacacá açaí na tijela e calypso~ (nossa que preconceitusosinha xenofóóóbica teje presa racista) AQUI É NORDESTE PORRAA. Acho que me exaltei um pouco. Desculpa o exagero.

(Voltando ao momento poético literário amo nordeste e os nordestinos do texto) As toalhas de chita ganham as mesas dos bares, (amo bares) (mas num era um momento poético, Luiza?) (aah foda-se, num sei fazer isso) quem sabe dá até pra rever alguns amigos que moram longe e invadem sua casa, invadem a varanda da sua casa, pra conversar e beber (e fazer a coitada da sua mãe correr atrás de mungunzá pra dar pra esses amigo fdp que quer fazer a pobre de escrava).

Tem até licença poética para usar chapéu de palha. O tempinho mais frio, a garoa, o som da sanfona que ecoa pelas praças e pelo comércio. A decoração colorida, as ruas mais cheias, não nos deixa esquecer sequer por um minuto que é dia daquele cara que foi decapitado sei lá pelo quê porque nunca li direito a blíbblia.

Tem as coisas que nem são tão boas assim, que só são legais mesmo quando você tem 10 anos de idade, como fogueira, fogos, pamonha e mungunzá (esses dois últimos em nenhuma época da vida).

Eu queria só falar sobre o porquê gosto tanto do mês de junho, que não é só por causa do São João, mas acabei falando demais do São João, porque, realmente, eu acho uma festa muito alegre e bonita, apesar de não participar tanto como gostaria por ser uma velha ranzinza e não gostar das músicas que tomaram conta como essa (aqui), mas parto também do princípio de que as suas companhias é que fazem a sua festa (e a bebida também). E sim, eu adoro receber meus amigos em casa, foda-se essas músicas ruins da porra.

Mas nem só de São João vive esse Junho. Eu tava muito ansiosa pela chegada desse mês, tenho tantos planos em mente, que acho que vocês até estão lendo uma Luiza com uma pontinha de otimismo. Sem falar nas festas que prometem serem as melhores. Sem falar também nos pensamentos de fazer coisas novas, que dessa vez poderão ser feitas. Sem falar que já é quase férias. Sem falar que esse ano tem copa do mundo no Brasil, meu deeeeeus a copaaa genteeeee, faltam 12 dias, como eu to ansiosa.

Sempre que é ano de copa, eu fico muito ansiosa. Dizem as más línguas que eu já fui apaixonada por futebol um dia, flamenguista doente, de não perder um jogo, de chorar, de ir ver o jogo no bar com meu irmão e ozamigo, de saber a escalação do time, de comentar jogo no twitter (sim, eu já fiz isso), mas isso aí era no tempo que o Adriano jogava bola e tinha o funk do pet, porque era o tempo em que meu irmão ainda morava em casa, e eu era muito influenciada por ele, depois que ele foi embora perdi o tesão (no futebol rsrsrsrsr). Mas eu ainda gosto muito de futebol, mesmo que tenha preguiça de acompanhar, e não saiba mais nada de time nenhum hoje em dia. Mas mesmo quem não sabe nada de futebol, nutre um amor pela seleção, e sim, eu quero muito a copa, e no Brasil, pentacampeão, reconhecido como “o país do futebol''. O Brasil merece sediar a Copa da América do Sul. A Copa merece ser sediada no Brasil. O maior evento futebolístico – e esportivo – do mundo merece ser jogado aqui, muito mais do que em países como o Japão, vei, lá só tem hentai e sumô, Brasil é bola e samba no pé ousadia e alegria gente feliz e tererê da Carla Perez nos cabelo e umbanda na Bahia.

Quero que o turismo aumente, e que talvez o Brasil seja reconhecido por conseguir sediar um evento de grande porte, de verdade. O ônus já nos foi cobrado. O estádio é caro? Sim, mas já está feito. E, se parar de fazer os que faltam, ficará ainda mais caro.

Agora, é hora do bônus. É hora de receber o mundo. Apesar dos pesares..., e eu não quero chorar igual criança se o Brasil perder de novo, chorar só se for de alegria por ele ganhar em cima da Espanha como na Copa das Confederações (apesar dessa copa ter sido comprada né gente rsrsrsrsrsrsrs mas se era pra comprar, melhor comprar o resultado da copa do mundo, nossa que Dilma burra, incompetente odeio PT fora petralhassss).

Não tem como negar que é um evento muito bonito, eu sou dessas bestonas mesmo que chorou quando o Brasil perdeu pra Holanda na última copa, e que acha que vai ser um verdadeiro luto se o Brasil perder essa copa. Perdoa ser idiota, e não desiste de mim.

Não vejo mesmo a hora da Copa chegar, e receber ozamigo em casa pra tomar umas, comer uns churrasco manerasso e ver os jogos, mesmo que eu tenha aqui em mente que meu chefe não vá liberar a menos que falte 1h pra hora do jogo. Mas aí eu me encaixo com quem vai assistir em Maceió mesmo, e vejo do mesmo jeito, pq é copa no brasillllll uuuh Brasil Brasil copa do mundo neymar Brasil hospital gol escola educação o país do futebol protesto o gigante acordou transporte público segurança Brasil não se faz copa com hospital VAI TER COPA SIM GENTE VAI TER MUITA COPA VAI TER 3 COPA.

~ainnnn que junho me seja doce~ pau no seu cu.
Obg, gente.


Com vocês, um forró bom, que não é Wesley Safadão, e se gostar de Luiz Gonzaga e achar a letra dessa música muito bonita é brega, eu não sei mais o que é música bonita.



*sim, um pouco de vergonha de publicar esse texto, pois todos descobrirão que gosto do São João, e que choro quando o Brasil perde, mas fazer o que, vocês são todos feios e eu nem rio de vocês, um abraço.

UM BJ DO WESLEY SAFADÃO PRA VOCÊS