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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Vamos falar sobre a cultura do estupro?


Todo momento é um bom momento pra se debater sobre esse assunto, mas ESSE momento não poderia ser menos propício.

Todo mundo que tem acesso a internet, facebook, twitter, já sabe que, recentemente, uma moça foi drogada e estuprada por mais de 30 homens, segundo eles mesmos. Como se isso já não fosse um horror por si só, eles ainda a filmaram nua, mostrando suas partes, fazendo piadas com o estado em que a deixaram. Fazendo piada com o número de homens que a estupraram enquanto a mesma estava inconsciente.

Eu tenho uma conta no twitter, e o vídeo apareceu na minha timeline, eu abri, mas confesso que não aguentei ver até o fim, e só fiquei sabendo que tinham sido mais de 30 homens pelos posts que as pessoas, também indignadas, fizeram depois. Queria eu que fosse mentira.

MAIS DE 30 HOMENS.

Foi impossível, eu, como mulher, vulnerável nessa sociedade escrota e patriarcal, não me colocar no lugar dessa menina, foi impossível não chorar ao ver a declaração da mesma dizendo que quando acordou tinham 33 caras em cima dela. Eu não consigo nem imaginar o seu desespero.

A violência contra a mulher é tão naturalizada, que não só a estupraram, também filmaram e postaram na internet, isso quer dizer que, por mais que uma certa maioria tente negar e relativizar isso, NÓS VIVEMOS NA CULTURA DO ESTUPRO, SIM. Isso poderia ter acontecido comigo, com você. Isso não é doença, nem loucura, é a naturalização da perversidade contra nós mulheres. A tolerância e a normalização acabam incentivando ainda mais as atitudes violentas.

E aqui estamos falando do que é aceito como normal pela sociedade. Se você for mulher, tenho toda a certeza de que já passou por ao menos um episódio de abuso, seja na rua recebendo uma cantada, no transporte público com homens encostando em você ou mesmo dentro de um relacionamento quando a outra parte envolvida não soube aceitar um “não”.

Alguns dos comportamentos e atitudes que ajudam a reproduzir a cultura do estupro são:

- Achar que estuprador é só aquele cara desconhecido que ataca uma mulher no meio de uma rua escura, às 2h da madrugada.

- Achar que existe um meio-termo quando se trata de estupro.

- Romantizar a conquista a qualquer preço e achar que um ‘não’ pode significar um ‘sim’ se ele não é dito com ênfase.

- Culpar a vítima e praticar ‘slut-shamming’.

- Cantadas de rua também ajudam a perpetuar a cultura do estupro.

- Dizer que a vítima pode evitar o estupro.

- Roupas e acessórios “anti-estupro”.

- Piadas de estupro.

- Medo de denunciar é algo normal numa sociedade que culpa as vítimas, não acredita nelas ou vê o estupro delas como algo menor, desde a polícia e o médico legista até a família.

- Minimizar quando o estuprador é famoso.

- Minimizar o estupro quando ele acontece com minorias.

- A “Friend Zone” é a ideia de que um “cara legal” possa ser colocado em uma zona de amizade sem sexo por uma mulher próxima que injustamente não percebe que ele é o par romântico perfeito pra ela. A narrativa da friend zone coloca o foco no sexo como uma recompensa por ser uma boa pessoa.

Se homens estupram em nome da sua masculinidade, mulheres são estupradas em nome da sua feminilidade. A mulher, quando nega uma relação sexual, é vista como alguém que provoca o homem, mas na hora H, não quer sexo. E é aí que aparece a culpabilização. As vítimas de estupro aprendem a se sentirem culpadas. “Alguma coisa elas fizeram pra merecer isso”.

O uso da força é o requisito básico do comportamento masculino que as mulheres foram treinadas desde a infância a temer. Desde pequenas, não estamos em pé de igualdade nesta competição. Quem nunca ouviu que “brincar de lutinha é coisa de menino”, por exemplo? Enquanto eles são incentivados a buscar a força física, somos incentivadas a brincar de casinha.

O estupro deve ser visto como uma forma de violência, poder e opressão masculina, uma forma consciente de manter as mulheres em estado de medo e intimidação.

Que fique bem claro então: estupro não é um crime relacionado a sexo ou desejo sexual. O estupro se refere a uma relação de poder: trata-se de um processo de intimidação pelo qual os homens mantêm as mulheres em um estado de medo permanente.

Assim, ao observar a nossa sociedade nos dias de hoje, podemos claramente enxergar como a cultura do estupro continua viva. Hoje a sociedade ainda leva em consideração a maneira como a vítima está vestida e até mesmo sua vida e hábitos. Se a mulher está vestida de forma tida como provocante, isso é considerado um atenuante para o agressor. Se ela tiver vários parceiros, beber demais ou voltar muito tarde para casa, também.

As mulheres vêm obtendo êxito na conquista de certos direitos sociais e progredindo em direção à igualdade de gênero. Mas a desigualdade, no entanto, ainda não foi totalmente ultrapassada, sendo um reflexo da tradição patriarcal da sociedade.

Uma coisa fica nítida: as mulheres não são vistas como seres com vontade própria, são consideradas propriedade dos homens. Cabe às mulheres obedecerem às regras masculinas – ser feminina, falar baixo, aceitar ser vista como objeto sexual pois “homem é assim mesmo”. E quem não aceita as tais “regras masculinas” é culpada por tudo o que lhe vier a acontecer.

Enfim, pra não me alongar mais, a cultura do estupro é uma estrutura onde a mulher é culpada por qualquer constrangimento sexual que venha a passar. Uma sociedade que acha normal uma mulher ser constrangida na rua por uma cantada; normal uma mulher ser estuprada por estar bêbada ou usando roupas curtas; normal uma mulher ser forçada a fazer sexo com o companheiro, afinal, ele é seu marido ou namorado; normal uma mulher ser vista apenas como objeto para satisfazer as vontades alheias; normal uma mulher ser intimidada por homens heterossexuais quando é lésbica, porque na verdade ela tem que aprender a gostar de homem. E é exatamente essa normatização que precisa ser combatida.

Toda a minha empatia para essa moça, as pessoas que fizeram essa barbaridade com ela serão punidas, e eu como mulher me sinto muito aliviada, mas o que ainda me deixa triste é saber que as outras mulheres que são estupradas todos os dias e não são veiculadas na mídia, continuarão com o terror de terem seus estupradores livres e impunes. Por isso, eu imploro para que todas as mulheres se unam. Cuide da sua filha, da sua irmã, amiga, colega de trabalho, da desconhecida que está bêbada em uma festa e que se perdeu. Cuide da mãe que não encontra a filha e está pedindo ajuda. Cuide da sua avó. Cuide da professora que não está ouvindo os absurdos sobre ela durante a aula. Cuide de mim.

Uma jovem foi violentada por 30 homens e eu não pude cuidar dela. Eu não pude proteger o seu corpo e alma. Mas eu posso cuidar de você. E você de mim.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Vão-se o anéis, ficam-se os dedos...

Eu nunca entendi bem esse ditado, e sempre tive dúvidas se o certo era “vão-se os anéis, ficam-se os dedos” ou “vão-se os dedos, ficam os anéis” mas, melhor que se vão os anéis e que fiquem os dedos, né? Já pensou se os dedos se fossem? Onde eu colocaria os anéis? Se bem que nem gosto muito de anel. Então nada disso faz sentido, foda-se.

Pensei no título, por conta de todo esse “bafafá” com o casal mais lindo e feliz deste planeta chamado Terra, Gisela Bintian diva destruidora brasileira humilde riquíssima e Tom Brady



“Bafafá”, essa palavra deve estar na lista das 5 palavras mais maneras que eu conheço, são elas:

1- Tabaco (pelo duplo sentido na minha cabeça sim)
2- Lambisgoia
3- Bafafá
4- Sirigaita
5- Gaiato

Enfim, eu não preciso explicar o que aconteceu né? Mas se você não sabe, pesquisa no google, por favor, tô com preguiça de explicar.

Olha gente, não tô aqui pra falar de vida de famoso (já tá falando sua estúpida), só queria fazer umas análises. Parece meio idiota a gente “se doer” por algo que acontece com esses famosos tão intocáveis né? Mas é que tem aqueles casais perfeitos, que você acha que vão ser felizes pra sempre, que nunca vai dar merda, que até lá na sua cabeça de adolescente nos contos de fadas te dá uma esperança de que existe um relacionamento perfeito, aí “boom”, dá merda do mesmo jeito. Acredito que sim, isso meio que me fez perder um pouco a fé na humanidade, que já andava lá meio abalada depois que vi uma pesquisa sobre em quem os brasileiros votariam para presidente na próxima eleição e o Bolsonaro tava em primeiro lugar. É que pensando por uma linha de raciocínio mais pessimista, ou até realista, se a até a Gisele Bündchen, a GISELE BÜNDCHEN, diva poderosíssima, maravilhosa, top número 1 do mundo, riquíssima, cabelo parece ouro do tanto que brilha e ainda voa quando o vento bate, foi (supostamente) traída, o que será de nós meras mortais que compramos uma base da mary kay chorando por causa do preço. Vão me criticar porque tô julgando uma atitude assim, pela beleza dela? Julguem. Até porque nem seria só pela beleza, mas é que ela é a Gisele Bündchen, sabe? Eu se casasse com uma mulher dessa, fazia um altar pra ela e me ajoelhava toda noite antes de dormir. Mas vamos lá, com toda história, pra quem vai a culpa de tudo isso mesmo????? Mas, é claro que vai pra babá piranha ladra de marido, e também, por que não, pra própria Gisele? Quem manda contratar uma babá gostosa e colocar dentro de casa né, gente? O marido, tão indefeso, pobre coitado, não teve como se livrar das garras da babá predadora. PUTAAA MERDAAAAAA ISSO ME DEIXA MUITO DESGRAÇADA DA CABEÇA, principalmente se quem fala isso é uma mulher.

Claro que isso não é um caso isolado, é sempre comum numa traição, a culpa ser sempre da mulher, que é uma piranha, ou que não deu “assistência” no casamento. Esse tipo de atitude tá intimamente associada a essas nossas malditas raízes patriarcais. Parece que vocês não vão evoluir nunca. Hoje, falamos abertamente de sexo, fazemos nossas escolhas, temos direito a ter uma vida social independente, queremos ter sucesso em nossas carreiras. Mas, pagamos um preço alto por isso. Somos sempre julgadas por nosso comportamento. Outro dia li um texto que dizia “não importa o que você faça, em algum momento de sua vida, você será chamada de piranha, vagabunda ou coisa do gênero”. E é verdade. Todos estão sempre prontos a nos julgar com severidade. “Foi promovida? Só pode ter ‘dado’ para alguém. Foi agredida? Alguma coisa fez para merecer isso. Está reclamando por ser assediada? Quer aparecer, isso sim. O marido a traiu? Foi burra, não cuidou dele como se deve. É infeliz no amor? Também, rodada com é. Não quis sair comigo? Reprimida. Sapatão. Interesseira, só sai com cara rico”. Diante disso vocês ainda acham que é só mimimi de feminista? Não, gente. Ninguém, em momento algum falou sobre a culpa do jogador na história (se é que realmente aconteceu, mas se bem que acho que foi bem verdade). A babá teve sua parcela de culpa? Pode ter tido sim. Mas o maior culpado de tudo foi quem fez um juramento, quem tinha a “obrigação” de ser fiel, ou tô errada? A traição veio dele, não dela, mas ela é a vagabunda da história. E é lógico que a gente precisa desse “mimimi” femista sim, se não quem fala pela gente? O pessoal machista que faz uma manchete “a babá que está acabando com os casamentos de hollywood” ao invés de “o que porraaa tá acontecendo com esses macho de holywood caralho”?

Vivemos dias de muita violência contra as mulheres. Talvez, porque estamos tentando dar mais um passo em direção da autonomia. A reação pode se manifestar fisicamente, com tapas, surras, estupros, ou mais sutil, sob a forma da desqualificação, da difamação, da humilhação. Não sei se nossa situação atual é tão mais confortável que das nossas avós e bisavós. Caminhamos muito, é verdade, mas ainda falta um longo e difícil caminho a percorrer.

Não é tão difícil assim raciocinar, gente, pensa bem, por que diva Gisele carregaria essa culpa? Vocês sabem como é ridículo vocês dizendo “isso que dá contratar uma babá bonita”? Quando ela deveria sim, ter confiança no cara que ela casou porra? Porque a culpa seria da babá se, com certeza, ela não o obrigou a fazer nada? Com certeza ela não amarrou as mãos dele e se aproveitou. Até porque, acho um pouco difícil ela ser mais forte fisicamente que ele, porque, vejamos, não somos nós que diversas vezes nos aproveitamos da nossa força física pra impor uma situação desagradável né? Rsrsrs

Enfim, isso me deixou muito puta da cabeça, mas outra coisa que pensei sobre isso, foi sobre a repercussão que o caso teve. Você imagina o quão o humilhante é ser traída? Beleza que ela é riquíssima e pode curar a dor de corno secando as lágrimas em Paris, enquanto a gente ficaria chorando as pitangas no whatsapp com as miga e vendo foto do cara com a outra no instagram. Mas ainda assim, imagina como deve ser extremamente humilhante você ser traída e isso virar notícia mundial? As “polêmicas” envolvendo celebridades são as notícias que mais atraem atenção, apesar dos grandes problemas que a humanidade enfrenta. E as pessoas respondem enlouquecidamente a esses estímulos: defendem ou atacam o comportamento dos famosos, acompanham cada passo de suas vidas, ficam indignados com as críticas. Eu acho que esse é um dos lados obscuros da fama. Eu gostaria de chorar minhas dores quietinha, sem ninguém ficar sabendo.

Será que, realmente, não existe um relacionamento perfeito? Porque depois dessa tô até com medo de aparecer a notícia, “Rodrigo Hilbert trai Fernanda Lima, veja fotos.” Aí sim, minha fé em relacionamentos (e maridos) perfeitos estaria destruída. Será que a gente nunca vai parar de sempre culpar a mulher pelas ações errôneas dos homens? Como diria outra diva destruidora, Valesca Popozuda, “a b... tem poder”. Mas, queremos mais. Eu tenho esperanças, de que um dia nossa sociedade comece a realmente viver no século XXI, e deixe as raízes coloniais pra trás.




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sobre protestos e estágios

Creio que pelo título do texto, muitos “zé amo textão polêmico nas internetz num tenho louça pra lavar” vieram até aqui só pra ver se ia ter muitas críticas políticas sobre protestos e blá blá blá, mas perderam a viagem porque não vou fazer isso. Mas confesso que o título foi proposital, pois nós do mundo dos business bloguero tem que ser muitos dos esperto (eu sei escrever direito, só não consigo não falar do mesmo jeito que falo twitter, ces me perdoa).

O que eu quero falar hoje, é sobre como foi maravilhoso meu dia na capital mcz com o bendito protesto de hoje na Fernandes Lima. “Cara, quem quer saber da sua vida?” Oh num sei se você já percebeu, mas tudo que tem nessa merda, fala da merda da minha vida, mesmo que indiretamente, então shiiiiu.

Então, hoje seria meu primeiro dia no novo estágio, e tinha que estar no local às 8:00 horas, peguei o ônibus perto do terminal de boas e já peguei lotado, quando chega na metade do caminho, ouço alguém falando no telefone que um amigo viu na TV que havia um protesto de estudantes e vigilantes da rede estadual bloqueando a Avenida, em frente ao CEPA. Imediatamente pensei “puta que pariiiiiiiiiu). Mas o que eu poderia fazer não é? Ia chegar atrasada no primeiro dia de estágio sem ainda estar com os papéis assinados, mas tá de boas.

Ônibus lotado, parado, a linda que vos fala suando mais que gorda dançando zumba, não poderia ficar melhor. Mas em meio a tudo isso, conheci alguém muito legal. Renata. Renata ligou pra sogra, D. Zélia, pra avisar que chegaria atrasada em algum lugar, e aproveitou pra falar sobre a Iara, que é sua cunhada, e não sabe educar o filho, Vinícius. Renata aproveitou pra reclamar do protesto, com as seguintes palavras “Isso acontece porque o povo é burro, é esse governador que o povo votou, filho de peixe peixinho é, e ele bebe viu menina? Bebe tanto nesse mundo” E creio que D. Zélia tenha respondido “Por isso” Fiquei sem entender. Renata desligou o telefone, e ligou pro marido, filho de D. Zélia, o qual chama de “bê”, por isso não sei seu nome, então usarei o codinome para me referir ao dito cujo. Renata explicou sobre o protesto, perguntou pelo filho, João, e disse que estava muito bem disposta depois de ontem, nem quero imaginar o que ela quis dizer com isso, só sei que pelo sorriso dela, hoje deve se repetir. Que ótimo, Renata, fico feliz por você e pelo Bê, adorei te conhecer e saber da sua vida assim tão profundamente.

Bom, já eram 08:20, e eu com o cu na mão imaginando a má impressão que ia passar me atrasando desse jeito no primeiro dia de estágio, o ônibus parado há 30 min no mesmo lugar, vi que o jeito seria descer e ter que ir andando. Tive que descer na Casa Vieira e ir andando até o Colégio Marista, quem é de Maceió sabe que eu iria passar bem uma hora andando, mas não tinha outro jeito. Estava usando uma sapatilha que ganhei do boy, que é muito mara beauty linda, mas tava apertando meu pé, me fodi mais ainda.

No caminho, devo ter aparecido em umas 120 fotos e uns 1234 vídeos, ainda ao passar por um ponto de ônibus, passa um senhor de bicicleta e grita: “Tá vendo aí? Culpa de vocês, eu disse pra não votar na Dilma”. Aí fiquei sem entender, a culpa é nossa, da Gilma, ou do governador porque ele bebe muito? Tô confusa.

Ainda passo por uma senhora, que vem brigando com o marido e os filhos, quando diz a seguinte frase: “E A GENTE VAI DE QUÊ??? MONTADO NA PICA DO JEGUE???”. Bem, fiquei um pouco constrangida (mentira, ri foi bem muito).

Já quase morrendo de sede, calor, cansaço e dor nos pés, resolvi parar em um supermercado do qual não posso falar o nome, pois estaria fazendo propaganda e nesse business propaganda só pagando, colega (foi no Unicompra) pra comprar uma água, mas a vadia não tava no caixa e eu não podia esperar porque já estava muito atrasada. Resolvi seguir meu caminho e ser forte, já estava chegando. Bom, cheguei exatamente às 09:30, toda suada, com cara de morta. Ainda bem que todo mundo entendeu e etc.

Mas agora sobre o estágio, vou falar pra vocês que apesar de toda a confusão, o cansaço, valeu muito a pena ter ido, só em um dia já aprendi muita coisa e to muito empolgada, é muito bom pela primeira vez sentir que to fazendo algo que eu gosto.

Mas ao sair, não poderia ignorar o fato de estar muito cansada, ter que esperar o ônibus num sol infernal, ainda ter que ir na faculdade, ir o caminho todo do lado do sol no ônibus, estar com o pé ferido, e morrendo de fome. Fui almoçar no restaurante da faculdade e acho que as tias que servem a comida poderiam ter ficado cegas com o brilho que saia dos meus olhos ao ver tanta comida na minha frente. Tinha um pirão muito do gostoso, e a tia colocou 2 PEDAÇO DE CARNE no meu prato, eu acho que eles adivinharam, foi o momento mais feliz do dia senhor obrigada.

Enfim, depois ainda tive que andar mais porque nada naquela UFAL fica perto, ainda dei viagem perdida porque tinha coisa faltando nos documentos, cheguei em casa e fui correndo esquentar água pra colocar os pés. Esse foi meu dia de muita sorte, pra nunca mais eu reclamar de morar no interior, onde nada disso acontece (porém prefiro mil vezes morar aqui mesmo). Acontece, mais tarde vou ver o mozi, e quem sabe tentar entender o que tanto a Renata fez que acordou tão bem disposta hoje rsrsrsr (mentira vocês num acredita nas merda que eu falo). Tchau.

domingo, 1 de junho de 2014

Sobre Junho, Wesley Safadão e a Copa

Esse não é um texto daqueles de “que esse mês me traga o que aquele mês não me trouxe”, peço um pouco de respeito, obg.

Não sei se vocês são daqueles que calculam o coeficiente da beleza de cada mês do ano. Eu talvez seja. Ou seja mesmo, e só queira incluir um “talvez” aí no meio pra não querer dar uma de tão loca good vibes. Porque ser chata é uma coisa, ser good vibes tudo lindo é uma vertente que separa os chatos um pouco aceitáveis e os chatos irritantemente chatos mesmo.

Esse cálculo nem é lá tão difícil, afinal, eu sou de humanas, e cálculo não é uma das coisas em que eu me viro muito bem.

Parto do princípio de que todo mês que venha antes de junho seja uma grande merda.

Os meses do primeiro semestre. Parece que são todos podres. Os piores meses são sem dúvida Janeiro e Fevereiro. Eu nasci em janeiro, e não é nem de longe um mês a se comemorar, e sim de dar umas porrada na minha mãe por além de nem saber fazer uma filha direito, achar de engravidar numa data que vá me obrigar a nascer em janeiro. Eu fui uma criança que nunca pude comemorar o aniversário na escola com os coleguinhas de sala e a tia, porque janeiro é mês de férias. Além de fazer um calor da porra.

Ave Sangria sobre o calor da porra que faz em Janeiro


Janeiro é aquele mês espremido entre o rei Dezembro e o plebeu Fevereiro. Janeiro quer ser Dezembro, mas está mais pra Fevereiro.

Maio. Não tenho nada pra falar mal dele, só que é doido pra ser Junho e cair no meio do ano, mas não tem nenhuma chance de evoluir porque ainda tem e sempre terá os pés enfiados no primeiro semestre. Sem falar que esse finzinho de maio foi o que eu poderia chamar de “fim de mês ruim da porra”, eu olho pra ele tentando entender o que deu errado e não tenho a menor dificuldade de tantas que são as razões. E todas elas, é verdade, foram dadas por mim. Afinal, o que é que eu estava pensando? Na verdade, oscilou bem entre “fim de mês ruim da porra” e “olha aí uma surpresa boa”. Mas sabe como é, as partes ruins sempre superam as boas.

Com a chegada de Junho a coisa começa a melhorar. Junho não é assim um Dezembro, mas também não é um Fevereiro, pra sorte dele. É aquele mês que não compromete e fica lá sem mexer com ninguém, na beirinha do segundo semestre, sem dar trabalho.

Mas eu, realmente, gosto de Junho. É tipo: CARALHOOO A GENTE JÁ TÁ NO MEIO DO ANO. Junho é um mês nostálgico. Pois me lembra muito a época de escola. Das quadrilhas e das gincanas. Como esquecer que um dia eu já tive meu momento de glória sendo a noiva por dois anos seguidos? É pra poucos. Ainda mais quando o noivo é aquele seu paquerinha da sala.

Sempre que eu começo a lembrar das festas de São João da escola, eu me lembro do episódio fatídico ocorrido a minha pessoa, tão criança, ingênua, e feliz de andar na rua caracterizada de matuta, vestido, chapéu de palha, trança, indo pra escola, pronta pra dar um show na quadrilha e arrasar com a cara das inimiga fazendo elas morrerem de inveja do meu gingado e desenvoltura na dança, eis que, acometida pela senhora gravidade, coitada da Luiza criança, que tropeça e cai no meio da rua, assim rasgando a linda meia fina branca, ralando o joelho, e abrindo o berreiro a chorar, temendo não conseguir dançar com o joelho tão machucado e dolorido, e ainda com a meia rasgada. Lembro da cara de pena da minha mãe tentando me animar, dizendo que ninguém ia nem reparar.

É estranho, mas sempre me lembro desse dia, acho que porque eu tenha até fotos dele.

Enfim, por mais que hoje em dia, eu não seja muito adepta às atuais festas de São João da região onde eu moro, e não seja nenhum pouco fã do forró também atual, eu ainda acho o São João um festa muito bonita.
Como boa interiorana, alagoana e nordestina que sou, acho junho um mês muito alegre, e por que não dizer  ~fascinante~. Para alguns, apenas algumas bandeirolas e pratos à base de milho verde. Para mim, mês de alegria e celebrações embaladas por festas e reencontros.

A comida é abundante e diversificada, e não é querendo puxar sardinha pros lados de cá não, mas a culinária do Nordeste é de longe a melhor do Brasil, tem nada desses pão de queijo de minas, só queijo queijo queijo, ou aquelas gororoba do Norte de ~tucupi tacacá açaí na tijela e calypso~ (nossa que preconceitusosinha xenofóóóbica teje presa racista) AQUI É NORDESTE PORRAA. Acho que me exaltei um pouco. Desculpa o exagero.

(Voltando ao momento poético literário amo nordeste e os nordestinos do texto) As toalhas de chita ganham as mesas dos bares, (amo bares) (mas num era um momento poético, Luiza?) (aah foda-se, num sei fazer isso) quem sabe dá até pra rever alguns amigos que moram longe e invadem sua casa, invadem a varanda da sua casa, pra conversar e beber (e fazer a coitada da sua mãe correr atrás de mungunzá pra dar pra esses amigo fdp que quer fazer a pobre de escrava).

Tem até licença poética para usar chapéu de palha. O tempinho mais frio, a garoa, o som da sanfona que ecoa pelas praças e pelo comércio. A decoração colorida, as ruas mais cheias, não nos deixa esquecer sequer por um minuto que é dia daquele cara que foi decapitado sei lá pelo quê porque nunca li direito a blíbblia.

Tem as coisas que nem são tão boas assim, que só são legais mesmo quando você tem 10 anos de idade, como fogueira, fogos, pamonha e mungunzá (esses dois últimos em nenhuma época da vida).

Eu queria só falar sobre o porquê gosto tanto do mês de junho, que não é só por causa do São João, mas acabei falando demais do São João, porque, realmente, eu acho uma festa muito alegre e bonita, apesar de não participar tanto como gostaria por ser uma velha ranzinza e não gostar das músicas que tomaram conta como essa (aqui), mas parto também do princípio de que as suas companhias é que fazem a sua festa (e a bebida também). E sim, eu adoro receber meus amigos em casa, foda-se essas músicas ruins da porra.

Mas nem só de São João vive esse Junho. Eu tava muito ansiosa pela chegada desse mês, tenho tantos planos em mente, que acho que vocês até estão lendo uma Luiza com uma pontinha de otimismo. Sem falar nas festas que prometem serem as melhores. Sem falar também nos pensamentos de fazer coisas novas, que dessa vez poderão ser feitas. Sem falar que já é quase férias. Sem falar que esse ano tem copa do mundo no Brasil, meu deeeeeus a copaaa genteeeee, faltam 12 dias, como eu to ansiosa.

Sempre que é ano de copa, eu fico muito ansiosa. Dizem as más línguas que eu já fui apaixonada por futebol um dia, flamenguista doente, de não perder um jogo, de chorar, de ir ver o jogo no bar com meu irmão e ozamigo, de saber a escalação do time, de comentar jogo no twitter (sim, eu já fiz isso), mas isso aí era no tempo que o Adriano jogava bola e tinha o funk do pet, porque era o tempo em que meu irmão ainda morava em casa, e eu era muito influenciada por ele, depois que ele foi embora perdi o tesão (no futebol rsrsrsrsr). Mas eu ainda gosto muito de futebol, mesmo que tenha preguiça de acompanhar, e não saiba mais nada de time nenhum hoje em dia. Mas mesmo quem não sabe nada de futebol, nutre um amor pela seleção, e sim, eu quero muito a copa, e no Brasil, pentacampeão, reconhecido como “o país do futebol''. O Brasil merece sediar a Copa da América do Sul. A Copa merece ser sediada no Brasil. O maior evento futebolístico – e esportivo – do mundo merece ser jogado aqui, muito mais do que em países como o Japão, vei, lá só tem hentai e sumô, Brasil é bola e samba no pé ousadia e alegria gente feliz e tererê da Carla Perez nos cabelo e umbanda na Bahia.

Quero que o turismo aumente, e que talvez o Brasil seja reconhecido por conseguir sediar um evento de grande porte, de verdade. O ônus já nos foi cobrado. O estádio é caro? Sim, mas já está feito. E, se parar de fazer os que faltam, ficará ainda mais caro.

Agora, é hora do bônus. É hora de receber o mundo. Apesar dos pesares..., e eu não quero chorar igual criança se o Brasil perder de novo, chorar só se for de alegria por ele ganhar em cima da Espanha como na Copa das Confederações (apesar dessa copa ter sido comprada né gente rsrsrsrsrsrsrs mas se era pra comprar, melhor comprar o resultado da copa do mundo, nossa que Dilma burra, incompetente odeio PT fora petralhassss).

Não tem como negar que é um evento muito bonito, eu sou dessas bestonas mesmo que chorou quando o Brasil perdeu pra Holanda na última copa, e que acha que vai ser um verdadeiro luto se o Brasil perder essa copa. Perdoa ser idiota, e não desiste de mim.

Não vejo mesmo a hora da Copa chegar, e receber ozamigo em casa pra tomar umas, comer uns churrasco manerasso e ver os jogos, mesmo que eu tenha aqui em mente que meu chefe não vá liberar a menos que falte 1h pra hora do jogo. Mas aí eu me encaixo com quem vai assistir em Maceió mesmo, e vejo do mesmo jeito, pq é copa no brasillllll uuuh Brasil Brasil copa do mundo neymar Brasil hospital gol escola educação o país do futebol protesto o gigante acordou transporte público segurança Brasil não se faz copa com hospital VAI TER COPA SIM GENTE VAI TER MUITA COPA VAI TER 3 COPA.

~ainnnn que junho me seja doce~ pau no seu cu.
Obg, gente.


Com vocês, um forró bom, que não é Wesley Safadão, e se gostar de Luiz Gonzaga e achar a letra dessa música muito bonita é brega, eu não sei mais o que é música bonita.



*sim, um pouco de vergonha de publicar esse texto, pois todos descobrirão que gosto do São João, e que choro quando o Brasil perde, mas fazer o que, vocês são todos feios e eu nem rio de vocês, um abraço.

UM BJ DO WESLEY SAFADÃO PRA VOCÊS


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Um pouco sobre ser "um bicho"...

Oi, meu nome é Luiza, tenho 19 anos, moro em São Miguel dos Campos, interior de Alagoas, porém não seja muito do meu agrado, e tenha muita vontade de ir morar em Maceió, o que facilitaria muito a minha vida. Atualmente curso o primeiro período de História, na Universidade Federal, mas ainda anseio cursar jornalismo, pois, acho que realmente é o que eu quero fazer. Sou solteira, não tenho filhos, moro com meus pais e não trabalho.

Então, muito fácil escrever tudo isso, teria sido bem mais fácil ter escrito tudo isso sobre mim na semana passada ao invés de falar. Falar em público. O que é um verdadeiro pesadelo pra mim. Minha vida teria sido bem mais fácil todos esses anos se ao invés de falar, eu pudesse escrever. Segunda-feira passada, eu me vi em apuros quando tive que falar essas mesmas palavras pra apenas 10 pessoas numa sala, toda sem jeito, sem saber onde pôr as mãos, sem saber pra onde olhar, tremendo (de nervoso e de frio, pois a estagiária deixou o condicionador de ar no modo: “frio pra caralho se fode aí vocês otários sou estagiária quero que vocês morram”. Traduzindo: eu fui um desastre. E só precisava falar essas coisas inúteis.

Carrego desde o dia em que nasci um fardo nas costas, muito conhecido como: Timidez Aguda.

Sempre foi assim minha vida inteira, desde exatamente sempre. Das crianças da família eu era aquilo que eles chamavam de: matuta (perdoa meu dialeto de interiorana e não desiste de mim). Eu não dançava nas festas, eu não falava com as visitas, eu não conseguia interagir com as outras crianças. E se você tem uma tia extra malvada daquelas que só falta a verruga no nariz e uma 38 na sua mão, sua vida se torna um pesadelo, pois ela vai infernizar sua vida te puxando pro meio da roda onde as outras crianças estão dançando, à força, vai te fazer passar vergonha na frente das visitas dizendo: “ah, ela não fala, é muda”, e outras atrocidades de tias bruxas. Na escola, até a 8ª série, eu não tinha tantos problemas, pois minha turma era a mesma desde a 1ª série. Mas a coisa muda de figura quando no dia de cantar o Hino Nacional a diretora te chama a frente pra fazer uma oração e depois puxar o Hino, e você não consegue emitir uma só palavra e fica olhando pro chão enquanto todo mundo espera você começar, até que ela cansa de esperar e manda você voltar pra fila. E quando outra pessoa vai lá e faz o que era tão fácil e você não fez, ela olha pra você e fala: “é assim que se faz”. Não sou obrigada a rezar na escola, nós vivemos num Estado Laico, sua burra.

Quando eu entrei no ensino médio, e tive que mudar de escola, foi um verdadeiro choque, eu não consegui fazer amigos, vivia sozinha, rezando pra minha mãe me tirar dali e me mandar de volta pra  outra escola. Nunca consegui apresentar bem um trabalho que fosse durante todos os 4 anos, eu preferia fazer prova a apresentar trabalho. Lógico que parece exagero, fodam-se vocês, mas eu tremia, até já cheguei a chorar, e alugava os ouvidos dos poucos (mais necessariamente 2) amigos que eu fiz dizendo que não ia conseguir, e quando chegava lá na frente só fazia merda, lia com a cabeça baixa sem olhar pra ninguém e quando acabava voltava correndo pro meu lugar. Lógico que a partir do 3º ano eu desencanei dessas merdas, virei vagabunda e não tava mais nem aí pra trabalho, e fazia recuperação.

Parece que ser tímido é um pecado dos mais graves. Se você for até o dicionário mais próximo e procurar sinônimos pra palavra "tímido", o que você vai encontrar são termos como medroso, débil, dúbio, fraco, frouxo. Isso porque, na nossa cultura é obrigatório ser incisivo e comunicativo.

Se você é tímido, a primeira coisa que as pessoas vão falar que você é, é antipático. “Nossa, você viu aquela metida, chega não fala com ninguém, antipática, fica calada, se acha melhor que todo mundo”. A segunda, é antissocial, o que eu não deixo de ser um pouco, pois segundo minha melhor amiga que me conhece há mais de 10 anos, sabe bem como eu sou e deveria me entender, eu sou “um bicho”. O que ela e a maioria das pessoas não entendem, é que quanto mais você incentiva uma pessoa tímida na frente de outras pessoas, a não ser tímida, mais tímida ainda ela vai ficar. Eu não entendo o porquê de vocês acharem que dizendo pra uma pessoa tímida parar de ser tímida, ela realmente vai parar de ser tímida.

Seria muito bom se fosse assim tão fácil. Porque o tímido não escolheu ser tímido. Ele se tornou tímido por algum motivo.

Uma vez à vontade, o tímido é tão engraçado, sociável e simpático como qualquer outra pessoa. Não adianta forçar, falar coisas do tipo: “interage, parece que não ta gostando” “para de ser tímida” “se solta”. Espera, caralho, quando eu me sentir bem e achar que eu posso falar minhas merdas sem passar vergonha eu vou falar, ou então enfia cachaça em mim porque só assim eu posso aguentar você enchendo meu saco.

Outra coisa, que se eu acabo de conhecer alguém, ou me encontro num grupo de pessoas que eu não conheço, eu não vou chegar metendo o nariz onde não fui chamada, não gosto de ser inconveniente, e odeio gente que é. Se eu to na fila de um banco, não vou virar pra você e falar: “Poxa, ta calor, né? E essa fila que não anda rsrs” Não, eu não vou, porque eu não te conheço. Se for a primeira vez que um amigo me apresenta a outros amigos, com certeza eu vou ficar calada até que alguém fale comigo, não por ser chata, mas por não querer ser intrometida, e principalmente passar vergonha. Incomodar é uma coisa que realmente me deixa incomodada. Ser o centro das atenções mais ainda, por isso no meio de “estranhos” nunca me peça pra falar mais um pouco de mim ou coisa parecida, eu com certeza vou gaguejar. E por favor, se você é meu amigo de verdade e estiver comigo em algum lugar, não me deixe sozinha muito tempo com pessoas que eu não conheço, se elas não iniciarem uma conversa comigo, eu vou procurar um lugar pra poder enfiar minha cabeça e passar o tempo com ela lá até você voltar.

Chegar atrasada pra uma festa e ficar oprimida demais pela visão de todas as pessoas que já estão lá.

Coisa mais constrangedora da vida é chegar na casa de um amigo na hora de alguma refeição.

- Oi, Luiza, quer almoçar?

- [Vergonha Level 1] Não, obrigada.

- Senta, come só um pouquinho.

- [Vergonha Level 3] Não, eu acabei de comer, to sem fome.

- Mas vai fazer essa desfeita?

- [Vergonha Level 6] É verdade, eu não to com fome.

- Fulana, pega um prato que a Luiza vai comer com a gente.

- [Vergonha Level 9] Eu não quero de verdade.

- (Coloca o prato na mesa, te pega no braço, te senta e enfia comida na sua goela a baixo)

- [VERGONHA NÍVEL MÁXIMO DE TODAS AS VERGONHAS DO MUNDO] (Você come)

Tenho orgulho de dizer que minha mãe é dessas, mas quando ela começa eu dou logo uma lição nela pego pelos cabelMentira, gente, mas como eu sei bem o sentimento de desespero em que a pessoa tímida fica pra evitar ao máximo comer na frente da família dos amigos (ou estar sem fome mesmo) eu digo: STOP, please.

Às vezes, incrivelmente me dá um surto de coragem e eu consigo interagir com as pessoas de primeira, mas aí eu com certeza estarei bêbada, ou gosto das pessoas por já ouvir falar, e me sinta bem pra poder falar sem passar vergonha. O problema nunca é a outra pessoa, sou eu que tenho medo de parecer idiota e burra assim como uma primeira impressão.

Enfim, ser tímida, realmente, pelo menos pra mim, nunca me ajudou em nada, só me atrapalhou. Mentira. Me ajuda a não ser sem noção, isso é uma vantagem. Mas aí eu chego no twitter e estrago tudo, verdade. Se eu pudesse escolher, é lógico que eu não seria assim, eu interagiria com a família dos meus amigos sem problema nenhum, pra eles não dizerem que eu sou um bicho, quando com fome (o que acontece sempre) lógico que eu aceitaria a comida oferecida, faria amizade com os amigos dos amigos, e falaria em público sem tremer e olhar pro chão. Por enquanto eu só vou tentando contornar, porque my friends, é foda, eu não sou chata (mentira, sou sim), ou antipática (tbm sou sim), só sou na minha e tenho medo de falar com as pessoas até me sentir a vontade ou ver que não estou incomodando ou vou falar alguma besteira (é verdade, eu sou um bicho). Sei bem como sou desajeitada com tudo, por isso não arrisco. E sempre vai ter aquele pra perguntar por que você é tão calado, ao invés de só te deixar ser tímido em paz. Só tenham paciência comigo, eu sou legal (mentira).