quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O que fica?

Como diz a música “O tempo passa e nem tudo fica/A obra inteira de uma vida...”.

Tanta coisa vai. O que fica?

Eu tava me questionando isso... e a resposta é: acho que nada.

É estranho passar pelo colégio onde estudei no ensino médio e não esbarrar com nenhum conhecido. Não que eu esperasse que as pessoas que estudavam lá no mesmo tempo em que eu estudava, ainda estivem lá, mas é uma sensação estranha. Eu passei 4 anos da minha vida ali, sendo barrada na porta porque ia com a blusa dos jogos internos quando não era sexta, porque detestava a farda que era muito transparente,  e vejamos, sou um pouco avantajada nos meus atributos mamários, e hoje descubro que agora você pode ir com ela qualquer dia. Eu passo por lá esperando, ao menos, encontrar alguém que eu via todos os dias no pátio, indo pegar algum documento, alguma assinatura de estágio. Não que eu fosse falar com a pessoa, ou dar ao menos um sorrisinho de canto de boca, porque eu sempre fui antipática e nunca vou mudar, mas só pra ter aquela sensação de: “poxa, eu me lembro desse cara”.

Tudo acaba um dia, absolutamente tudo. Estamos num mundo finito; Onde as coisas tem princípio, meio e, evidentemente, fim.

Como já disse, passei ali 4 anos da minha vida, e se me perguntarem se sinto saudades, titubearia na resposta. Porque eu não sinto saudades da escola, eu sinto saudades do tempo da escola. Vamos combinar, escola é uma coisa muito chata, tudo tem regras, você tem que estudar pra coisas que você detesta, tem que fazer educação física mesmo com vergonha de usar aqueles shorts que te deixam com “algo” mais avantajado na frente daqueles pivetes tarados e insuportáveis, sua turma é um saco, e especialmente a minha escola era um saco. Mas o tempo da escola, em que mesmo acordando cedo eu podia chegar em casa, almoçar e dormir a tarde toda, não precisava pagar minhas contas, disso eu sinto falta. Meu único dever era estudar pra passar na prova, e mais nada.

Será que precisamos de um propósito de vida hein? Se tudo vai acabar..

E um dia a vida acaba.

Surge uma ansiedade, uma tristeza, uma preocupação. É ok. Vem uma alegria, um riso, um entusiasmo. É ok.

Agora chove, depois não chove. Agora tenho dinheiro, depois não tenho (nunca tenho). Agora vivo na casa dos meus pais, depois volto a morar só. Agora eu tenho um amor, com todos os mimos e toda a felicidade que jamais tive na vida, depois não tenho mais.

Tudo que eu escrevi agora foi um monte de bosta? É, foi. Não sai nada que preste da minha cabeça. Talvez eu só quisesse encontrar alguém conhecido passando pela antiga escola, pra lembrar de um tempo sem preocupações. Os sons que chegam até você, as pessoas que passam por você. Isso é a vida que acaba agora. E agora.

Eu vivo o tempo todo com medo, sabe, mas eu não me considero covarde. Ter medo é normal, estranho seria se você não tivesse medo de nada. Acho que covardia seria ter medo e reprimir-se. E eu já fui assim um dia. Hoje eu tenho medo das minhas decisões, mas uma hora ou outra eu tenho que tomar alguma. E sabe aquela coisa de “escuta seu coração”? Eu não sei bem como se escuta o coração, mas creio que seja a escolha que mais te dá calafrio e ao mesmo tempo felicidade. As pessoas não entendem que eu só quero ser feliz, o tempo todo, agora, sem essa de “ahhh mas um dia vc vai ser muito felizzz”. Não, eu quero ser feliz agora. E talvez eu esteja errada, mas acho que eu só saberia se tentasse, e coragem de tentar é o que não me falta. A vida deveria ser menos complicada. As dores da alma e do coração deveriam passar com o sono, você dorme e pronto, acorda bem melhor. Mas não é assim, tem dias que a angústia toma conta de você e você não consegue trabalhar, não tem vontade de comer, de sair de casa. E eu só sei que isso não é nada bom.

Tenho pensado em sentimentos e liberdades. A gente finge que sim, mas sentimentos não conhecem fronteiras. Eles não escolhem seguir os caminhos mais seguros e convenientes. O ego quer torna-los concretos, mas sentimentos são pura abstração. Pensamos que ao definir um sentimento poderemos controlá-lo. E queremos controlar os sentimentos, pois, temos medo que eles demonstrem as nossas fraquezas e vulnerabilidades e sejam maiores que nós.

E eu só espero que passe, de um jeito ou de outro, com o tempo ou com decisões que vão contra tudo o que você pensa. Porque pode ser que um dia essas dores passem, mas enquanto elas duram, é um pesadelo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Um dia...

Hoje quando estava saindo de casa pra ir trabalhar, esqueci o lanche que levo, já que ainda é muito cedo pra tomar café da manhã. Quando chego no ponto de ônibus, recebo uma ligação da minha mãe me dizendo que havia esquecido o lanche em casa, mas como já estava longe, preferi deixar pra lá e não leva nada. Ok. Tudo certo. Quando entro no ônibus, e sento numa poltrona azul, mas já chegando no cinza de tão suja, ouço alguém me chamar na porta do ônibus: "Sahara", meu Deus, ninguém me chama de Sahara. Era minha mãe, com o lanche na mão pra me entregar, com cara de sono, entrou no ônibus e me entregou. Me senti como se ainda estivesse no primário. Mas na verdade não fiquei constrangida ou coisa parecida, achei a coisa mais linda do munto, e fiquei até meio chorosa sim, pra quê negar, eu sou sentimental vai, dá um desconto. O fato é que coisas pequenas assim, te mostram como as pessoas se preocupam com você e querem te cuidar bem a todo custo, isso me fazia muita falta. Casa de mãe é o melhor lugar do mundo, mesmo quando você se acostuma a viver sozinha.

A vida é difícil, gente, a vida tá só esperando o momento em que você abaixar pra pegar algo no chão (quem sabe sua auto estima) e te enrabar. Você só tem que ter coragem, não ser molenga e desistir no primeiro obstáculo, entende? Se fosse fácil, não se chamava "vida" se chamava "engordar".

Brincar de gangorra sem balanço não tem muita graça. Um lado vai para baixo para erguer o outro, mas que de tão leve e nas nuvens não desce para que o outro se erga um pouco e descanse as pernas. Então esse um fica eternamente embaixo, olhando para cima, enquanto o de cima olha para copa das árvores, para os pássaros, quase se esquece do que do que está embaixo. Mas quando finalmente olha para ele o vê pequenininho lá embaixo, agachado, curvado.. uma criaturazinha medíocre qualquer. Ele esquece que foi sua força para baixo que o elevou até lá em cima. Com o tempo os músculos atrofiados não conseguem dar impulso e jogar o que está embaixo para cima, e o que está em cima para baixo.

As coisas deveriam ter princípio, meio e fim. Assim como não consigo entender o eterno, não consigo entender algo que o fim chega na metade do princípio, anulando qualquer possibilidade do meio. É a mesma frustração de querer formar uma palavra, se você ainda nem conhece o alfabeto direito. Fora da sua compreensão, completamente inútil. Frustrante.

A culpa é minha. O tropeço não acontece porque o buraco estava lá, o tropeço acontece porque o buraco estava lá mas você não viu.

Sabe, frio, medo e tristeza, passam. Dor também passa. Até amor que foi embora passa. Só não passa a vontade de de fazer tudo novo de novo. O impacto de uma mudança brusca é arrasador, mas aaaah meu amigo, a vontade de provar as coisas novas, ou as velhas que há muito tempo já não se provava, é maior ainda.

Poderia fazer um manual de como se sentir melhor que um saco de lixo, e amigos e familiares podem ser bem divertidos e acolhedores, tipo seu pai que te chama pra tomar uma cervejinha com "o papito", e você se acaba de tanto rir. Mas meu tempo é curto.

Um dia tudo passa, e como me disse, a moça da limpeza de onde trabalho, que me deu uns conselhos e fiquei me sentindo naqueles filmes americanos em que sempre tem um zelador sábio, quando algo tem que acontecer, acontece, e há coisas que servem pra te libertar.

Adeus.