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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Belas, emponderadas, do bar, do lar, da chuva, da fazenda ou de uma casinha de sapê...


Uma mulher deve poder ser o que ela quiser ser, poder fazer o que ela quiser fazer, poder agir como ela quiser agir, poder falar, cruzar as pernas, colocar roupa que quiser, gargalhar, tudo como ela decidir  – no limite do convívio humano (essa parte eu acrescento por motivos de: pessoas esquecendo a humanidade e falando em tortura e afins).

Uma famosa revista brasileira publicou uma matéria sobre Marcela Temer. Mentira, ela publicou uma matéria com a “esposa do Michel Temer”. Começa daí o problema.

O texto causou grande repercussão nas redes sociais, e não é pra menos: o que lemos foi o retrato de uma “esposa perfeita”, daqueles muito comuns nos jornais femininos das primeiras décadas do século passado. As qualidades ditas femininas eram exaltadas: doçura, cordialidade, submissão, pudor, paciência e resignação. Ninguém está criticando Marcela Temer por seu estilo de vida, o feminismo sempre buscou a liberdade feminina, seu direito de escolher qual caminho seguir. O que nos chama a atenção é o indisfarçável cheiro de mofo que emana do artigo em questão. Quem é exaltado, se prestarmos bem atenção, é o marido. Um homem “de sorte” por ter sabido escolher uma companheira tão perfeita…

A matéria provocou reação. Que bom que provocou. Muitas mulheres, eu inclusive, divulgamos fotos zoando a descrição, apontando outros espaços, formas e contextos de existirmos além da descrição “bela, recatada e do lar”. Reivindicamos as ruas. Os bares. Reivindicamos a liberdade, a luxúria, a falta de decoro. Reivindicamos o mundo do trabalho, do consumo, o espaço público. Confrontamos o discurso que enaltece o modelo “mulher do Temer”.

A Marcela não é a figura do retrocesso feminista. A Marcela não é o problema. As escolhas da Marcela não são a questão. A questão é que ainda vivemos na dicotomia santa e vadia. Eu vivo. No contraponto do bela, recatada e do lar, também existe o fora do padrão, a despudorada e a da rua. E por que alguém, também, não haveria de ter a sorte de conhecê-las?

Por isso, aqui estão 15 músicas que irão te inspirar a sair da cama hoje e sentir orgulho de ser mulher pelo simples fato de sermos quem somos.

1. No Doubt - Just A Girl

I'm just a girl, what's my destiny?
What I've succumbed to Is making me numb

Em Just a Girl, Gween Stefani mostra que ser “apenas uma garota” não te impede de realizar nada.

2. X-Ray Spex – Oh! Bondage Up Yours

Some people think little girls should be seen and not heard but I think oh bondage up yours!

A vocalista da banda formada em 1976, Poly Styrene, é a alma agressiva e voraz das mulheres em buscas de seus direitos nos anos 70.

3. TLC - No Scrubs



No, I don't want no scrub
A scrub is a guy that can't get no love from me

Sabe aquele cara que se acha no direito de opinar em tudo o que você veste, fala ou como você se comporta? Ele é um scrub e não merece sua atenção!

4. Bikini Kill - I Like Fucking

Just ‘cause my world is so fucking goddamn full of rape
Does that mean my body must always be a source of pain?

Bikini Kill foi a banda que deu o pontapé inicial do movimento punk feminista dos anos 90, que ficou conhecido como Riot Grrrl. Kathleen Hanna também integra as bandas The Julie Ruin e LeTigre, que valem a pena serem ouvidas.

5. Ellen Oléria - Antiga Poesia



A planta é feminina, a luta é feminina
La mar, la sangre y mi América Latina

Essa foi uma das melhores músicas que conheci esse ano, fala de mulher negra, e o que é ser feminista, mulher que batalha, como ela mesma diz "Aqui não tem drama ou gente inocente, aqui tem mulher firme arrebentando as suas correntes".

6. Poison Girls - Cry No More

I’m tired of crying, it changes nothing
For the abuse of sex, the endless rape

A vocalista Vi Subversa, surgiu com a Poison Girls na explosão do punk quando ela tinha 44 anos e mãe de dois filhos. Isso deu força para as mulheres se engajarem e mostrarem que podem fazer música independentemente da idade.

7. Sharon Jones & The Dap-Kings - Nobody's baby

Well, you know, I'm nobody's soldier
I'm a bonafide captain

Muitas mulheres já passaram por um relacionamento abusivo, onde o parceiro faz a mulher se sentir culpada e inferior, mas dessa vez não, porque ela não é soldado de ninguém, agora é "capitão".

8. Karol Conka - Você não vai



Mas você se distrai, confunde o meu valor
Sai falando demais, fica puto enquanto eu vou
Onde você não vai, você não vai

A Karol pra mim é uma das melhores cantoras da atualidade, está inserida em um dos cenários mais machistas da música brasileira, o hip hop, e ciente disso, emprega em suas letras a liberdade de ser e fazer o que quiser a partir do princípio da liberdade da mulher.

9. Aretha Franklin - Respect

All I'm askin'
Is for a little respect when you come home

Não preciso falar muito né? Afinal a letra da música já fala por si só, ela só quer o que todas queremos, respeito.

10. Beyoncé - Flawless



Feminist, a person who believes in the social
Political and economic equality of the sexes

Entre outras músicas com letras muito empoderadoras para as mulheres, Flawless de Beyoncé acabou se tornando um hino feminista graças à adição do trecho de um dos incríveis discursos de Chimamanda Ngozi Adichie.

11. Karol Conká - Tombei

É no meu tempo 
As minhas regras vão te causar um efeito 
É quando eu quero se conforme é desse jeito 
Se quer falar comigo então fala direito, fala direito 

Eu poderia colocar todas as músicas da Karol Conká nesse post bem de boa, porque todas vão ter pelo menos alguma frase que empodere as mulheres.

12. Rita Lee - Pagu


Minha força não é bruta, não sou freira nem sou puta
Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda

A música composta por Rita Lee e Zélia Duncan é inspirada na escritora e jornalista Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, uma grande referência para o movimento feminista brasileiro. E faz referência também às mulheres que foram queimadas em fogueiras acusadas de bruxaria entre os séculos XV e XVIII.

13. The Runaways - Cherry Bomb

Come on, baby, let me get to you

Bad nights cause'n teenage blues
Get down, ladies, you've got nothing to lose

"Cherry Bomb" é um trocadilho sonoro, uma vez que Cherie em francês significa “querida” e não tem nada a ver com cereja. Mas a ideia é bem imagética também: uma bomba de cereja. Algo que é doce, aparentemente delicado, mas que explore. Ou seja, é a reunião de uma aparência frágil com algo potencialmente perigoso

14. Christina Aguilera - Can't Hold Us Down



So what am I not supposed to have an opinion
Should I keep quiet just because I'm a woman
Call me a bitch cos I speak what's on my mind

Você já teve coragem de rebater aquela cantada que ouviu na rua? Christina Aguilera não só responde, usando a letra dessa música, como também dá força a outras mulheres se unirem e desabafarem também.

15. Destiny's Child - Survivor

You thought that I'd be sad without you
I laugh harder
You thought I wouldn't grow without you
Now I'm wiser

A última da lista tinha que ser SURVIVOR, a letra fala muito sobre independência feminina, inclusive, a Clarice Falcão laçou um clipe fazendo um cover dessa música com mulheres das mais diferentes idades, etnias, credos, corpos… Para fazerem o que bem entenderem com um batom vermelho, pra quem quiser dar uma olhada.

Agora sim fiquem com muita música, muito amor e emponderamento.

E fiquem com a melhor imagem da semana:


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

10 motivos para gostar de Novos Baianos

Só há duas bandas, consideradas clássicas, das quais tenho a discografia completa, são elas: Beatles e Novos Baianos. Se bem que Beatles tem algumas músicas que são bem da chatas, mas tenho pena de excluir, pois <3 Mas então, estava esta pessoa maravilhosa que vos fala, no ônibus, ouvindo música, quase dormindo, mas ainda atenta ao que tocava em meus ouvidos, e sim, era Novos Baianos, a discografia completa sim. E vinha pensando comigo mesma “cara como isso é bom, puta merda” (sim, foi esse mesmo o pensamento), fiquei imaginando o quão bom seria estar sozinha no meu quarto naquele momento só pra poder cantar alto, mesmo que na verdade, se eu estivesse no meu quarto naquela hora eu estaria mesmo era dormindo, pra ser sincera. Não consigo imaginar como existe gente nesse mundo que não gosta de Novos Baianos (bom, na verdade consigo sim galera, nem todo mundo gosta do que você gosta né, mas vamo lá, colabora pra dar uma ênfase na frase), então apresento a vocês 10 motivos para gostar desse grupo MARAVILHOSO, e o primeiro deles é:

1- PORQUE É MUITO BOM
Os caras (e a cara rsrsrs) conseguem passar uma leveza, um despojamento e uma simplicidade quase infantil nas músicas, uma espiritualidade vivida por eles, as pequenas coisas da vida que a tornam tão bela etc, isso tudo fica muito evidente quando as ouço.

2 -  A LETRA DE VAGABUNDO NÃO É FÁCIL


Como não amar Novos Baianos, uma banda cuja argumentação passa por: "se eu não tivesse com afta, até faria uma serenata pra ela"? Me digam: COMO?

3 - VOCÊ VAJA SIM


Tô ouvindo Novos Baianos e fazendo qualquer outra coisa, mas na minha cabeça tô de rasteirinha e saia hippie sambando na areia da praia em 78, em Salvador, ouvindo “no canto do cisco no canto do olho a menina daaaança, dentro da meninaaaa, a menina dançaaa, e se você fecha o olho a menina ainda dançaaa”

4 - TEM VÁRIOS RITMOS SIM


Os Novos Baianos além de rock, consegue unir samba, chorinho, frevo, tem guitarra elétrica, pandeiro, cavaquinho, chocalho, letras singelas ou bem das doida, é muito amor gente.

5 - TEM DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SOBRE A HISTÓRIA DELES

“O Mistério do Planeta: Um Estudo Sobre a História dos Novos Baianos (1969-1979)” é o nome do trabalho, eu já li quase tudo e posso dizer que: é bem bom, está voltado para o período que vai da formação do grupo até a sua fragmentação.

6 - A GALERA ERA UMA FAMÍLIA


Os Novos Baianos eram mais do que uma banda, eram uma família, é muito bacana ver as capas e os encartes dos discos deles, pois vemos inúmeras crianças e bebes, filhos deles, eles eram uma comunidade, moravam juntos, tocavam juntos, viviam em grupo, e talvez por isso façam um som tão acolhedor.

7 - BABY DO BRASIL
Gente, eu sou apaixonada por essa mulher, olha esse cabelo de barbiezinha gótica conceitual moderna. Ela é excêntrica, tem uma voz maravilhosa, essa mulher tem muito prestígio comigo (o que não quer dizer nada né), porque não faz qualquer esforço para ser uma pirada leve. Foi casada com o Pepeu e é legal comentar a forma como se conheceram, segundo vi na rede das internetz: “Diz Pepeu que andava pelas ruas de Salvador com a turma que veio a se tornar a banda quando viram um brilho na testa de uma garota que também andava pela rua. Ao se aproximarem viram que o que brilhava era um espelho que a garota amarrara na testa, essa garota era Baby, que diz que amarrou o espelho para que as pessoas se vissem dentro da cabeça dela.” É muito ácidDOIDERA pra uma pessoa só. Baby te amo, queria ser sua filha e participar das suas viagens com os extraterrestres.

8 - SNZ
Bom, esse é só mais um motivo pra amar essa diva que é Baby do Brasil, pois pra quem não sabe, as meninas do grupo SNZ, que fez parte da adolescência dos anos 90/2000 são filhas da Baby e do Pepeu. Sarah Sheeva (que vocês devem conhecer como a pastora que ama ser virgem, igual a mim), Nãna Shara e Zabelê, fizeram parte da minha infância cantando “nada vai tirar você de mimmm, foi tão bom te encontrar amoo o or” e isso me lembra uma infância muito feliz, e se não fosse quemmm? Baby do Brasil maravilhosa, isso também não seria  possível, obrigada. (tá esse aí foi só pra encher linguiça porque já tô cansando)

9 - É TUDO DE HUMANAS
Olha pra essas pessoas, na boa, não existe um pessoal mais de humanas que esses caras. Os caras viviam em um sítio chamado “Cantinho do Vovô”,  levando um modo de vida totalmente hippie. Você vai pra uma social de exatas o povo só arruma problema, briga ouvindo Gusttavo Lima, vê se humanas perde tempo brigando, amigo nós tamo tudo ocupado fazendo lual e cantando novos baianos de rasteirinha.

10 - ACABOU CHORARE


O que falar desse álbum, galerinha? Todo brasileiro deveria ter conhecimento desse álbum. É o segundo álbum de estúdio deles, eleito pela revista Rolling Stone como o maior disco da história brasileira,  é também o meu preferido dentre a obra dos Novos Baianos, é muito mais do que um disco, pode ser considerado um manifesto, uma viagem coletiva, uma trilha sonora de algo muito maior. Sério, querem motivo maior pra vocês gostarem desse grupo? É o melhor disco da história desse brasilzão de meu (insira seu deus aqui).

Fica a dica de um som diferente nota 10 pra vocês ouvirem, quem não conhece, não deixe de conferir esta maravilha, que até os dias atuais vem causando grande influência em nossos músicos. Mas se também não quiserem conhecer galera, tem problema não, aqui é um espaço democrático, ok? (mas também não sabem o que tão perdendo).

Um beijo no coração de vocês.

domingo, 1 de junho de 2014

Sobre Junho, Wesley Safadão e a Copa

Esse não é um texto daqueles de “que esse mês me traga o que aquele mês não me trouxe”, peço um pouco de respeito, obg.

Não sei se vocês são daqueles que calculam o coeficiente da beleza de cada mês do ano. Eu talvez seja. Ou seja mesmo, e só queira incluir um “talvez” aí no meio pra não querer dar uma de tão loca good vibes. Porque ser chata é uma coisa, ser good vibes tudo lindo é uma vertente que separa os chatos um pouco aceitáveis e os chatos irritantemente chatos mesmo.

Esse cálculo nem é lá tão difícil, afinal, eu sou de humanas, e cálculo não é uma das coisas em que eu me viro muito bem.

Parto do princípio de que todo mês que venha antes de junho seja uma grande merda.

Os meses do primeiro semestre. Parece que são todos podres. Os piores meses são sem dúvida Janeiro e Fevereiro. Eu nasci em janeiro, e não é nem de longe um mês a se comemorar, e sim de dar umas porrada na minha mãe por além de nem saber fazer uma filha direito, achar de engravidar numa data que vá me obrigar a nascer em janeiro. Eu fui uma criança que nunca pude comemorar o aniversário na escola com os coleguinhas de sala e a tia, porque janeiro é mês de férias. Além de fazer um calor da porra.

Ave Sangria sobre o calor da porra que faz em Janeiro


Janeiro é aquele mês espremido entre o rei Dezembro e o plebeu Fevereiro. Janeiro quer ser Dezembro, mas está mais pra Fevereiro.

Maio. Não tenho nada pra falar mal dele, só que é doido pra ser Junho e cair no meio do ano, mas não tem nenhuma chance de evoluir porque ainda tem e sempre terá os pés enfiados no primeiro semestre. Sem falar que esse finzinho de maio foi o que eu poderia chamar de “fim de mês ruim da porra”, eu olho pra ele tentando entender o que deu errado e não tenho a menor dificuldade de tantas que são as razões. E todas elas, é verdade, foram dadas por mim. Afinal, o que é que eu estava pensando? Na verdade, oscilou bem entre “fim de mês ruim da porra” e “olha aí uma surpresa boa”. Mas sabe como é, as partes ruins sempre superam as boas.

Com a chegada de Junho a coisa começa a melhorar. Junho não é assim um Dezembro, mas também não é um Fevereiro, pra sorte dele. É aquele mês que não compromete e fica lá sem mexer com ninguém, na beirinha do segundo semestre, sem dar trabalho.

Mas eu, realmente, gosto de Junho. É tipo: CARALHOOO A GENTE JÁ TÁ NO MEIO DO ANO. Junho é um mês nostálgico. Pois me lembra muito a época de escola. Das quadrilhas e das gincanas. Como esquecer que um dia eu já tive meu momento de glória sendo a noiva por dois anos seguidos? É pra poucos. Ainda mais quando o noivo é aquele seu paquerinha da sala.

Sempre que eu começo a lembrar das festas de São João da escola, eu me lembro do episódio fatídico ocorrido a minha pessoa, tão criança, ingênua, e feliz de andar na rua caracterizada de matuta, vestido, chapéu de palha, trança, indo pra escola, pronta pra dar um show na quadrilha e arrasar com a cara das inimiga fazendo elas morrerem de inveja do meu gingado e desenvoltura na dança, eis que, acometida pela senhora gravidade, coitada da Luiza criança, que tropeça e cai no meio da rua, assim rasgando a linda meia fina branca, ralando o joelho, e abrindo o berreiro a chorar, temendo não conseguir dançar com o joelho tão machucado e dolorido, e ainda com a meia rasgada. Lembro da cara de pena da minha mãe tentando me animar, dizendo que ninguém ia nem reparar.

É estranho, mas sempre me lembro desse dia, acho que porque eu tenha até fotos dele.

Enfim, por mais que hoje em dia, eu não seja muito adepta às atuais festas de São João da região onde eu moro, e não seja nenhum pouco fã do forró também atual, eu ainda acho o São João um festa muito bonita.
Como boa interiorana, alagoana e nordestina que sou, acho junho um mês muito alegre, e por que não dizer  ~fascinante~. Para alguns, apenas algumas bandeirolas e pratos à base de milho verde. Para mim, mês de alegria e celebrações embaladas por festas e reencontros.

A comida é abundante e diversificada, e não é querendo puxar sardinha pros lados de cá não, mas a culinária do Nordeste é de longe a melhor do Brasil, tem nada desses pão de queijo de minas, só queijo queijo queijo, ou aquelas gororoba do Norte de ~tucupi tacacá açaí na tijela e calypso~ (nossa que preconceitusosinha xenofóóóbica teje presa racista) AQUI É NORDESTE PORRAA. Acho que me exaltei um pouco. Desculpa o exagero.

(Voltando ao momento poético literário amo nordeste e os nordestinos do texto) As toalhas de chita ganham as mesas dos bares, (amo bares) (mas num era um momento poético, Luiza?) (aah foda-se, num sei fazer isso) quem sabe dá até pra rever alguns amigos que moram longe e invadem sua casa, invadem a varanda da sua casa, pra conversar e beber (e fazer a coitada da sua mãe correr atrás de mungunzá pra dar pra esses amigo fdp que quer fazer a pobre de escrava).

Tem até licença poética para usar chapéu de palha. O tempinho mais frio, a garoa, o som da sanfona que ecoa pelas praças e pelo comércio. A decoração colorida, as ruas mais cheias, não nos deixa esquecer sequer por um minuto que é dia daquele cara que foi decapitado sei lá pelo quê porque nunca li direito a blíbblia.

Tem as coisas que nem são tão boas assim, que só são legais mesmo quando você tem 10 anos de idade, como fogueira, fogos, pamonha e mungunzá (esses dois últimos em nenhuma época da vida).

Eu queria só falar sobre o porquê gosto tanto do mês de junho, que não é só por causa do São João, mas acabei falando demais do São João, porque, realmente, eu acho uma festa muito alegre e bonita, apesar de não participar tanto como gostaria por ser uma velha ranzinza e não gostar das músicas que tomaram conta como essa (aqui), mas parto também do princípio de que as suas companhias é que fazem a sua festa (e a bebida também). E sim, eu adoro receber meus amigos em casa, foda-se essas músicas ruins da porra.

Mas nem só de São João vive esse Junho. Eu tava muito ansiosa pela chegada desse mês, tenho tantos planos em mente, que acho que vocês até estão lendo uma Luiza com uma pontinha de otimismo. Sem falar nas festas que prometem serem as melhores. Sem falar também nos pensamentos de fazer coisas novas, que dessa vez poderão ser feitas. Sem falar que já é quase férias. Sem falar que esse ano tem copa do mundo no Brasil, meu deeeeeus a copaaa genteeeee, faltam 12 dias, como eu to ansiosa.

Sempre que é ano de copa, eu fico muito ansiosa. Dizem as más línguas que eu já fui apaixonada por futebol um dia, flamenguista doente, de não perder um jogo, de chorar, de ir ver o jogo no bar com meu irmão e ozamigo, de saber a escalação do time, de comentar jogo no twitter (sim, eu já fiz isso), mas isso aí era no tempo que o Adriano jogava bola e tinha o funk do pet, porque era o tempo em que meu irmão ainda morava em casa, e eu era muito influenciada por ele, depois que ele foi embora perdi o tesão (no futebol rsrsrsrsr). Mas eu ainda gosto muito de futebol, mesmo que tenha preguiça de acompanhar, e não saiba mais nada de time nenhum hoje em dia. Mas mesmo quem não sabe nada de futebol, nutre um amor pela seleção, e sim, eu quero muito a copa, e no Brasil, pentacampeão, reconhecido como “o país do futebol''. O Brasil merece sediar a Copa da América do Sul. A Copa merece ser sediada no Brasil. O maior evento futebolístico – e esportivo – do mundo merece ser jogado aqui, muito mais do que em países como o Japão, vei, lá só tem hentai e sumô, Brasil é bola e samba no pé ousadia e alegria gente feliz e tererê da Carla Perez nos cabelo e umbanda na Bahia.

Quero que o turismo aumente, e que talvez o Brasil seja reconhecido por conseguir sediar um evento de grande porte, de verdade. O ônus já nos foi cobrado. O estádio é caro? Sim, mas já está feito. E, se parar de fazer os que faltam, ficará ainda mais caro.

Agora, é hora do bônus. É hora de receber o mundo. Apesar dos pesares..., e eu não quero chorar igual criança se o Brasil perder de novo, chorar só se for de alegria por ele ganhar em cima da Espanha como na Copa das Confederações (apesar dessa copa ter sido comprada né gente rsrsrsrsrsrsrs mas se era pra comprar, melhor comprar o resultado da copa do mundo, nossa que Dilma burra, incompetente odeio PT fora petralhassss).

Não tem como negar que é um evento muito bonito, eu sou dessas bestonas mesmo que chorou quando o Brasil perdeu pra Holanda na última copa, e que acha que vai ser um verdadeiro luto se o Brasil perder essa copa. Perdoa ser idiota, e não desiste de mim.

Não vejo mesmo a hora da Copa chegar, e receber ozamigo em casa pra tomar umas, comer uns churrasco manerasso e ver os jogos, mesmo que eu tenha aqui em mente que meu chefe não vá liberar a menos que falte 1h pra hora do jogo. Mas aí eu me encaixo com quem vai assistir em Maceió mesmo, e vejo do mesmo jeito, pq é copa no brasillllll uuuh Brasil Brasil copa do mundo neymar Brasil hospital gol escola educação o país do futebol protesto o gigante acordou transporte público segurança Brasil não se faz copa com hospital VAI TER COPA SIM GENTE VAI TER MUITA COPA VAI TER 3 COPA.

~ainnnn que junho me seja doce~ pau no seu cu.
Obg, gente.


Com vocês, um forró bom, que não é Wesley Safadão, e se gostar de Luiz Gonzaga e achar a letra dessa música muito bonita é brega, eu não sei mais o que é música bonita.



*sim, um pouco de vergonha de publicar esse texto, pois todos descobrirão que gosto do São João, e que choro quando o Brasil perde, mas fazer o que, vocês são todos feios e eu nem rio de vocês, um abraço.

UM BJ DO WESLEY SAFADÃO PRA VOCÊS


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Essa será associada...



Eu ouvi muito aquela música nesse dia. Tinha acabado de baixar e era bonita demais pra não ouvi-la o dia inteiro. Eu sabia que aquele dia seria nostálgico, e eu provavelmente associaria aquela música a esse dia pra sempre.

Associo músicas a muitas situações, tenho desde músicas pro cara que mais gostei até músicas pra quando to voltando da faculdade e passo por umas cidades que não tem lá um cheiro muito agradável, com a cabeça encostada na janela do ônibus como se estivesse fazendo um clipe (se estiver chovendo é bem mais dramático). O interessante é que são associações aleatórias, ou pelo menos quase aleatórias – eu nunca havia premeditado elas.

Eis que, nesse dia, por algum acaso, deitei na cama e pensei comigo mesma “essa música será associada”.

Ouço, agora, a música e me lembro desse pensamento – não é que eu tava certa?

O problema é que tem um detalhe não premeditado: essa tristeza ao ouvi-la.

Percebo que, naturalmente, sou uma saudosista. Não apenas gosto de viver bons momentos como me pego relembrando-os constantemente, e isso faz com que ouvir essas músicas me entristeça pelo fato de o momento ter passado.

Era uma época feliz.

E eu queria de novo.

E de novo.


Além da porta
Há paz
Estou certo
E eu sei que não haverão mais
Lágrimas no Paraíso