quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O que fica?

Como diz a música “O tempo passa e nem tudo fica/A obra inteira de uma vida...”.

Tanta coisa vai. O que fica?

Eu tava me questionando isso... e a resposta é: acho que nada.

É estranho passar pelo colégio onde estudei no ensino médio e não esbarrar com nenhum conhecido. Não que eu esperasse que as pessoas que estudavam lá no mesmo tempo em que eu estudava, ainda estivem lá, mas é uma sensação estranha. Eu passei 4 anos da minha vida ali, sendo barrada na porta porque ia com a blusa dos jogos internos quando não era sexta, porque detestava a farda que era muito transparente,  e vejamos, sou um pouco avantajada nos meus atributos mamários, e hoje descubro que agora você pode ir com ela qualquer dia. Eu passo por lá esperando, ao menos, encontrar alguém que eu via todos os dias no pátio, indo pegar algum documento, alguma assinatura de estágio. Não que eu fosse falar com a pessoa, ou dar ao menos um sorrisinho de canto de boca, porque eu sempre fui antipática e nunca vou mudar, mas só pra ter aquela sensação de: “poxa, eu me lembro desse cara”.

Tudo acaba um dia, absolutamente tudo. Estamos num mundo finito; Onde as coisas tem princípio, meio e, evidentemente, fim.

Como já disse, passei ali 4 anos da minha vida, e se me perguntarem se sinto saudades, titubearia na resposta. Porque eu não sinto saudades da escola, eu sinto saudades do tempo da escola. Vamos combinar, escola é uma coisa muito chata, tudo tem regras, você tem que estudar pra coisas que você detesta, tem que fazer educação física mesmo com vergonha de usar aqueles shorts que te deixam com “algo” mais avantajado na frente daqueles pivetes tarados e insuportáveis, sua turma é um saco, e especialmente a minha escola era um saco. Mas o tempo da escola, em que mesmo acordando cedo eu podia chegar em casa, almoçar e dormir a tarde toda, não precisava pagar minhas contas, disso eu sinto falta. Meu único dever era estudar pra passar na prova, e mais nada.

Será que precisamos de um propósito de vida hein? Se tudo vai acabar..

E um dia a vida acaba.

Surge uma ansiedade, uma tristeza, uma preocupação. É ok. Vem uma alegria, um riso, um entusiasmo. É ok.

Agora chove, depois não chove. Agora tenho dinheiro, depois não tenho (nunca tenho). Agora vivo na casa dos meus pais, depois volto a morar só. Agora eu tenho um amor, com todos os mimos e toda a felicidade que jamais tive na vida, depois não tenho mais.

Tudo que eu escrevi agora foi um monte de bosta? É, foi. Não sai nada que preste da minha cabeça. Talvez eu só quisesse encontrar alguém conhecido passando pela antiga escola, pra lembrar de um tempo sem preocupações. Os sons que chegam até você, as pessoas que passam por você. Isso é a vida que acaba agora. E agora.

Eu vivo o tempo todo com medo, sabe, mas eu não me considero covarde. Ter medo é normal, estranho seria se você não tivesse medo de nada. Acho que covardia seria ter medo e reprimir-se. E eu já fui assim um dia. Hoje eu tenho medo das minhas decisões, mas uma hora ou outra eu tenho que tomar alguma. E sabe aquela coisa de “escuta seu coração”? Eu não sei bem como se escuta o coração, mas creio que seja a escolha que mais te dá calafrio e ao mesmo tempo felicidade. As pessoas não entendem que eu só quero ser feliz, o tempo todo, agora, sem essa de “ahhh mas um dia vc vai ser muito felizzz”. Não, eu quero ser feliz agora. E talvez eu esteja errada, mas acho que eu só saberia se tentasse, e coragem de tentar é o que não me falta. A vida deveria ser menos complicada. As dores da alma e do coração deveriam passar com o sono, você dorme e pronto, acorda bem melhor. Mas não é assim, tem dias que a angústia toma conta de você e você não consegue trabalhar, não tem vontade de comer, de sair de casa. E eu só sei que isso não é nada bom.

Tenho pensado em sentimentos e liberdades. A gente finge que sim, mas sentimentos não conhecem fronteiras. Eles não escolhem seguir os caminhos mais seguros e convenientes. O ego quer torna-los concretos, mas sentimentos são pura abstração. Pensamos que ao definir um sentimento poderemos controlá-lo. E queremos controlar os sentimentos, pois, temos medo que eles demonstrem as nossas fraquezas e vulnerabilidades e sejam maiores que nós.

E eu só espero que passe, de um jeito ou de outro, com o tempo ou com decisões que vão contra tudo o que você pensa. Porque pode ser que um dia essas dores passem, mas enquanto elas duram, é um pesadelo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Um dia...

Hoje quando estava saindo de casa pra ir trabalhar, esqueci o lanche que levo, já que ainda é muito cedo pra tomar café da manhã. Quando chego no ponto de ônibus, recebo uma ligação da minha mãe me dizendo que havia esquecido o lanche em casa, mas como já estava longe, preferi deixar pra lá e não leva nada. Ok. Tudo certo. Quando entro no ônibus, e sento numa poltrona azul, mas já chegando no cinza de tão suja, ouço alguém me chamar na porta do ônibus: "Sahara", meu Deus, ninguém me chama de Sahara. Era minha mãe, com o lanche na mão pra me entregar, com cara de sono, entrou no ônibus e me entregou. Me senti como se ainda estivesse no primário. Mas na verdade não fiquei constrangida ou coisa parecida, achei a coisa mais linda do munto, e fiquei até meio chorosa sim, pra quê negar, eu sou sentimental vai, dá um desconto. O fato é que coisas pequenas assim, te mostram como as pessoas se preocupam com você e querem te cuidar bem a todo custo, isso me fazia muita falta. Casa de mãe é o melhor lugar do mundo, mesmo quando você se acostuma a viver sozinha.

A vida é difícil, gente, a vida tá só esperando o momento em que você abaixar pra pegar algo no chão (quem sabe sua auto estima) e te enrabar. Você só tem que ter coragem, não ser molenga e desistir no primeiro obstáculo, entende? Se fosse fácil, não se chamava "vida" se chamava "engordar".

Brincar de gangorra sem balanço não tem muita graça. Um lado vai para baixo para erguer o outro, mas que de tão leve e nas nuvens não desce para que o outro se erga um pouco e descanse as pernas. Então esse um fica eternamente embaixo, olhando para cima, enquanto o de cima olha para copa das árvores, para os pássaros, quase se esquece do que do que está embaixo. Mas quando finalmente olha para ele o vê pequenininho lá embaixo, agachado, curvado.. uma criaturazinha medíocre qualquer. Ele esquece que foi sua força para baixo que o elevou até lá em cima. Com o tempo os músculos atrofiados não conseguem dar impulso e jogar o que está embaixo para cima, e o que está em cima para baixo.

As coisas deveriam ter princípio, meio e fim. Assim como não consigo entender o eterno, não consigo entender algo que o fim chega na metade do princípio, anulando qualquer possibilidade do meio. É a mesma frustração de querer formar uma palavra, se você ainda nem conhece o alfabeto direito. Fora da sua compreensão, completamente inútil. Frustrante.

A culpa é minha. O tropeço não acontece porque o buraco estava lá, o tropeço acontece porque o buraco estava lá mas você não viu.

Sabe, frio, medo e tristeza, passam. Dor também passa. Até amor que foi embora passa. Só não passa a vontade de de fazer tudo novo de novo. O impacto de uma mudança brusca é arrasador, mas aaaah meu amigo, a vontade de provar as coisas novas, ou as velhas que há muito tempo já não se provava, é maior ainda.

Poderia fazer um manual de como se sentir melhor que um saco de lixo, e amigos e familiares podem ser bem divertidos e acolhedores, tipo seu pai que te chama pra tomar uma cervejinha com "o papito", e você se acaba de tanto rir. Mas meu tempo é curto.

Um dia tudo passa, e como me disse, a moça da limpeza de onde trabalho, que me deu uns conselhos e fiquei me sentindo naqueles filmes americanos em que sempre tem um zelador sábio, quando algo tem que acontecer, acontece, e há coisas que servem pra te libertar.

Adeus.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Quando não fazer planos é a melhor escolha

Ano passado publiquei um texto aqui neste blog para mim mesma. Uma mensagem para que eu pudesse reler em 2018, e ver o que teria mudado em minha vida, se tivesse ido morar em Natal, ou se não tivesse ido. Nesse mais de um ano, muita coisa mudou na minha vida, algumas coisas saíram como o planejado, outras me surpreenderam, algumas começaram conforme meus planos, mas depois desandaram de vez. É certo que nada na vida tem roteiro, caminho é caminho. Ali na frente tem um barranco, mas tudo bem.

Acabei me encontrando na História, me descobri como pessoa e entendi o mundo em que vivia. Estudar essa disciplina me fez entender porque minha mãe não me deixava lavar a cabeça estando menstruada.

Em nenhum momento da minha vida eu imaginei que fosse, um dia, cursar História.

Uma conhecida minha, tinha um plano desde criança: estudar, trabalhar, ser rica, namorar com um cara super lindo, casar e ter 2 filhos. Com o passar do tempo todos esses planos mudaram. Ela queria estudar, se formar, ter dinheiro o suficiente pra viajar o mundo todo, se não o mundo todo, pelo menos conhecer a Espanha e o México, e conhecer um cara diferente em todos os lugares (ainn piranhaaaa). Depois ela só queria terminar a graduação, ter algo para se manter sozinha, sem ninguém pra atrapalhar sua liberdade. Então ela aprendeu que nem sempre se deve fazer planos. A vida fica muito confusa, às vezes, ela se frustrava cada vez que nada do que ela planejou acontecia, mas se surpreendia quando algo que ela nunca tinha planejado acontecia.

Minha vida deu uma nova guinada, após tantas, dirão vocês. A partir da semana que vem, inauguro uma nova fase. Vou lá, cortar a fita vermelha e inaugurá-la. Vão estar presentes o prefeito e várias autoridades da cidade, inclusive as inimigas que querem o meu mal e vão torcer pra tudo dar errado, inclusive um irmão desprezível, mas também terão os que vão torcer pela minha felicidade. Lá ficará decidido que vou pensar mais na minha felicidade, e, tendo isso em mente, me afastar das pessoas que não estão dispostas a me apoiar na minha longa, ou talvez breve (é bom sonhar), jornada (olha lá ela fazendo planos de novo).

Enquanto a vida corre, é que descobrimos nossos erros e acertos, mesmo que nada dure para sempre, a vida continua, e a cada passagem da vida, não somos mais os mesmos. Estamos sempre nos reinventando.


Se nada der certo, boto o rabo entre as pernas e tento outra coisa, sem planos, sem expectativas, só seguindo. Esse é o meu plano.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Vão-se o anéis, ficam-se os dedos...

Eu nunca entendi bem esse ditado, e sempre tive dúvidas se o certo era “vão-se os anéis, ficam-se os dedos” ou “vão-se os dedos, ficam os anéis” mas, melhor que se vão os anéis e que fiquem os dedos, né? Já pensou se os dedos se fossem? Onde eu colocaria os anéis? Se bem que nem gosto muito de anel. Então nada disso faz sentido, foda-se.

Pensei no título, por conta de todo esse “bafafá” com o casal mais lindo e feliz deste planeta chamado Terra, Gisela Bintian diva destruidora brasileira humilde riquíssima e Tom Brady



“Bafafá”, essa palavra deve estar na lista das 5 palavras mais maneras que eu conheço, são elas:

1- Tabaco (pelo duplo sentido na minha cabeça sim)
2- Lambisgoia
3- Bafafá
4- Sirigaita
5- Gaiato

Enfim, eu não preciso explicar o que aconteceu né? Mas se você não sabe, pesquisa no google, por favor, tô com preguiça de explicar.

Olha gente, não tô aqui pra falar de vida de famoso (já tá falando sua estúpida), só queria fazer umas análises. Parece meio idiota a gente “se doer” por algo que acontece com esses famosos tão intocáveis né? Mas é que tem aqueles casais perfeitos, que você acha que vão ser felizes pra sempre, que nunca vai dar merda, que até lá na sua cabeça de adolescente nos contos de fadas te dá uma esperança de que existe um relacionamento perfeito, aí “boom”, dá merda do mesmo jeito. Acredito que sim, isso meio que me fez perder um pouco a fé na humanidade, que já andava lá meio abalada depois que vi uma pesquisa sobre em quem os brasileiros votariam para presidente na próxima eleição e o Bolsonaro tava em primeiro lugar. É que pensando por uma linha de raciocínio mais pessimista, ou até realista, se a até a Gisele Bündchen, a GISELE BÜNDCHEN, diva poderosíssima, maravilhosa, top número 1 do mundo, riquíssima, cabelo parece ouro do tanto que brilha e ainda voa quando o vento bate, foi (supostamente) traída, o que será de nós meras mortais que compramos uma base da mary kay chorando por causa do preço. Vão me criticar porque tô julgando uma atitude assim, pela beleza dela? Julguem. Até porque nem seria só pela beleza, mas é que ela é a Gisele Bündchen, sabe? Eu se casasse com uma mulher dessa, fazia um altar pra ela e me ajoelhava toda noite antes de dormir. Mas vamos lá, com toda história, pra quem vai a culpa de tudo isso mesmo????? Mas, é claro que vai pra babá piranha ladra de marido, e também, por que não, pra própria Gisele? Quem manda contratar uma babá gostosa e colocar dentro de casa né, gente? O marido, tão indefeso, pobre coitado, não teve como se livrar das garras da babá predadora. PUTAAA MERDAAAAAA ISSO ME DEIXA MUITO DESGRAÇADA DA CABEÇA, principalmente se quem fala isso é uma mulher.

Claro que isso não é um caso isolado, é sempre comum numa traição, a culpa ser sempre da mulher, que é uma piranha, ou que não deu “assistência” no casamento. Esse tipo de atitude tá intimamente associada a essas nossas malditas raízes patriarcais. Parece que vocês não vão evoluir nunca. Hoje, falamos abertamente de sexo, fazemos nossas escolhas, temos direito a ter uma vida social independente, queremos ter sucesso em nossas carreiras. Mas, pagamos um preço alto por isso. Somos sempre julgadas por nosso comportamento. Outro dia li um texto que dizia “não importa o que você faça, em algum momento de sua vida, você será chamada de piranha, vagabunda ou coisa do gênero”. E é verdade. Todos estão sempre prontos a nos julgar com severidade. “Foi promovida? Só pode ter ‘dado’ para alguém. Foi agredida? Alguma coisa fez para merecer isso. Está reclamando por ser assediada? Quer aparecer, isso sim. O marido a traiu? Foi burra, não cuidou dele como se deve. É infeliz no amor? Também, rodada com é. Não quis sair comigo? Reprimida. Sapatão. Interesseira, só sai com cara rico”. Diante disso vocês ainda acham que é só mimimi de feminista? Não, gente. Ninguém, em momento algum falou sobre a culpa do jogador na história (se é que realmente aconteceu, mas se bem que acho que foi bem verdade). A babá teve sua parcela de culpa? Pode ter tido sim. Mas o maior culpado de tudo foi quem fez um juramento, quem tinha a “obrigação” de ser fiel, ou tô errada? A traição veio dele, não dela, mas ela é a vagabunda da história. E é lógico que a gente precisa desse “mimimi” femista sim, se não quem fala pela gente? O pessoal machista que faz uma manchete “a babá que está acabando com os casamentos de hollywood” ao invés de “o que porraaa tá acontecendo com esses macho de holywood caralho”?

Vivemos dias de muita violência contra as mulheres. Talvez, porque estamos tentando dar mais um passo em direção da autonomia. A reação pode se manifestar fisicamente, com tapas, surras, estupros, ou mais sutil, sob a forma da desqualificação, da difamação, da humilhação. Não sei se nossa situação atual é tão mais confortável que das nossas avós e bisavós. Caminhamos muito, é verdade, mas ainda falta um longo e difícil caminho a percorrer.

Não é tão difícil assim raciocinar, gente, pensa bem, por que diva Gisele carregaria essa culpa? Vocês sabem como é ridículo vocês dizendo “isso que dá contratar uma babá bonita”? Quando ela deveria sim, ter confiança no cara que ela casou porra? Porque a culpa seria da babá se, com certeza, ela não o obrigou a fazer nada? Com certeza ela não amarrou as mãos dele e se aproveitou. Até porque, acho um pouco difícil ela ser mais forte fisicamente que ele, porque, vejamos, não somos nós que diversas vezes nos aproveitamos da nossa força física pra impor uma situação desagradável né? Rsrsrs

Enfim, isso me deixou muito puta da cabeça, mas outra coisa que pensei sobre isso, foi sobre a repercussão que o caso teve. Você imagina o quão o humilhante é ser traída? Beleza que ela é riquíssima e pode curar a dor de corno secando as lágrimas em Paris, enquanto a gente ficaria chorando as pitangas no whatsapp com as miga e vendo foto do cara com a outra no instagram. Mas ainda assim, imagina como deve ser extremamente humilhante você ser traída e isso virar notícia mundial? As “polêmicas” envolvendo celebridades são as notícias que mais atraem atenção, apesar dos grandes problemas que a humanidade enfrenta. E as pessoas respondem enlouquecidamente a esses estímulos: defendem ou atacam o comportamento dos famosos, acompanham cada passo de suas vidas, ficam indignados com as críticas. Eu acho que esse é um dos lados obscuros da fama. Eu gostaria de chorar minhas dores quietinha, sem ninguém ficar sabendo.

Será que, realmente, não existe um relacionamento perfeito? Porque depois dessa tô até com medo de aparecer a notícia, “Rodrigo Hilbert trai Fernanda Lima, veja fotos.” Aí sim, minha fé em relacionamentos (e maridos) perfeitos estaria destruída. Será que a gente nunca vai parar de sempre culpar a mulher pelas ações errôneas dos homens? Como diria outra diva destruidora, Valesca Popozuda, “a b... tem poder”. Mas, queremos mais. Eu tenho esperanças, de que um dia nossa sociedade comece a realmente viver no século XXI, e deixe as raízes coloniais pra trás.




domingo, 2 de agosto de 2015

Só queria reclamar que...



Vocês já perceberam que só faltam quatro meses pro ano acabar? 2015 tá passando muito rápido, por isso não consigo dar conta das coisas que tenho que fazer todos os dias. Alguém no facebook já fez a piada de que “agosto é o mês do desgosto”? Porque eles não perdem tempo srrsrsrsr. Hoje é um daqueles domingos de muita bad, em que eu só quero ficar sozinha no meu quarto, ouvindo R.E.M, tomando Nescau, sem ninguém me incomodando, pensando em como eu sou otária/troxa/burra.

O que eu fiz no primeiro dia do mês? Vejamos. Briguei com meu namorado, deixei meu gato ficar lambendo meu pé porque fazia uma cócega gostosa, saí com uns amigos a noite pra um bar onde posso encontrar todas as pessoas da faculdade, saí pra outro bar que todo mundo paga pau, mas achei bem do ruim, e por incrível que pareça fui cortejada por algumas pessoas, que coincidentemente elogiaram meu belo sorriso. Acho que é esse o efeito que o álcool causa nas pessoas. Um exemplo é que quando meu namorado me pediu em namoro estava bêbado. Acho que ele fica bêbado todos os dias pra poder namorar comigo durante esse quase um ano. Porque como seria possível alguém se interessar pela minha pessoa estando em sã consciência não é mesmo, migos?

Sou uma pessoa assustada, com complexo de inferioridade e com um nariz horroroso. Tenho medo de algumas pessoas. Não tenho assistido televisão. Ando distraída pensando na morte da bezerra, ou perdendo a atenção pra observar o que as pessoas estão fazendo na rua, não é atoa que todos os dias, quando desço do ônibus pra ir pro estágio, eu tropeço na mesma pedra, que fica sempre na mesma calçada pela qual eu passo TODOS OS FODIDOS DIAS DA SEMANA. Não tenho noção de localização.

Quando vim morar em Maceió tive que sair da academia, o que foi uma tristeza, pois, já tinha ouvido do meu instrutor que já estava tendo resultados. E por incrível que pareça, eu gostava de malhar.  Não tenho mais dinheiro ou tempo para a academia, mas tudo bem, pois passou a vontade de levantar da cama e ir; me acomodei; uma pena, visto que, segundo alguns amigos da família, emagreci, e estou “magra demais, muito feia e estranha”.

O chuveiro aqui de casa está com defeito, não consigo lavar o cabelo porque a água sai muito fraca. Se alguém me encontrar na rua e ver que meu cabelo está mais oleoso que a cara de um adolescente de 15 anos cheio espinha, saibam que são problemas domésticos.

“Luiza, se você tivesse condições financeiras, onde você estaria agora?” Em algum país de língua espanhola, com certeza.

“Essa geração não quer trabalhar. Ganharam tudo dos pais”. Quando alguém me diz uma coisa dessas, lembro dos dois meses que trabalhei em uma empresa com um chefe burro e ignorante do caralho, que queria saber mais do que todo mundo e não sabia de porra nenhuma, que humilhava os funcionários, e que me demitiu porque precisei ir ao médico.

Vamos dizer que ela “não aguentou o tranco, pobrezinha, muito mimada”. Já dizia Cidade Negra, você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui, querida. Inclusive, hoje, estou disposta até a fazer faxina. Inclusive adoro Cify cremoso, passo sempre no fogão aqui de casa

Fico quatro horas do meu dia no estágio e quando não estou lá, penso em formas de ganhar mais dinheiro. Algo me fez ser ambiciosa, quero ganhar o Nobel. Ou apenas arrumar mais um emprego. Nunca fui livre. Sempre dependi de alguém. Sempre precisei dar explicações, dizer onde estou, com quem estou e até que horas vou ficar. Hoje, pela primeira vez, posso fazer o que eu quiser, a qualquer momento. Desde que não dependa de dinheiro, porque isso é algo que eu realmente não tenho.

Pra finalizar, só queria dizer como eu odeio ir ao centro de Maceió e ter que andar naquela calçada dos pontos de ônibus, fico feito barata tonta e as véia não saem da minha frente, sempre tem alguém entregando panfleto de exame de vista grátis, e quando os ônibus chegam é uma babilônia infernal. Obrigada.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

A minha vitória hoje tem sabor de mel

Se eu chegasse falando pras pessoas da minha família (mais precisamente minhas tias bruxas) que eu aprendi a fazer sopa, provavelmente, eles ririam e não acreditariam. Se eu contasse que no dia dos namorados eu fiz um escondidinho de frango que ficou bem do gostoso, a maioria também duvidaria. Imagina se eu contar que saio de casa pra pagar meu aluguel, a conta de luz, e fazer minhas próprias compras. Estive esses dias no interior, e lembrei como é bom ter que ir pagar algo no banco e pedir pro meu pai ou meu irmão irem por mim. Eu me sinto orgulhosa de estar sozinha, fazer minhas próprias coisas, mas não tem nada melhor do que estar na casa dos seus pais sendo tratado tão bem, é um lar, e todo mundo quer ter um lar.

Talvez eu ainda faça tanta questão de estar longe e tendo mais dificuldades, pra mostrar que eu ainda posso crescer mais, que eu consigo me virar sozinha, e que não sou tão inútil como pareço. Prova disso, é que qualquer feito que eu realize, eu preciso ligar pra minha mãe e dizer que eu consegui fazer, ou qualquer dúvida, por mínima que seja, como a quantidade de sal que eu tenho que colocar no arroz, eu tenho que ligar pra perguntar, até porque eu sei que isso também a deixa satisfeita, saber que mesmo longe, eu sempre vou precisar dela, pra qualquer coisa que seja. Pra minha sorte ela é incansavelmente maternal.

É como se cada vez que eu fico orgulhosa de mim, tenho que mostrar meu feito pra minha mãe como eu fazia quando era criança. Como quando eu pulava corda na rua e fazia o “um homem bateu em minha porta...” sem errar nenhuma vez, e gritava: “Olha, mãe” ela nunca deu muito valor, na verdade, mas eu sempre queria mostrar.

Não sei explicar, eu gosto de ter minha privacidade, apesar de morar com mais pessoas, não é como ter os pais por perto, a sensação de liberdade é ótima, sair sem ter hora pra voltar, sem avisar toda hora onde está, lavar roupa de madrugada, comer em cima da cama. Mas sempre que eu volto lá, tenho uma sensação tão gostosa de aconchego, é indescritível, se bem que isso acaba logo quando minha mãe já começa o dia gritando horrores comigo porque me atrasei pra ir ao médico e a gente briga como quase sempre quando a gente tá perto uma da outra. Coisas da vida.

Falando em médico, semana passada fui me consultar com uma médica super gente boa, que até me contou umas histórias da bíblia no consultório, sem eu ter perguntando caralho nenhum, como a de Sarah, porque, segundo ela, era igual ao meu nome, Sarah, ainda segundo ela, era “submissa, meiga, e terna, como todo esposo quer”, daí percebi que de parecido só o nome mesmo né mores. A mulher era evangélica (entende-se como louca), e ficou me dando um monte de conselho escroto que eu nem tinha pedido. Ela ter me perguntando “como arranja tempo pra trepar?” até aí achei engraçadão, mas quando começou os “sexo antes do casamento é pecado” fiquei um pouco, talvez, bastante irritada.

É foda ver que as pessoas se deixam chegar a esse ponto de querer interferir na vida dos outros, doutrinar alguém que mal conhece, julgar erroneamente, ainda mais um paciente. Foi algo que me deixou constrangida e me inibiu de falar qualquer outra coisa que tivesse que ter sido dita. Nessas horas é que eu também sinto falta do tempo em que minha mãe entrava no consultório comigo e ela que dizia o que eu tava sentindo. Queria só ver aquela vadia abrir o bico com minha mãe master do deboche e do estresse sambando na cara dela. Pois eu, não tenho saco pra isso.

Vocês sabiam que esse negócio de chip é sinistro? Marca da besta. E coisa. E tal. Porque quando estive no interior, e tava super de boas na sala vendo tv, ouvi uma conversa da vizinha:

"- Mulher, você assistiu o fantástico ontem?
- Assisti sim! Presepada aquele negócio de chip...
- É... Na bíblia, em apocalipse, tem falando do chip."

Eu se fosse vocês, tomaria bem cuidado. Chip na mão, fim do mundo!!! Logo depois, o demônio resolveu baixar no corpo de uma mulher em um culto que tava tendo na casa de outra vizinha. Se isso não é um sinal, eu não sei o que mais poderia ser (além de uma puta palhaçada).

Quando estava vindo pro estágio hoje, no ônibus que eu estava, que inclusive, estava bem lotado, vinha alguém com aquelas caixinhas de som, ouvindo música gospel na maior altura, nem o volume topado dos meus fones de ouvido me impediam de não escutar aquela merda. Creio que ônibus lotado é o lugar onde você consegue sentir mais raiva e mais amor pelas pessoas. Tipo aquela pessoa que mesmo quando já está segurando a bolsa de alguém, pede a bolsa de outras pessoas que estão no sufoco também. Eu sinto muito amor por essas pessoas. Tipo aquelas pessoas que empurram você mesmo que sem querer e ainda pedem desculpas. Tipo aqueles também, que sentam no lugar preferencial e o cedem pra quem precisa. Mas se tem algo que me faz ter ódio da humanidade é gente que não tira a mochila cheia das costas e fica atrapalhando tudo, e com isso também, gente que vê que tem alguém com uma mochila pesada nas costas e não pede pra segurar. Assim como aqueles caras que batem o cotovelo no seu peito e olham com cara de "rsrsrsr bati de propósito". É muito egoísmo ver que tem alguém em pé, em um ônibus lotado pra caralho, com uma bolsa/mochila/caderno na mão, e você que está sentadinho de boa não pedir pra segurar. Eu tenho vontade de te dar uns tapa bem no meio das fuça. Sobre a pessoa ouvindo música gospel, nem é pelo fato de ser música gospel (tá, pode ter influenciado), mas é que, caralho, em um ônibus com mais de 50 pessoas, ninguém tem o mesmo gosto musical, algumas querem dormir, algumas só querem ficar em paz sem ouvir “a minha vitória hoje tem sabor de mel, tem sabor de mel, tem sabor de mel”. Sem falar que com essas pessoas, tem aqueles que acham que tá tudo certo só porque o cara tá ouvindo “música de deus”. “Pelo menos não é musica do mundo, ainda tem quem ache ruim, quem não tem deus no coração vai sofrer é muito, escute o que eu tô dizendo”. Foi isso que eu ouvi hoje. E fiz minha famosa cara de cu de quem quer que você se foda, porque isso me deixa bem, mesmo que não resulte em nada. Para de querer sempre que os outros sigam aquilo que vocês acreditam à todo custo velho, existe uma coisinha chamada “respeito”, que se você tiver pelo menos um pouquinho pelas outras pessoas, você consegue parar de querer enfiar goela abaixo suas convicções religiosas aos outros, consegue com que as pessoas não tenham vontade de te matar no ônibus, consegue ficar bem de boa mesmo.

Como eu comecei falando da minha mãe e acabei nisso? Coisas que não se explicam. Só queria falar da minha indignação com a falta de educação das pessoas. Com o egoísmo das pessoas. E com o fato de eu ter que acordar cedo e pegar ônibus lotado todo dia. Porque essa vida de proletariado oprimido não é fácil. Mas um dia eu sei que minha vitória vai ter sabor de mel sim, e quem sabe ter uns contato com essa cantora e dizer que essa música dela é horrorosa. Teje dito.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Vontade de ir à praia. Já passou.

Depois de dias de chuva intensa, o sol resolveu aparecer por dois dias seguidos aqui pelas bandas da capital alagoana. Se eu gosto? Prefiro mil vezes um dia “feio” e nublado, acho que combina mais com meu espírito de tristeza e derrota rsrs. Mas um dia teria que fazer sol pras minhas roupas e meus sapatos poderem secar. Tá, se é por isso então, tá de boa.

Tô aqui procurando foto de padre, e pensando: “Poxa, esse sol massa tá pedindo uma praia hoje.” E não acreditei que esse pensamento estivesse vindo de mim. Minha professora chegou aqui no arquivo com o namorado e eu pensei: “caralho, que gato”. E sim, esse pensamento poderia ter vindo de mim.

Na verdade eu aprendi a gostar um pouco mais de praia durante os últimos anos. Mentira, não aprendi não. Tomar banho de mar é bom, mas é ruim ao mesmo tempo, não consigo explicar direito. Não gosto de ficar queimada do sol, então por isso não deveria precisar esperar um dia ensolarado pra querer ir à praia. Mas vou tomar banho de mar num dia frio, pra ficar com mais frio? Ai, praia é um lugar muito complexo. Na verdade eu que sou doida. Me perdoem. Gosto de tomar banho de mar quando vou para o interior. É como se fosse um mar completamente diferente. E uma praia mais vazia, é claro.

Sobre ficar queimada do sol, odeio. Mas ando reconsiderando a ideia ultimamente só pra ficar com marca de biquíni, pois: o boy gosta. Mas eu não consigo encontrar a linha tênue entre ficar com uma marca de biquíni, e ficar parecendo o Ross errando o bronzeamento artificial 57 vezes em Friends no the one with the Ross tan


Meus gostos são todos voláteis, uma hora eu gosto, outra hora não gosto mais, uma hora eu quero outra não. Uma hora a vontade simplesmente acaba.

A Barbie que eu ganhava no dia das crianças, depois de 2 meses já não era tão legal assim. Em um ano meu celular vai ficar obsoleto.

Pessoas também são voláteis, pense nas pessoas que você conheceu no Ensino Médio. Com quantas você ainda mantêm contato? Eu mesma só com duas. Até existe um grupo no whatsapp, mas eu não interajo, porque, simplesmente, não me interessa. As únicas pessoas mais permanentes na nossa vida são as da família, infelizmente ou não. A família sempre está lá, por mais que ela não faça diferença, por mais que ela atrapalhe mais que ajude, por mais que você, assim como eu, chame ela de “aquela aglomeração de gente que grita”.

A memória também é mutável em condições normais, isso se você tiver a sorte de não ter Alzheimer.

No fundo, você é só um emaranhado de fins. Não há nada fixo que te sustente e te dê alguma identidade do começo ao fim, mesmo porque você já não é a mesma pessoa.

Eu ainda espero mudar muito de gostos, de vontades, de desejos, de esperanças. Eu só não espero, sinceramente, que meu namorado mude de gosto e me troque por outra rsrsrssrs.

E se alguém quiser me convidar pra ir a praia, me chama pra eu dizer que vou e na hora mudar de ideia e te dar um bolo. Obrigada.



sexta-feira, 3 de julho de 2015

"Calcinha Preta é o Iron Maiden do forró" - autor desconhecido


O sistema global de redes de computadores anda agitado esses dias. Brasil eliminado da Copa América, votação na Câmara a respeito da redução da maioridade penal, morte de cantor sertanejo, jornalista famoso sendo criticado por criticar, Camila Pitanga gente como a gente amigona de todo mundo no twitter, várias coisas maneras que essa rede maravilhosa das internet nos proporciona. Ontem, vi um texto falando sobre “preconceito musical” que me chamou atenção, pois vinha pensando sobre o assunto já há algum tempo. O texto tinha como base a crônica do Jornalista, Zeca Camargo, à respeito da comoção com a morte do cantor Cristiano Araújo e da namorada. Eu nem vi a declaração, apenas alguns trechos que foram postados, mas também nem é sobre isso que eu quero falar. O fato é que todo mundo tem preconceito com alguma coisa, existem os que dizem que não têm preconceito com nada, mas duvido um pouco dessa afirmação. Alguns dos preconceitos dos quais eu abomino são, preconceitos de gênero, de raça, de classes sociais, e o preconceito musical (deve ter mais, mas tô com preguiça de pensar).

Há diversos estilos musicais, pra diversos tipos de públicos, os quais possuem diversos gostos e preferências. Bom, eu gosto de todo tipo de música, eu acho. Mentira. Eu detesto swingueira, do fundo da minha alma. Mas num geral, eu não tenho um estilo de música preferido, não pertenço a nenhuma “tribo”, até já tentei ser emo gótica na infância, mas minha ousadia e alegria de brasileira não permitiu. Mas eu gosto desde Iron Maiden, até a diva poderosíssima Beyoncé, de AM até uns rock sangue de boi que meu namorado me mostra. Às vezes quando quero só ficar de boas boto uns (pelo amor de deus) Jorge e Matheus, bem de boa mesmo tô nem aí.

Mas o fato é que muitas pessoas se acham no direito de pensar que o seu estilo de música preferido é o melhor, é o correto, é o tipo de música de “pessoas superiores”. Assim, acham que podem discriminar os demais estilos de música e também as pessoas que gostam de outros tipos de música. Não é porque eu gosto de ficar de boa tomando umas cerveja ouvindo Belo (bem que podia acreditaaar te vejo e falta o arrrr) que eu sou menos inteligente que você.

“ainn não acredito que você gosta desse lixo massificado, alienada, eu sou infinitamente superior porque eu gosto de música culta mimimimim” mdssss eu não suporto esse tipo de gente. Eu queria encontrar com uma pessoa dessas e mandar meu namorado falar o que ele fala pra irritar os chatos da porra que bebem com a gente: “Calcinha Preta é o Iron Maiden do forró” HAHAHAHA

Eu acho que existem duas coisas que fazem isso ser disseminado. A questão financeira ou social. Como se pessoas ricas, ou de classes sociais mais altas, possuíssem gostos mais refinados que pessoas de classes sociais mais baixas. Por isso, suas escolhas musicais seriam as mais corretas, haja vista que julgam possuir uma “cultura superior”. Outra coisa seria o intelectual. Então, pessoas (que se acham) mais inteligentes possuiriam gostos mais refinados que os não tão inteligentes. Por isso, suas escolhas musicais seriam as mais corretas. Eles pensam saber como analisar o que é uma música de qualidade, e até que nível de qualidade a sociedade deveria aceitar.

Não é porque em casa eu gosto de ouvir uns Pink Floyd, que se chegar em uma festa e começar a tocar Na Batida da Anitta eu não vou levantar o dedo, dar um gritinho de loca e dançar fazendo uns passinhos iguais aos que ela faz no clipe (aaushahsahs ai deus lembro bem dessas festa da vida).

Eu tenho amigos (mentira, num tenho amigos) que gostam de Aviões do Forró e vão pro Villa Mix, e são muito inteligentes, muito mais  do que eu (o que não é lá muito difícil).

O mundo tá ficando muito chato. Quando as pessoas pararem de se achar mais inteligentes pelo seu gosto musical, os chatos, como eu, podem parar de escrever sobre isso.

Obrigada.

Não há de quê. ~Não gostaria de entrar e tomar uma xícara de café? srsrsr~

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Queimar batata, dar presente de dia dos namorados e o maior ensinamento do amigão J.C


Ando fazendo vários nadas nesse período de greve da federal? Claro que não. Pois tenho uma casa pra arrumar, contas pra pagar e comida e sabão em pó pra comprar, inclusive, horrorizada com esses preços absurdos, é um absurdo você gastar quase 100 reais comprando quase nada. Terça tive que “almoçar” dentro do ônibus indo pra casa, pois, a fome tava demais e o tempo de menos, sujei a boca toda de queijo e a veia do meu lado ficou me olhando? Sim. Mas o desprezo seria a arma mais cruel que eu poderia usar naquele momento. Sigo tentando ser uma boa dona de casa, falhando em alguns aspectos? Sim, por que não? Esses dias quase pus fogo na casa, pois esqueci que tinha posto uma batata pra cozinhar pra tomar café no outro dia de manhã antes de ir pro estágio. Senti o cheiro de queimado? Sim, mas pensei que fosse na casa do vizinho. Perdi a panela, que derreteu, e ainda saí de casa no outro dia sem comer nada, pois perdi o ânimo e a vontade de viver (de cozinhar de novo). Pensei que saindo da casa da minha mãe fosse emagrecer, mas tô gorda igual uma porca, poderia ser por causa do meu namorado que leva dois litros de sorvete pra minha casa quando tô de TPM e a gente acaba com tudo em dois dias, mas não vou jogar a culpa nele. Queria arrumar outro emprego pela parte da tarde ou noite, pra ganhar mais dinheiro já que a faculdade tá de greve, faço parte dessa geração que ninguém para de falar sobre, eu mesma não paro de falar nela, vamos falar nela, vamos falar nela, vamos falar nela, vamos nela, vamos falar nela, vamos falar nela, vamos falar nela, e somos ambiciosos, queremos fama, fortuna e glória. Minha história é outra. Aliás, amo a minha história. Uma menina tão inocente do interior que vem para a cidade grande realizar os seus sonhos e os realiza parcialmente após quase morrer de tanto tentar (HAHAHAHA parei).

Amanhã é dia dos namorados, os shoppings e a propaganda do boticário não te deixam esquecer isso. Inclusive, “nosssaaas que polêmica essa do boticário hein”. Tô atrasada? Tô. Queria dar minha opinião? No facebook é claro que não. O roteiro é bem tradicional né? Pessoas bonitas (isso que deveria ser notado, gente, bota uma galera mais “normal” pra fazer esses comerciais, alguém tipo eu conformada com a aparência que esse deus me deu), felizes e bem sucedidas entram em uma loja da marca pra escolher presentes pra seus parceiros. Depois, encontram-se com eles pra entregar o mimo, tudo isso, em meio a sorrisos, beijos, abraços e demonstrações de carinho.  Cara, eles acertaram em cheio no que se refere ao marketing, criando uma campanha voltada a um público cada vez mais significativo em termos de poder de compra, e ainda mostra como uma parcela dos brasileiros ainda é preconceituosa e intolerante. O mais interessante é que a homossexualidade está longe de ser uma novidade. Antes da greve, eu vinha fazendo uma pesquisa justamente sobre esses casos no período colonial brasileiro, e esse assunto me instigou muito. Na visão dos missionários e cronistas europeus, os índios apresentavam sexualidade tão devassa que só podiam mesmo ser escravos do Diabo: nus, polígamos, incestuosos, sodomitas. No Maranhão, pra “purificar a terra de suas maldades”, os frades determinaram a procura e captura dos homossexuais, conseguindo prender um deles. A execução foi terrível. Amarraram o coitado pela cintura à boca do canhão, e a bala “dividiu o corpo em duas porções, caindo uma ao pé da muralha, e outra no mar, onde nunca mais foi encontrada.” Acho que esse foi considerado o primeiro crime homofóbico aqui no Brasil. Mas o que é mais interessante, é saber que essa repressão não conseguiu terminar com esses relacionamentos. A Inquisição perseguia aqueles que praticavam a sodomia, também conhecida como “abominável pecado nefando”.

E as mulheres que amavam mulheres? Na verdade, encontrei pouca coisa sobre. Acho que esse comportamento era difícil de ser distinguido das práticas do cotidiano feminino da Colônia. No século XIX, o homossexual não era mais um pecador, mas um doente, a quem era preciso tratar. No século XX, as coisas não mudariam muito, e os homossexuais tiveram que viver seus amores nas sombras, pelo menos até os anos 60. Não faltaram tratamentos médico-pedagógicos que eram sugeridos, junto com a religião. Agora que estamos no século XXI, parece que voltamos ao passado. Há pouco tempo, um beijo entre duas atrizes na novela das nove se tornou um escândalo, enquanto cenas de violência e sexo heterossexual já se tornaram banais em qualquer programa de televisão. Os ataques aos homossexuais estão se tornando cada vez mais frequentes, e o casamento entre pessoas do mesmo sexo ainda enfrenta forte resistência. E alguns se desesperam anunciando o fim da “família tradicional”.

Quis dar uma de historiadora que tá começando o curso agora e amando? Sim, mas quando comecei a procurar mais coisas sobre esse assunto, comecei a procurar mais e mais e não consegui parar, realmente me interessou e é show de bolas rsrs, quando se estuda a História, você observa que as famílias tiveram formações variadas e nem sempre seguiram o modelo considerado ideal pela Igreja. E a homossexualidade esteve presente, nas mais diferentes culturas e épocas. Na boa, eu acho que existem problemas mais sérios pra nos preocuparmos que um simples comercial de TV. Em um cenário com tanta violência doméstica e sexual, criminalidade, educação precária, acho que essa mobilização deveria ser pra cultivar a solidariedade e o amor (que aquele cara lá do cabelo liso e olho azul, e não tô falando do Thiago Lacerda, tanto pregou e tal), em vez de atacar o modo de vida das outras pessoas. É só o que todo mundo precisa e quer (espero), minto, eu queria muito um cachorro... e depilação a laser. Tudo na internet morre de uma hora pra outra, se vocês me perdoarem por estar voltando a um assunto tão ultrapassado agradeceria muito.

Todo mundo vai ter um dia dos namorados bem massa e cabo, ganhei meu presente antecipado e dei (o presente rsrsr) antecipado também, o que não é nenhum pouco romântico, mas foda-se. Eu nunca passei um dia dos namorados namorando, mas também nunca fui dessas que fica reclamando porque não tinha um namorado no dia dos namorados, de boa, cada coisa tem seu momento (sem falar que ser solteiro também é bem massa), até porque eu vivia tendo diálogos dramáticos na cabeça onde eu lutava karatê e arrebentava a cara de todo mundo que já me fez mal, nem pensava tanto em se ia ter um namorado no dia dos namorados (ok, eu ainda faço isso, mas se vocês tentarem vão ver que é bem legal). Hoje eu tô feliz, é legal ter alguém pra compartilhar esses momentos, mas, mais do que sair pra jantar, ou reservar um motel, acho que é importante ter o olhar e o coração nos devidos lugares pra não esquecer que a data é uma grande brincadeira pra se aproveitar bons momentos com alguém legal, não se esquecer também que, se você tem uma pessoa ao seu lado e consegue levar essa relação de uma maneira saudável e benéfica, você é um grande privilegiado. Então, aproveitem, se puderem comprar presentes, comprem, vão a restaurantes, comam, sejam felizes.

¡Adiós chicos, y vivan para amar!

Minha professora de espanhol disse que eu falo espanhol “bonitinho”. Tenho muito amor por esse idioma. Amor mesmo. Culpa do Deus Supremo Silvio Santos por me impor novelas mexicanas desde que nasci? Talvez. Tá ficando irritante fazer essas perguntas no meio do texto e eu mesma responder? Tá Sim. Eu vou parar? Talvez. Adeus.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Primeira vez...!

Olá, amigos, tudo bem com vocês? Quê que ces andam fazendo hein? Não que seja da minha conta, é claro, nem que algum de vocês vá me responder, nem que eu me importe rsrs. Bom, eu tô no estágio, tenho estante pra arrumar, pesquisa pra fazer, apostila pra estudar, mas tô com preguiça ouvindo Secos & Molhados (como o natal finaaaal), comendo um pão de queijo bem delícia com um café bem massa, e pensando ainda no que eu vou fazer, então decidi escrever um pouco, pois, sdds, resolvi ainda começar assim porque não sabia como iniciar isso, bem verdade.

Mas quero relatar pra vocês na verdade, o que me ocorreu neste fim de semana, só espero que ninguem venha me atrapalhar pedindo "ainn procura pra mim o dia que fulanooo nasceu, por favor, moçaa". Título proposital porque sei que os malandrão vão pensar bobeira? Sim, isso é só buzines, galera, ok?

A primeira vez que eu beijei na boca foi um desastre, eu roía unha pra caralho e quando o menino veio me beijar eu tava com um pedaço de unha na boca, so sad. A primeira vez que viajei pra fora do estado, foi pro Rio de Janeiro. A primeira vez que fui a um show escondida dos meus pais, foi pra um show do Nando Reis em Arapiraca (pai, mãe, se vocês estão vendo isso, é mentira, isso aqui é só marketing). A primeira vez que chorei por causa de namorado, foi porque ele tinha me xingado nao meio da rua, coisas da vida galera, segui em frente. Mas quero falar pra vocês da primeira vez que fui a um enterro. A única vez que tinha visto uma pessoa morta na minha vida foi no início do ano passado, e não foi nada legal. Estava em Maceió, passando no ônibus e tinha uma criança morta no chão, um carro de Polícia, e como sempre os curiosos ao redor, e mais os curiosos do ônibus que levantaram pra olhar pela janela, e sinceramente, eu não entendo essa curiosidade. Meu reflexo só foi virar o rosto e sentir vontade de chorar, acho que não é nem questão de ter estômago pra essas coisas, e sim coração. Lembro que quando eu era criança, minha mãe fechava meus olhos com as mãos quando passava "Cenas Fortes" no Fique Alerta, imagina só ver uma "cena forte" do Fique Alerta pessoalmente. Vocês tem que me entender, sabe, eu choro vendo noticiário na TV, talvez precise de terapia.

Esse era pra ser mais um fim de semana normal, chegou a sexta-feira, e no fim do expediente eu iria pra casa, almoçar, tomar banho, e descansar esperando meu namorado sair do trabalho e ir me ver pra passarmos o fim de semana juntos, eu já não aguentava de tanta saudade, depois de duas semanas sem nos vermos. Dai recebo uma mensagem "minha avó morreu". Cara, me diz o que a gente tem que dizer nessas horas? Eu sou a pior pessoa do mundo pra consolar alguém, até porque nessas horas não adianta vir com "ainnn foi porque Deus quis" "chegou a hora dela", não, eu não iria falar essas coisas, o que eu poderia fazer seria estar com ele, nada mais. Me ofereci pra ir ao enterro, mesmo sem saber como me sentiria sendo tão fraca pra essas coisas e nunca ter ido em um. No sábado, então, eu estava lá em sua casa as 7:30, tomei café da manhã com todo mundo, e fiquei contente de ver que ninguém chorava, faziam até piadas, e estavam relembrando momentos, o que seria bem diferente mais tarde.

Assim que cheguei no velório e me deparei com a cena daquele caixão aberto e aquela mulher deitada lá fiquei estarrecida, deu um aperto no coração, fiquei com vontade de chorar, mas acho que não tinha esse direito, talvez seja coisa da minha cabeça, mas acho que o direito de esboçar sua dor ali seria dos familiares e das pessoas que eram próximas, eu a conhecia somente há 7 meses, tive medo de soar como algo falso, então me contive, mas olhando praquele caixão, mil coisas passavam pela minha cabeça, minha cunhada chorando, e meu namorado sem esboçar nenhuma reação. Não tentei me colocar no lugar de quem estava lá. Pelo menos naquele momento. Não consegui imaginar o que é perder alguém com quem vivi a vida toda. Só pensei que querer fugir desse encontro inevitável, que é a morte, ou ignorá-lo, além de inútil, não me parece ser a melhor opção. Sabe, eu também vou morrer, e nem sempre sou capaz de aceitar o óbvio. Na verdade, tão logo nascemos começamos a nos despedir desta vida. É como se estivéssemos no mesmo trem, mas em vagões diferentes. Um trem cujo destino é a morte. Na hora em que fecharam o caixão, minha cunhada começou a chorar desesperadamente, e eu só conseguia pensar "para de chorar pelo amor de deus, para de chorar, se não eu vou chorar também".

Além da questão do tempo, outro mistério que ronda a morte é a forma como ela acontecerá. Raul se perguntava a respeito, na música Canto para minha morte:

"Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa a bater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio..."

Já no cemitério, havia um pastor falando umas coisas das quais eu não concordava em grande maioria, aliás, se tem algo que eu gostaria de pedir a meus familiares, é que quando eu morrer não quero nenhum padre ou pastor falando essas coisas no meu enterro, e se ninguem respeitar meu pedido volto pra puxar no pé de todo mundo. Quero que alguém que realmente gostava de mim e se importava comigo estivesse la falando de mim, não só coisas boas, que falasse tudo mesmo.

Algo que eu ouvi muito foi que ninguem ali deveria chorar, puta merda, mas porquê? Se até eu que ali era uma intrusa fiquei com vontade, imagina as pessoas que tinham contato frequente. Fiquei perplexa ao ver que meu namorado não chorou em nenhum momento, até que chegou a hora do enterro, e vi que ele não aguentou, fiquei até aliviada, mas nessa hora não consegui ficar perto dele, não consegui ficar próximo e me afastei porque meu coração não aguenta essas coisas, fiquei olhando ele chorar de longe e me sentindo uma puta desalmada de não estar perto dele. Acho que isso das pessoas de se esforçarem pra não chorar, pra mostrar uma certa força só deixa o choro preso e acumulado, é sempre pior.

A vida segue seu rumo, impiedosa. Os dias continuam passando com 24h e o resto de sua vida caminha a passos largos, ainda que rápido você precisa dar um ritmo a tudo. A questão é que é impossível exigir que funcionemos como se nada tivesse acontecido. É impossível desvincular o emocional das nossas rotinas diarias. Se não, não teremos mais tempo pra chorar, então choraremos no caminho de algum lugar, ou enquanto executamos alguma atividade, ou ouvindo There Is a Light That Never Goes Out. O mundo não para, os segundos correm, o ritmo passa... Sinto falta de ter mais tempo, porque um dia nós é que vamos morrer... e a perda me fez pensar no quanto è importante se preocupar com o que você anda fazendo da sua vida... Eu queria poder ter mais tempo pra chorar, quería que meu namorado tivesse mais tempo e coragem pra chorar. Um dia seremos cada um de nós, deixando esse mundo. Mas enquanto eu estiver nele, espero fazer o melhor pra ser feliz e viver, dedicando meu tempo aquilo que me dá prazer,  sentar com meus amigos, ficar deitada vendo filme e comendo porcaria com o boy... Eu juro tentar.

Eu não conhecia muita gente ali, mas me compadeci com o sofrimento de todos, eu realmente espero ser mais forte em situações como essa. Ver o sofrimento dos outros, principalmente de pessoas importantes me deixa mexida, e eu fiquei muito mexida com tudo isso, talvez também porque nunca tenha tido uma grande perda na minha vida. Tentei ajudar da melhor forma, que era estando presente, e espero que todo o carinho que eu tenha dado nos dias seguintes tenha ao menos confortado.



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Tempo, tempo, tempo, tempo...

Não quero aqui fazer nenhum pedido ao tempo, nem dizer que ele é a cara o meu filho porque nem filho eu tenho (graças a Deus), nem discutir sobre quem é mais irritante cantando essa música, Caetano Você é Burro Cara Veloso ou Maria Bja Moça Gadú.

Na verdade eu nem sei o que eu quero, se dias mais longos pra ter tempo de fazer tudo o que eu deveria fazer, ou menos coisas pra fazer durante o dia.

Uma das coisas que mais sinto falta ultimamente: dormir. Eu não consigo dormir em coletivo, pois tenho muito medo de passar do ponto em que tenho que descer, mas essa semana foi inevitável dormir naquele Eustáquio-Iguatemi vazio sentada do lado da sombra na janela, coisa rara de ver às 12:00 hrs, era conforto demais, sorte demais pra um dia só, o cansaço e o sono me venceram acabei pegando no sono sem nem perceber, por sorte acordei dois pontos antes do meu, obrigada santan. Sempre que tenho uma oportunidade eu durmo, pareço o Chaves no episódio que ele dorme no chão do pátio da vila. Esses dias deitei em um banco da faculdade pra ler quando vi me assustei com meu próprio ronco. Durante o fim de semana, vejamos, até poderia dormir até tarde, mas o pau no cu que divide o apartamento comigo levanta 7:00 horas da manhã e fica ouvindo Edson Gomes.

O engraçado é pensar que eu queria tudo isso, eu queria entrar na faculdade, queria arrumar um emprego, queria sair de casa. Agora fico o dia todo ocupada, e só chego em casa depois das 21:30. Não reclamo de nada disso, tenho que me dividir em 30 pra ter tempo de fazer tudo, mas sei que vai ser bom pra mim (ou não). É só que... o tempo, talvez eu esteja acumulando muita coisa da faculdade e não esteja tendo tempo de fazer tudo e acabe ficando tudo pra última hora, mas não abro mão de passar um fim de semana todo com meu namorado, pois é o único tempo que tenho pra curtir a companhia, o amor e o aconchego que ele me traz, e em momentos de tumulto psicológico-pessoal-acadêmico dormir agarradinha com alguém falando “boa noite” no seu ouvido e beijando seu pescoço ajuda que é uma beleza.

É cada vez mais difícil aceitar que se passaram 30 minutos quando a gente acha que passaram-se no máximo 15. É extremamente difícil aceitar que o tempo escorre pelas mãos e a gente ainda não fez nem metade do que estava previsto pra semana, pro mês e pro ano. É como se estivessem adiantando todos os relógios sem prévio consentimento. E a gente? Ainda não fez a viagem que sempre quis, ainda não comprou o livro que tá há meses querendo ler, ainda não assistiu nenhum dos filmes que adorou só pela sinopse, ainda não perdoou e muito menos esqueceu aquela discussão desnecessária do outro dia, ainda não colocou em prática nenhum dos projetos legais que anotou no caderninho, e continua olhando pro relógio apavorado com os ponteiros que parecem girar mais rápido do que nunca. As 24 horas já não são o suficiente, a gente quer tanta coisa, por que não querer mais horas no dia também? Procrastinação? Talvez. Preguiça? Bem provável. Desorganização? É, estamos quase lá…

Nascemos para viver e estamos vivendo menos do que nunca? Ah… preciso de mais tempo, sim. Só não quero ser daquelas pessoas que não têm tempo pros amigos, que não tem tempo pro amor, que não tem tempo pra diversão, eu quero ser a melhor professora de história que meus alunos irão ter, mas também quero ser a melhor namorada, a melhor amiga, a melhor irmã, a melhor parceira de diversão e de dança, a que não ignora mensagens, a que guarda um tempinho pra rir com os amigos, mesmo que na fila do restaurante da universidade ou no grupo do whatsapp, porque o bom profissional não se cria só do trabalho cego, os amigos, os amores, e o tempinho guardado pra tudo aquilo que te faz esquecer os problemas, também te fazem vencer. É tudo isso que você vai levar pra vida.

A verdade é que somos todos adultos, com vida de adultos, cabeça de adultos. Mentira, somos, adultos com cabeça de criança. AINDA BEM. Ou de velhinhos, às vezes. O fato é que cada um tem uma vida mais corrida que a do outro, os próprios compromissos, os outros amigos…
Conforme a gente vai crescendo, ficam dizendo pra gente que não vamos ter mais tempo pra nada. Nem pros amigos. “Depois começa a trabalhar, casa, tem filho e casa pra cuidar, quero ver conseguir ver os amigos”. E posso falar uma coisa? A realidade nua e crua é que a gente sempre vai ter menos tempo, menos espaço na agenda, mais coisas pra fazer, mais preguiça, mais cansaço, mais vontade de se enfiar num casulo e por lá ficar. E se a gente acreditar nisso, a gente se enfia no casulo mesmo e BUM, a vida já era.

Uma amizade verdadeira, sólida, é como casa de vó. A gente não vai sempre, mas ela está lá, ela nos ama, ela lembra muita da gente, e quando a gente vai visitar, rapidinho ou pra ficar sem hora pra ir embora, é a maior delícia e a comida é sempre mais gostosa.
Não precisa ser assim. A maldição do ‘um dia você não vai mais ter tempo pra isso’ não precisa pegar na gente. Nem em mim e nem em você. Amizade é tão mais do que estar por perto o tempo todo.

Você pode achar um tempinho na sua agenda pra ir comer comida chinesa com seu namorado, mesmo que depois os dois passem mal.

E quando o amigo tá triste, a gente arranja um tempo, leva pro bar, toma umas biritas, chora as mágoas lado a lado, que é pra tristeza escorrer mais rápido e ir embora duma vez.

Eu ando sem tempo, tenho muito trabalho acumulado, tenho que arrumar casa, mas ainda quero ser sim, a amiga, a namorada, a engraçada do grupo dos amigos do ensino médio, a filha que arranja um tempinho pra viajar no feriado e ver a família, pois, quando eu for a Dr. Luiza formada nas história do Brasil saber tudo dos índio das política e tudo mais, eles serão os únicos que irão ignorar esse “Dr.” e dizer que não sabem como eu consegui chegar nisso se eu não conseguia nem falar na frente das pessoas, mas vão morrer de orgulho de mim.

Inclusive, sem tempo pra escrever isso também, mas mesmo assim escrevendo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sobre protestos e estágios

Creio que pelo título do texto, muitos “zé amo textão polêmico nas internetz num tenho louça pra lavar” vieram até aqui só pra ver se ia ter muitas críticas políticas sobre protestos e blá blá blá, mas perderam a viagem porque não vou fazer isso. Mas confesso que o título foi proposital, pois nós do mundo dos business bloguero tem que ser muitos dos esperto (eu sei escrever direito, só não consigo não falar do mesmo jeito que falo twitter, ces me perdoa).

O que eu quero falar hoje, é sobre como foi maravilhoso meu dia na capital mcz com o bendito protesto de hoje na Fernandes Lima. “Cara, quem quer saber da sua vida?” Oh num sei se você já percebeu, mas tudo que tem nessa merda, fala da merda da minha vida, mesmo que indiretamente, então shiiiiu.

Então, hoje seria meu primeiro dia no novo estágio, e tinha que estar no local às 8:00 horas, peguei o ônibus perto do terminal de boas e já peguei lotado, quando chega na metade do caminho, ouço alguém falando no telefone que um amigo viu na TV que havia um protesto de estudantes e vigilantes da rede estadual bloqueando a Avenida, em frente ao CEPA. Imediatamente pensei “puta que pariiiiiiiiiu). Mas o que eu poderia fazer não é? Ia chegar atrasada no primeiro dia de estágio sem ainda estar com os papéis assinados, mas tá de boas.

Ônibus lotado, parado, a linda que vos fala suando mais que gorda dançando zumba, não poderia ficar melhor. Mas em meio a tudo isso, conheci alguém muito legal. Renata. Renata ligou pra sogra, D. Zélia, pra avisar que chegaria atrasada em algum lugar, e aproveitou pra falar sobre a Iara, que é sua cunhada, e não sabe educar o filho, Vinícius. Renata aproveitou pra reclamar do protesto, com as seguintes palavras “Isso acontece porque o povo é burro, é esse governador que o povo votou, filho de peixe peixinho é, e ele bebe viu menina? Bebe tanto nesse mundo” E creio que D. Zélia tenha respondido “Por isso” Fiquei sem entender. Renata desligou o telefone, e ligou pro marido, filho de D. Zélia, o qual chama de “bê”, por isso não sei seu nome, então usarei o codinome para me referir ao dito cujo. Renata explicou sobre o protesto, perguntou pelo filho, João, e disse que estava muito bem disposta depois de ontem, nem quero imaginar o que ela quis dizer com isso, só sei que pelo sorriso dela, hoje deve se repetir. Que ótimo, Renata, fico feliz por você e pelo Bê, adorei te conhecer e saber da sua vida assim tão profundamente.

Bom, já eram 08:20, e eu com o cu na mão imaginando a má impressão que ia passar me atrasando desse jeito no primeiro dia de estágio, o ônibus parado há 30 min no mesmo lugar, vi que o jeito seria descer e ter que ir andando. Tive que descer na Casa Vieira e ir andando até o Colégio Marista, quem é de Maceió sabe que eu iria passar bem uma hora andando, mas não tinha outro jeito. Estava usando uma sapatilha que ganhei do boy, que é muito mara beauty linda, mas tava apertando meu pé, me fodi mais ainda.

No caminho, devo ter aparecido em umas 120 fotos e uns 1234 vídeos, ainda ao passar por um ponto de ônibus, passa um senhor de bicicleta e grita: “Tá vendo aí? Culpa de vocês, eu disse pra não votar na Dilma”. Aí fiquei sem entender, a culpa é nossa, da Gilma, ou do governador porque ele bebe muito? Tô confusa.

Ainda passo por uma senhora, que vem brigando com o marido e os filhos, quando diz a seguinte frase: “E A GENTE VAI DE QUÊ??? MONTADO NA PICA DO JEGUE???”. Bem, fiquei um pouco constrangida (mentira, ri foi bem muito).

Já quase morrendo de sede, calor, cansaço e dor nos pés, resolvi parar em um supermercado do qual não posso falar o nome, pois estaria fazendo propaganda e nesse business propaganda só pagando, colega (foi no Unicompra) pra comprar uma água, mas a vadia não tava no caixa e eu não podia esperar porque já estava muito atrasada. Resolvi seguir meu caminho e ser forte, já estava chegando. Bom, cheguei exatamente às 09:30, toda suada, com cara de morta. Ainda bem que todo mundo entendeu e etc.

Mas agora sobre o estágio, vou falar pra vocês que apesar de toda a confusão, o cansaço, valeu muito a pena ter ido, só em um dia já aprendi muita coisa e to muito empolgada, é muito bom pela primeira vez sentir que to fazendo algo que eu gosto.

Mas ao sair, não poderia ignorar o fato de estar muito cansada, ter que esperar o ônibus num sol infernal, ainda ter que ir na faculdade, ir o caminho todo do lado do sol no ônibus, estar com o pé ferido, e morrendo de fome. Fui almoçar no restaurante da faculdade e acho que as tias que servem a comida poderiam ter ficado cegas com o brilho que saia dos meus olhos ao ver tanta comida na minha frente. Tinha um pirão muito do gostoso, e a tia colocou 2 PEDAÇO DE CARNE no meu prato, eu acho que eles adivinharam, foi o momento mais feliz do dia senhor obrigada.

Enfim, depois ainda tive que andar mais porque nada naquela UFAL fica perto, ainda dei viagem perdida porque tinha coisa faltando nos documentos, cheguei em casa e fui correndo esquentar água pra colocar os pés. Esse foi meu dia de muita sorte, pra nunca mais eu reclamar de morar no interior, onde nada disso acontece (porém prefiro mil vezes morar aqui mesmo). Acontece, mais tarde vou ver o mozi, e quem sabe tentar entender o que tanto a Renata fez que acordou tão bem disposta hoje rsrsrsr (mentira vocês num acredita nas merda que eu falo). Tchau.