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terça-feira, 31 de julho de 2018

Resenha #1: O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë


Vendo o tempo em que deixei esse site abandonado é que percebo como o hábito da escrita não acadêmica se dissipou da minha rotina. Nem sei se ainda sei escrever com o entusiasmo de antes, mesmo vendo como as coisas que falava aqui eram meio “juvenis”. É engraçado. Ligar o computador e abrir o word para escrever esse texto de agora parece algo totalmente novo. Foi puro entusiasmo e eu não poderia deixar passar.

O que me trouxe aqui segurando pelas minhas orelhas e deixando-as quentes como brasa, foi a obra da autora Emily Brontë, de 1847, O Morro dos Ventos Uivantes.

As “orelhas quentes” não foram figuras de linguagem. Eu, realmente, fiquei muito perplexa lendo esse livro, de um jeito que não achei que fosse ficar lendo qualquer outro. Terminei de lê-lo em uma semana, e minhas orelhas realmente ficaram quentes, se não de perplexidade, de raiva.

Creio que meu maior erro tenha sido iniciar essa leitura sem pretensão nenhuma, como se fosse mais um romance clássico, agradável, com mocinhos e mocinhas como personagens principais. E com O Morro dos Ventos Uivantes tudo mudou. Esse livro me trouxe questionamentos e sentimentos conflitantes. Foi o primeiro livro que me fez chorar, não de emoção, mas num misto de raiva e desespero. Eu tenho que falar dele.

A obra conta a história de um amor que chega a ser mais forte que a morte, mas, para mim, é principalmente, sobre vingança.

O que, primeiramente, me chamou a atenção, foi como a obra consegue te transportar para o ambiente, sentir o que os personagens sentem e quase que viver a história. A riqueza de detalhes é impressionante.

As emoções são em doses exageradas: amor, ódio, vingança. É uma coisa tão intensa, que até os descendentes sofrem os impactos da paixão de Heathclif e Catherine. O que, certamente, me deixou mais consternada.

Na verdade, não sei dizer para vocês se amei ou se odiei o livro. Falo isso, pois, ele me parece muito um “ame ou odeie”. Eu permaneci sem saber durante toda a leitura.

A história é densa, os personagens são intragáveis. Foram diversos os pensamentos que me foram provocados.

A narrativa da história dos personagens principais é realizada por Ellen Dean, que inicia sua história nos apresentando os verdadeiros donos do Morro: a família Earnshaw, para quem ela trabalhou desde a juventude. A vida dessa família muda completamente quando, um dia, voltando de uma viagem, o Sr. Earnshaw retorna com um menino no colo. Eles o batizaram como Heatchcliff. Heatchcliff era uma criança desprovida de amor, o que, para alguns, será a explicação da causa das tantas maldades que ele irá provocar ao longo de sua vida. Rapidamente Heatchcliff e Catherine, sua irmã adotiva, desenvolvem uma amizade forte que, mais tarde, vai dar espaço ao nascimento de um amor tão forte quanto. Mas, Hindley Earnshaw, irmão mais velho de Catherine, nunca simpatizou com o menino que atraía todas as atenções de seu pai.

Com a morte do Sr. Earnshaw a vida de Heatchcliff muda ao ser tratado como um simples criado. Ele vai passar a sofrer muitas humilhações e privações, o que só vai contribuir para o aumento do ódio que ele carregava no peito. O motivo para ele ainda conseguir aguentar aquela situação e fazer tentá-lo reprimir os sentimentos tenebrosos de seu coração era Catherine, que começa a passar mais tempo com os filhos dos Lintons, proprietários de Trushcross Grange: Edgar e Isabela Linton.

Catherine decide se casar com Edgar, apesar de amar Heatchcliff. É essa atitude a gota d’água para o rapaz que vai embora daquelas terras, permanecendo distante por três anos. Ouso dizer que esses foram os anos mais tranquilos para os Lintons porque passado esse período Heatchcliff retorna como um verdadeiro cavalheiro e com um único objetivo: vingança. Se vingar de Hindley por tudo que ele o fez passar; se vingar de Edgar, por lhe ter roubado seu amor, e, por que não, se vingar também de Catherine que escolheu ter status e conforto a viver ao seu lado?

A vingança de Heatchcliff o domina e coisas terríveis acontecem. Vamos acompanhar o que o ser humano é capaz de fazer quando não alimenta o amor em seu ser e quais são as consequências de no lugar de alimentar o amor, se alimentar de vingança, raiva, egoísmo e tantos outros sentimentos ruins.

Vocês conseguem perceber o quão denso é esse livro? Além dos acontecimentos serem terríveis, a narrativa forte e descritiva da autora potencializa os sentimentos e caráter dos personagens, como destacado abaixo na fala de Catherine:

Minhas infelicidades neste mundo têm sido as infelicidades de Heatchcliff. Aguardei-as e senti-as todas desde sua origem. É ele a minha grande razão de viver. Se tudo morresse, mas ele ficasse, eu continuaria a existir. E, se tudo permanecesse e ele fosse aniquilado, o mundo inteiro se tornaria para mim uma coisa totalmente estranha. Eu não seria mais parte desse mundo”.

E é por isso que muitas pessoas odeiam esse livro. A parcela que ama O Morro dos Ventos Uivantes é aquela que considera lindo o amor entre Catherine e Heatchcliff, e que o mesmo só faz tudo o que faz por ter sofrido tanto na vida sem nunca ter alguém como modelo de bondade a ser seguido. E é aí que as minhas reflexões começam porque eu não consegui ver nenhuma beleza no amor entre os dois, muito pelo contrário. Eu vi algo doentio, que causava destruição a tudo que estivesse em volta. Por outro lado, é inevitável pensar que se Heatchcliff tivesse, por exemplo, recebido o amor de Catherine, o rumo das coisas teria sido completamente diferente. O que, não vou mentir, não me impediu de sentir nada mais do que raiva pela personagem. Mas, principalmente, por Catherine, uma personagem extremamente egoísta e impulsiva. Jamais permite que suas vontades sejam contrariadas. Mas realmente ama Heathcliff. Ama, como ela mesma diz, como ama a si mesma.

O ponto que eu desejo chegar é: podemos justificar totalmente e exclusivamente as atitudes de Heatchcliff nos baseando no passado e dificuldade que ele sofreu? Pra mim ele não é um “coitado”. E penso isso, pois, a autora, incrivelmente, nos deu essa chance ao nos mostrar como Hareton (filho de Hindley), fruto, também, da insanidade do pai e ao mesmo tempo da vingança de Heatchcliff, que inclusive o faz amá-lo como um pai, quando na verdade tomou tudo que era seu. Hareton foi privado de amor, viveu em um ambiente completamente conturbado, cresceu como um espelho de Heatchcliff, porém despertou em mim um sentimento de compaixão desde o princípio, diferentemente do personagem principal.

Não sei se consegui me fazer clara, falar sobre esse livro é muito difícil. É tão complexo e dá abertura para tantos questionamentos que fica complicado. O anti-herói, Heathcliff, realmente é uma vítima digna de dó ou um maluco inconsequente? Como distinguir os "bons" e os "malvados"? Como classificar uma história que não se insere dentro do formato do romantismo piegas?

Minha certeza é que cada pessoa que ler O Morro dos Ventos Uivantes terá uma visão diferente. Esse livro, realmente, mexeu comigo, me fez pensar, refletir. Eu amei a história? Não. Apesar de ter gostado de seu desfecho. Isso até me deixou angustiada, pois fiquei achando que minha leitura tivesse sido pobre e eu fosse mais uma leitora que só quer um romance piegas. Mas eu fiquei muito admirada com a percepção das variações da personalidade humana que Emily Bronte nos apresenta nesse livro.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Sigo sendo a felicidade dos vendedores da C&A


Sabe aquela “notícia” do Sensacionalista (aii nossa mêêêu sensacionalista melhor site dessa interwebs hein mêêu hehehe) em que uma vendedora da C&A fica sem saber o que fazer quando um cliente diz que aceita fazer o cartão da loja? Bom, provavelmente eu seria esse cliente. E por que não dizer que eu já fui esse cliente?

Migas, estamos aqui hoje pra falar sobre a grande dificuldade que pessoas como euzinha, a troxa, têm pra falar esse simples adverbiozinho maroto monossilábico, o famigerado: NÃO.

É verdade, eu já fiz cartões de crédito que eu não queria só pela dificuldade em que tenho de falar “não”. Já aceitei convites pra sair que eu não queria aceitar, só porque não consegui falar um “não” pra pessoa, entre inúmeras outras situações tristes e constrangedoras.

Não sei bem explicar qual a dificuldade que eu encontro em negar coisas e favores. Não acho que seja pra causar boa impressão, porque, vejamos, se eu quisesse causar boa impressão eu não teria uma conta no twitter, sei lá, isso por si só já é uma queimação de filme (ainda se usa essa expressão hoje em dia? espero que sim porque é supimpa pra dedéu, hein broto). Acho que, talvez, em alguns casos, seja uma necessidade muito grande de não decepcionar as pessoas. Lógico que eu percebo que esse comportamento, muitas vezes, não me faz bem, mas eu, simplesmente, não consigo deixar de ser assim, talvez por medo de rejeição, ou de ser vista como alguém egoísta, até de magoar alguém que eu ame.

Talvez esse post seja alguma deixa pra algum loco dos signos invadir a caixa dos comentários falando que vai fazer meu mapa astral e dizer que isso “é muitooo coisa do seu signo solar, e da sua lua e ascendente meninaaaa”? Poderia ser se alguém comentasse nisso aqui né rsrsrsrs.

Mas olha, se isso é culpa de signo eu não sei, só sei que eu tenho que dar um jeito de parar de responder aquelas pesquisas que fazem no centro pra chamar as pessoas pra cursos profissionalizantes (nossaaa isso é muito coisa do seu signo). Tenho que passar direto e falar “aiii to com pressa”, ou fazer como a maioria das pessoas, ignorar e passar direto, mas ahhh gente me dá uma pena, a pessoa tá lá embaixo do sol, num calor desgraçado, em pé, 15:00 horas no centro, odiando a vida e aquela merda daquele trabalho, ahh eu paro sim viu? Às vezes eu dou o número errado, mas mesmo assim eu paro. Então hoje me ligaram de um lugar desses, me chamando pra comparecer às 16:00 no local pra fazer minha inscrição. Eu poderia ter dito só um “não” e poupar tempo dos dois, certo? Certo, mas não pra mim né, dei meu nome, fingi anotar o endereço, disse que simmmm lógico que eu vou comparecer né rsrsrsr, vou perder essa oportunidade? Assim que desliguei o telefone pensei comigo mesma “vai me esperar pra sempre migo, eu sou uma mentirosa”. Mas essa é a primeira vez que faço isso? Lógico que não, eu SEMPRE faço isso.

Em situações muito extremas eu consegui dizer “não” e fiquei muito orgulhosa de mim mesma, porque, apesar de todas as brincadeiras, é algo que, realmente, na maioria das vezes me prejudica muito. Eu me apavoro quando vou comprar algo, e os vendedores ficam me empurrando mais coisas, ou seguros, ou promoções duvidosas, porque eu sei que se eles continuarem insistindo muito, eu vou acabar dizendo “sim”. Como quando fui comprar o presente do dia das mães desse ano. Insistiram tanto pra eu aceitar uma promoção lá que eu não queria, que eu acabei aceitando, mas quando cheguei no caixa pedi pra retirarem, e quando saí da loja pedi desculpa aos vendedores??????? Cara, eu sou um ser humano muito troxa.

Pessoas já me fizeram muito mal, e mesmo assim eu continuava sem saber como dizer “não”, e isso acabava com a minha autoestima. Até que depois de tantos “sins” e tantas decepções, consegui dizer um “não” definitivo que me libertava da ruindade e da malícia dessas pessoas, foram dois coelhos numa cajadada só, um me encorajou a realizar o outro, e foi libertador.

Essa dificuldade não precisa ser eterna, eu sei. Com um pouco de treino e força de vontade é possível virar o jogo sem prejudicar ninguém. E assim como também não é legal dizer “sim” pra tudo, dizer “não” pra tudo também não é, eu só queria achar aquele meio termo sabe? E ser feliz sem ser troxa pra sempre. Mas é mais fácil eu entender de signo e mapa astral do que deixar de ser troxa.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Sobre o verdadeiro amor

Aka estou eu, aproveitando o tempinho livre pra falar sobre algo que vem rondando minha vida faz uns 4 meses. “Mas, nossa, Luiza, e por que você só decidiu falar sobre isso agora?” Ai migos, respondo pra vocês rsrsrs, é que hoje, alguém que eu sigo no twitter estava falando justamente sobre isso, e foi algo que ficou na minha cabeça o dia todo. E eu também já falei sobre isso em outros textos, mas indiretamente, bemmm indiretamente.

Enfim, eu to aqui pra falar, hoje, sobre meu relacionamento mais complicado: Meu relacionamento comigo mesma.

Nesses twittes, os que mais me chamaram a atenção foram esses:


Sabe, minha vida amorosa nunca foi um mar de rosas, mas sempre fui de boa em relação a términos, até que há 4 meses aconteceu algo comigo que me deixou sem chão, e foram longos 4 meses de sentimentos ruins guardados dentro de mim pra eu poder entender que minha pior inimiga no momento estava sendo eu mesma. Acho que chegou um momento em que me vi tão fragilizada, parei e pensei: “ei caralho, essa aí não sou eu não”.

Por mais que eu queira sempre negar, eu sempre fui muito sensível e fácil de atingir. Passei maior parte da minha vida sentindo que eu não era nada, e que, por isso, não merecia grandes coisas. Eu tinha certeza que nunca ia achar o amor, pois, afinal, quem iria me amar? Por isso, eu sempre tentei “compensar” a falta de beleza tentando ser engraçada e inteligente. Assim, eu pensava, quem sabe alguém me enxergaria?

E só agora entendo que esse pensamento não prejudica ninguém além de mim, e faz com que eu sempre ame mais a pessoa que está comigo (ou não mais) do que a mim, e me humilhe, e seja submissa, e pense sempre mais nos outros do que em mim mesma, o que faz também com que as pessoas pisem em você sem dó.

Hoje eu só posso pedir desculpas a mim mesma por ter aceitado tão pouco. Por me sentir sempre tão insegura e menos dona de mim. Por colocar outra pessoa que não eu em um pedestal tão alto. Por rir, sem graça, das piadas machistas, por medo do que a outra pessoa iria pensar. Por me calar todas as vezes em que feriram meus sentimentos. Por ser tão dependente emocionalmente de alguém que nunca gostou de mim.

Com muita desconstrução e com a ajuda de amigos maravilhosos, percebi que eu não preciso “ganhar” ou provar o meu valo, ele já é meu por direito.

É claro que perceber isso é um processo complexo. Há dias em que eu esqueço tudo o que já sei e me sinto, de novo, um lixo sem valor. Demorei quase 21 anos para perceber que não fazia sentido eu ver a beleza em todo mundo e incentivar a aceitação própria para os outros, enquanto eu mesma me criticava de uma forma tão dura. Eu me odiava e essa é uma das piores sensações que se pode experimentar. Até que em algum momento vi que aquilo era tortura comigo mesma, que eu merecia muito mais, eu merecia amor. E me dei uma chance. Eu resolvi começar a me amar. Claro, eu ainda tenho um relacionamento cheio de reviravoltas comigo, mas foi a melhor coisa que fiz. Nem eu, nem qualquer outra pessoa podemos aceitar um “amor” que nos diminua. Não é fácil, mas garanto que faz toda a diferença.

Eu queria ter tido voz mais cedo. Eu queria ter respondido quando fui insultada. Queria ter defendido meu lado e gritado o quão mesquinhas as pessoas podem ser. O quão infelizes as pessoas são em tratar mulheres como se fossem objetos. E manipulá-las.

Aprendi que todos os relacionamentos que temos no decorrer de nossas vidas são experiências únicas que nos fazem crescer como seres humanos. E aprendi muito com o último a reagir e a não tolerar um relacionamento quando a impossibilidade do diálogo se instala, quando o medo de dizer algo, qualquer coisa que seja, se impõe. As vezes, você tem que engolir seu orgulho e aprender a pedir desculpas quando está errada, mas também aprendi que, às vezes, nos culpamos demais por algo que não é culpa nossa. Aprendi que todo relacionamento tem seus altos e baixos, e que é preciso muita compreensão para superar as dificuldades, não se acaba tudo na primeira dificuldade, e se a outra pessoa deixou isso acontecer é porque realmente nunca mereceu o que você tinha pra dar. Acabei aprendendo um pouco mais sobre mim mesma. Os homens que passaram pela minha vida me ensinaram muito, me ensinaram inclusive a me amar, me amar acima de tudo, foi difícil perceber, mas você aprende a não aceitar migalhas de ninguém, porque todo mundo merece mais.

A sensação de estar bem consigo mesma não tem preço. A gente passa por muita coisa nessa vida, e as mais difíceis servem pra te fazer aprender. “Há males que vem para o bem”. Com todas as experiências ruins, vem o aprendizado. E as coisas boas também, é claro, como se reaproximar de amigos que andavam distantes, viver aventuras que há muito tempo não viva, experimentar coisas novas, isso é maravilhoso. Manas, não aceitem estar em um relacionamento abusivo, não achem que sua vida não existe se não tiver aquela pessoa que te abandonou da pior maneira possível ao seu lado, você não merece quem te faz mal ao seu lado, nunca, e digo por experiência própria, quando você aprende que você vem em primeiro lugar, tudo fica mais fácil. E se você tiver amigos maravilhosos ao seu lado, que deixam claro o tempo todo o quanto você é maravilhosa, assim como eu tenho, eu sei que tudo vai ser mais fácil.

Bjs de luz, e emponderem-se. 

domingo, 2 de agosto de 2015

Só queria reclamar que...



Vocês já perceberam que só faltam quatro meses pro ano acabar? 2015 tá passando muito rápido, por isso não consigo dar conta das coisas que tenho que fazer todos os dias. Alguém no facebook já fez a piada de que “agosto é o mês do desgosto”? Porque eles não perdem tempo srrsrsrsr. Hoje é um daqueles domingos de muita bad, em que eu só quero ficar sozinha no meu quarto, ouvindo R.E.M, tomando Nescau, sem ninguém me incomodando, pensando em como eu sou otária/troxa/burra.

O que eu fiz no primeiro dia do mês? Vejamos. Briguei com meu namorado, deixei meu gato ficar lambendo meu pé porque fazia uma cócega gostosa, saí com uns amigos a noite pra um bar onde posso encontrar todas as pessoas da faculdade, saí pra outro bar que todo mundo paga pau, mas achei bem do ruim, e por incrível que pareça fui cortejada por algumas pessoas, que coincidentemente elogiaram meu belo sorriso. Acho que é esse o efeito que o álcool causa nas pessoas. Um exemplo é que quando meu namorado me pediu em namoro estava bêbado. Acho que ele fica bêbado todos os dias pra poder namorar comigo durante esse quase um ano. Porque como seria possível alguém se interessar pela minha pessoa estando em sã consciência não é mesmo, migos?

Sou uma pessoa assustada, com complexo de inferioridade e com um nariz horroroso. Tenho medo de algumas pessoas. Não tenho assistido televisão. Ando distraída pensando na morte da bezerra, ou perdendo a atenção pra observar o que as pessoas estão fazendo na rua, não é atoa que todos os dias, quando desço do ônibus pra ir pro estágio, eu tropeço na mesma pedra, que fica sempre na mesma calçada pela qual eu passo TODOS OS FODIDOS DIAS DA SEMANA. Não tenho noção de localização.

Quando vim morar em Maceió tive que sair da academia, o que foi uma tristeza, pois, já tinha ouvido do meu instrutor que já estava tendo resultados. E por incrível que pareça, eu gostava de malhar.  Não tenho mais dinheiro ou tempo para a academia, mas tudo bem, pois passou a vontade de levantar da cama e ir; me acomodei; uma pena, visto que, segundo alguns amigos da família, emagreci, e estou “magra demais, muito feia e estranha”.

O chuveiro aqui de casa está com defeito, não consigo lavar o cabelo porque a água sai muito fraca. Se alguém me encontrar na rua e ver que meu cabelo está mais oleoso que a cara de um adolescente de 15 anos cheio espinha, saibam que são problemas domésticos.

“Luiza, se você tivesse condições financeiras, onde você estaria agora?” Em algum país de língua espanhola, com certeza.

“Essa geração não quer trabalhar. Ganharam tudo dos pais”. Quando alguém me diz uma coisa dessas, lembro dos dois meses que trabalhei em uma empresa com um chefe burro e ignorante do caralho, que queria saber mais do que todo mundo e não sabia de porra nenhuma, que humilhava os funcionários, e que me demitiu porque precisei ir ao médico.

Vamos dizer que ela “não aguentou o tranco, pobrezinha, muito mimada”. Já dizia Cidade Negra, você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui, querida. Inclusive, hoje, estou disposta até a fazer faxina. Inclusive adoro Cify cremoso, passo sempre no fogão aqui de casa

Fico quatro horas do meu dia no estágio e quando não estou lá, penso em formas de ganhar mais dinheiro. Algo me fez ser ambiciosa, quero ganhar o Nobel. Ou apenas arrumar mais um emprego. Nunca fui livre. Sempre dependi de alguém. Sempre precisei dar explicações, dizer onde estou, com quem estou e até que horas vou ficar. Hoje, pela primeira vez, posso fazer o que eu quiser, a qualquer momento. Desde que não dependa de dinheiro, porque isso é algo que eu realmente não tenho.

Pra finalizar, só queria dizer como eu odeio ir ao centro de Maceió e ter que andar naquela calçada dos pontos de ônibus, fico feito barata tonta e as véia não saem da minha frente, sempre tem alguém entregando panfleto de exame de vista grátis, e quando os ônibus chegam é uma babilônia infernal. Obrigada.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Tempo, tempo, tempo, tempo...

Não quero aqui fazer nenhum pedido ao tempo, nem dizer que ele é a cara o meu filho porque nem filho eu tenho (graças a Deus).

Na verdade eu nem sei o que eu quero, se dias mais longos pra ter tempo de fazer tudo o que eu deveria fazer, ou menos coisas pra fazer durante o dia.

Uma das coisas que mais sinto falta ultimamente: dormir. Eu não consigo dormir em coletivo, pois tenho muito medo de passar do ponto em que tenho que descer, mas essa semana foi inevitável dormir naquele Eustáquio-Iguatemi vazio sentada do lado da sombra na janela, coisa rara de ver às 12:00 hrs, era conforto demais, sorte demais pra um dia só, o cansaço e o sono me venceram acabei pegando no sono sem nem perceber, por sorte acordei dois pontos antes do meu, obrigada santan. Sempre que tenho uma oportunidade eu durmo, pareço o Chaves no episódio que ele dorme no chão do pátio da vila. Esses dias deitei em um banco da faculdade pra ler quando vi me assustei com meu próprio ronco. Durante o fim de semana, vejamos, até poderia dormir até tarde, mas o pau no cu que divide o apartamento comigo levanta 7:00 horas da manhã e fica ouvindo Edson Gomes.

O engraçado é pensar que eu queria tudo isso, eu queria entrar na faculdade, queria arrumar um emprego, queria sair de casa. Agora fico o dia todo ocupada, e só chego em casa depois das 21:30. Não reclamo de nada disso, tenho que me dividir em 30 pra ter tempo de fazer tudo, mas sei que vai ser bom pra mim (ou não). É só que... o tempo, talvez eu esteja acumulando muita coisa da faculdade e não esteja tendo tempo de fazer tudo e acabe ficando tudo pra última hora, mas não abro mão de passar um fim de semana todo com meu namorado, pois é o único tempo que tenho pra curtir a companhia, o amor e o aconchego que ele me traz, e em momentos de tumulto psicológico-pessoal-acadêmico dormir agarradinha com alguém falando “boa noite” no seu ouvido e beijando seu pescoço ajuda que é uma beleza.

É cada vez mais difícil aceitar que se passaram 30 minutos quando a gente acha que passaram-se no máximo 15. É extremamente difícil aceitar que o tempo escorre pelas mãos e a gente ainda não fez nem metade do que estava previsto pra semana, pro mês e pro ano. É como se estivessem adiantando todos os relógios sem prévio consentimento. E a gente? Ainda não fez a viagem que sempre quis, ainda não comprou o livro que tá há meses querendo ler, ainda não assistiu nenhum dos filmes que adorou só pela sinopse, ainda não perdoou e muito menos esqueceu aquela discussão desnecessária do outro dia, ainda não colocou em prática nenhum dos projetos legais que anotou no caderninho, e continua olhando pro relógio apavorado com os ponteiros que parecem girar mais rápido do que nunca. As 24 horas já não são o suficiente, a gente quer tanta coisa, por que não querer mais horas no dia também? Procrastinação? Talvez. Preguiça? Bem provável. Desorganização? É, estamos quase lá…

Nascemos para viver e estamos vivendo menos do que nunca? Ah… preciso de mais tempo, sim. Só não quero ser daquelas pessoas que não têm tempo pros amigos, que não tem tempo pro amor, que não tem tempo pra diversão, eu quero ser a melhor professora de história que meus alunos irão ter, mas também quero ser a melhor namorada, a melhor amiga, a melhor irmã, a melhor parceira de diversão e de dança, a que não ignora mensagens, a que guarda um tempinho pra rir com os amigos, mesmo que na fila do restaurante da universidade ou no grupo do whatsapp, porque o bom profissional não se cria só do trabalho cego, os amigos, os amores, e o tempinho guardado pra tudo aquilo que te faz esquecer os problemas, também te fazem vencer. É tudo isso que você vai levar pra vida.

A verdade é que somos todos adultos, com vida de adultos, cabeça de adultos. Mentira, somos, adultos com cabeça de criança. AINDA BEM. Ou de velhinhos, às vezes. O fato é que cada um tem uma vida mais corrida que a do outro, os próprios compromissos, os outros amigos…
Conforme a gente vai crescendo, ficam dizendo pra gente que não vamos ter mais tempo pra nada. Nem pros amigos. “Depois começa a trabalhar, casa, tem filho e casa pra cuidar, quero ver conseguir ver os amigos”. E posso falar uma coisa? A realidade nua e crua é que a gente sempre vai ter menos tempo, menos espaço na agenda, mais coisas pra fazer, mais preguiça, mais cansaço, mais vontade de se enfiar num casulo e por lá ficar. E se a gente acreditar nisso, a gente se enfia no casulo mesmo e BUM, a vida já era.

Uma amizade verdadeira, sólida, é como casa de vó. A gente não vai sempre, mas ela está lá, ela nos ama, ela lembra muita da gente, e quando a gente vai visitar, rapidinho ou pra ficar sem hora pra ir embora, é a maior delícia e a comida é sempre mais gostosa.
Não precisa ser assim. A maldição do ‘um dia você não vai mais ter tempo pra isso’ não precisa pegar na gente. Nem em mim e nem em você. Amizade é tão mais do que estar por perto o tempo todo.

Você pode achar um tempinho na sua agenda pra ir comer comida chinesa com seu namorado, mesmo que depois os dois passem mal.

E quando o amigo tá triste, a gente arranja um tempo, leva pro bar, toma umas biritas, chora as mágoas lado a lado, que é pra tristeza escorrer mais rápido e ir embora duma vez.

Eu ando sem tempo, tenho muito trabalho acumulado, tenho que arrumar casa, mas ainda quero ser sim, a amiga, a namorada, a engraçada do grupo dos amigos do ensino médio, a filha que arranja um tempinho pra viajar no feriado e ver a família, pois, quando eu for a Dr. Luiza formada nas história do Brasil saber tudo dos índio das política e tudo mais, eles serão os únicos que irão ignorar esse “Dr.” e dizer que não sabem como eu consegui chegar nisso se eu não conseguia nem falar na frente das pessoas, mas vão morrer de orgulho de mim.

Inclusive, sem tempo pra escrever isso também, mas mesmo assim escrevendo.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Não é você...

Seguinte, digamos que eu tenha uma teoria. Se você tá comendo uma torta muita da gostosa, daquelas que você passa todo dia em frente à padaria que fica na esquina da sua rua, e fica olhando igual ao Chaves olha pra um sanduiche de presunto, você vai pensar: “Ah, essa torta é gostosa demais pra mim, eu não mereço tanta cobertura assim, e esse recheio MARA (rsrs), eu sou muito problemático, não sou digno de tal especialidade culinária, melhor seria deixá-la aqui quietinha na geladeira para que outra pessoa, melhor do que eu, venha até a mesma e a coma, porque o problema não é com ela, ela é boa demais, o problema é comigo”? Acho que não né? Porque eu mesma, se to comendo algo gostoso eu como é tudo pra ninguém mais comer, e se não aguentar comer tudo na hora, eu escondo o resto pra ninguém ver e eu poder comer depois, confesso.

Eu penso desse mesmo jeito quando alguém termina um relacionamento com a famigerada frase: “O problema não é com você, o problema sou eu...”. Não deve existir alguém na face da terra que deva achar isso algo gentil, só pra não ouvir que é chata, que usa roupas estranhas, ou que engordou, é lógico que você vai saber do mesmo jeito que o problema foi você, só por ser você. Não existe isso, ninguém termina com alguém porque a pessoa é boa demais.

Deve ser por isso que eu vejo cada vez mais as pessoas desacreditando nos sentimentos (sim, eu também falo de sentimentos) mais bonitos e mais daora dessa vida. Parece que ninguém mais se importa com ninguém.

Se você diz que gosta de alguém, hoje em dia, não seria um motivo para aproximações, e sim para respostas como: “ainn vai pra lá com esse papo, to fora” “ainn é que eu já sofri demais com essas coisas, não quero passar por isso de novo”, parece até uma vingança com alguém que não tem nada a ver. As pessoas inventam histórias como se estivessem lidando com crianças recém-nascidas. Se a sua vontade é ir embora e nunca mais ligar, então que seja dito, não algo como: “Ah eu acho que você gosta mais de mim do que eu de você.” Isso é uma das piores coisas de se ouvir.

“Olha só, você é uma ótima pessoa, o problema realmente é comigo, não com você” Mas é lógico que o problema é com vocês que dizem uma coisa dessas. Custa dizer que cansou? Que não quer mais nada? Não to dizendo que ninguém é obrigado a gostar de ninguém, não existe um contrato pra isso, também não existe ninguém perfeito, nem quem erra mais ou menos, mas existem os erros e os acertos, não custa nada ser real na hora de dizer “tchau”. A vontade de não machucar só machuca mais.

Eu tento sempre ser mais prática, se a pessoa não queria beleza, coloco o rabo no meio das pernas e sigo em frente, sem dó de mim mesma. Ninguém é obrigado a passar tempo com quem não quer. É mais honesto dizer “eu quis, ele não quis e estou triste, uma hora isso vai passar”. Conhecer pessoas novas seria o melhor remédio. Não acredito na ideia de que um novo amor não cura outro, lógico que cura, as pessoas deveriam se permitir mais, acreditar mais, sempre há alguém melhor no futuro.

Imaginemos um mundo ideal com mais maturidade mútua…

- O problema foi seu mau humor incorrigível por isso acho bem difícil seguir em frente. Não sou muito diferente de você, portanto já basta o meu mau humor me pesar. Não lido bem com o seu.

- Obrigada por me dar esse toque, vai ser bem duro daqui pra frente, mas fico feliz que até agora pudemos viver bons momentos.

Por mais cruel que seja, existe o fim da vontade de ligar, de conversar, de perguntar se está tudo bem, existe o fim, não existem desculpas. O que não deve existir é essa falta de respeito com as outras pessoas.

O bom é sempre valorizar, valorizar quem te pede pra avisar quando chegar em casa, valorizar quem transa com você e te entrega o corpo, valorizar quem diz que gosta de você, é tudo uma questão de valorizar o que realmente importa na vida: as pequenas coisas. Não tem porque ver como possessivo alguém que te pede pra avisar quando chegar, é só alguém que se preocupa, não adianta nada ver tudo com olhos egoístas.

Vocês deveriam saber que existe amor dentro das pessoas, mesmo que seja difícil.

Eu consigo entender quando alguém diz que não confia nas pessoas, que todo “eu te amo” “eu gosto de você” é falso, que não quer relacionamentos futuros por traumas do passado, eu só não concordo, porque as pessoas não são iguais, vão existir aqueles que vão te machucar com coisas do tipo “Não é você, sou eu”, e aqueles que vão ser sinceros com você, porque nós sempre enxergamos um fim, e realmente, muitas vezes terão um fim, mas vai chegar o dia em que vai ser pra sempre, ou tão duradouro que terá um sentimento de eternidade.

Bem, o que eu quero dizer com isso? Que eu sou uma filha da puta cheia de mimimi? Sim, eu acabei de me entregar, mas todo mundo tem dessas. O que eu quis dizer também, é que se cada um respeitasse mais o outro, o sofrimento seria menor, o que não é nada muito difícil de deduzir, com tanto egoísmo, tanta intransigência, e tanto “não é você, sou eu”, vocês estão matando o que de melhor nós temos (aí vocês pensa o que é, que vocês sabem, num sou empregada de ninguém não).

Se permitam, conheçam novas pessoas, tentem ser felizes, não se prendam, faz bem ao coração e à alma.

Cabô a autoajuda, desculpa, lê quem quer, adeus.

domingo, 20 de julho de 2014

Um texto pra ser lido em 2018

Para o meu eu do futuro, eu peço desculpas, se, às vezes, neste mesmo blog, eu fugi do objetivo principal do mesmo, que é ver como eu pensava no passado. Desculpa se, às vezes, eu pensei mais nos leitores do que em você, essas coisas provavelmente nem vão te interessar muito. Esse texto, então, vai pra você.

Uma das questões é: eu tento ser uma pessoa perfeitamente racional na maior parte do tempo. Na maioria das vezes falhando miseravelmente. Digamos, então, que eu não seja perfeitamente racional o tempo todo, mas racional o suficiente perante os padrões que a sociedade nos exige. Exceto em raros momentos, divididos em três: quando alguém me irrita, quando eu me relaciono com aquilo que é consenso acerca de “amor”, e quando tenho que tomar decisões.

O primeiro ocorre tão raramente que eu nem me importo muito. É impossível não ficar puta com a minha vida de vez em quando.

E isso também não é uma peculiaridade minha – todos nós temos nossos infernos astrais, psicológicos e neuroses. É o que nos torna humanos pensantes.

Mas a relação com o amor é bastante complicada. Não precisa ser necessariamente eu estar apaixonada – muitas vezes não consigo sequer chegar a esse estágio -, mas quando o amor aparece no pensamento, nem que seja num distraído e inocente pensamento, já começa a complicar. Quando eu passo a ter “segundas intenções”. São pontuais esses casos, ocorrem com intervalos que tendem a anos, mas ocorrem.

Todas essas situações me trazem arrependimentos. Não que eu seja “contra o amor”, mas a minha postura em todas essas situações, por ser emocional, foi errada. Ou melhor – foi muito abaixo do que seria se eu fosse mais racional.

Existe, por último, mas não menos importante, pelo contrário, todos os momentos em que tenho que tomar decisões.

Eu preferia morrer a ter que tomar decisões (na verdade, eu preferia morrer a fazer muitas coisas na minha vida).

Mudo de emprego pra fazer o que amo ou fico no que paga mais? Faço uma viagem ou compro um carro? (se eu tivesse uma dúvida dessas no momento, eu tava era muito feliz rsssrsr) Jogo tudo pro alto ou permaneço segura onde estou? Caso ou compro uma bicicleta? (gente, quem preferiria casar a ter uma bicicleta???? A não ser que você fosse casar com o Sílvio Santos, aí você poderia ter quantas bicicletas você quisesse né).

Me vejo numa sinuca de bico (rrssrsr amo falar esses bordão) quando tenho que escolher entre duas coisas das quais eu tenho certeza que são boas pra mim, ou das quais eu não tenho absolutamente certeza nenhuma. Não sei qual das duas situações é a pior.

Existem aquelas pessoas que ficam horas dentro de um provador de roupas olhando pra duas cores de camisa e saem de lá sem nenhuma (ou com as duas!) porque simplesmente não conseguiram escolher (eu). Existem aqueles que passam a vida em um emprego medíocre porque não conseguiram tomar a decisão de arriscar quando outra oportunidade surgiu (pode ser eu no futuro). Existem pessoas que se atrapalham todas nos relacionamentos porque não conseguem saber quem realmente desejam ter a seu lado, seja como amigo ou namorado (bem...).

Seria ótimo se a vida sempre nos mostrasse uma seta indicando o melhor caminho a seguir, mas não é e nunca será assim. Existe muita complexidade por trás das escolhas de cada um, e é por isso que não é possível que alguém, além de você, diga o que é o melhor a ser feito, o que é injusto. Deveria existir uma pessoa na sua vida que fosse obrigada a tomar todas as suas decisões por você, daí se tudo desse errado você já saberia em quem colocar a culpa. Tomar uma decisão importante é um processo solitário que pede muita reflexão, honestidade e coragem. Cada escolha exige questionamentos próprios, por isso não há como criar uma fórmula ou mapa que garanta que você vai decidir pela melhor opção. (calma, né auto-ajuda isso não, gente)

Ultimamente, eu ando tendo que tomar algumas decisões na minha vida, e isso ta fodendo com a minha cabeça de um jeito inexplicável. E nisso, pelo menos, eu to tentando ao máximo ser racional. Só que, as vezes, tenho uns extremos de racionalidade, e me quebro em uns extremos de emoção. Assim não dá, Luiza, se controla, ô jumenta.

Mas aí, quando você pensa que já ta bom de tanta decisão pra tomar, vem uma daquelas que pode mudar o rumo da sua vida, talvez, pra sempre. Eu acho é que tá pouco de tanta escolha que eu tenho que fazer, acho era que tinha que ter mais escolha, manda mais um monteee......

Eu queria, apenas, me isentar de todos os riscos em tomar uma decisão dessas, como eu disse, ter alguém pra tomar todas as decisões por mim. Talvez, Deus, já que se acha o sabidão e tem todas as respostas, escolhe aí pra mim vai, quero ver se é tão fácil, sabendo que se der tudo errado a culpa vai ser total e restritamente sua, ô seu Jeová.

Por não saber, realmente, o que fazer, pedi opinião a alguns seres humanos, que devem ser mais burros do que eu, porque o que eu mais ouvi foram respostas do tipo: ainn segue o seu coração. Minha filha, desde quando seguir o coração é conselho bom a dar ou a seguir? Eu nem sei como porra é que se segue o coração.

Eu tento ver as coisas positivas e as negativas, toda elas ficam equilibradas na minha balança imaginária que eu poderia usar pra me pesar e ver que to gorda, e tomar vergonha na cara, e ir pra academia, e parar de tomar Danone com leite condensando 2:00 horas da manhã. E com esse equilíbrio, a única coisa que me vem na cabeça é: medo.

Sim, eu sou covarde, e nem vem com discursinho moralista de que ainn todos temos que superar nossos medos e tentar, se não nunca vamos conseguir sair do mesmo lugar e ficar nessa inércia pra sempre, porque não cola comigo. Eu sou uma covarde assumida, e ok, tenho vergonha, mas não posso mudar o fato de que sou.

Tenho medo das duas escolhas que posso fazer, ficar e me arrepender pra sempre, e ir e me arrepender pra sempre. Talvez eu esteja me precipitando, talvez seja a hora, mdssssssssss não sei o que fazer.

Eu só queria dizer, pro meu eu de 2018, que não sei se já vai estar formada em História, ou em Jornalismo, na UFAL ou mesmo nessa tal de UFRN, ou nenhuma dessas opções, talvez tenha virado mendiga, ou cafetina, mas que vai ta lá, mais uma vez torcendo pro Brasil ganhar a copa, se arrependendo, talvez, do voto da última eleição, e tentando fazer diferente na do mesmo ano. Eu só quero dizer, que independente da escolha, que o meu eu de 2014 fizer, é pensando só no seu bem, me desculpa se eu tomar a decisão errada, acho que eu mereço o seu perdão por toda essa pressão que pode me fazer mesmo escolher erroneamente. Saiba que se eu ficar, e isso acabar interferindo em algo negativo na sua vida, tente relevar, e desconte toda a raiva que você possa vir a sentir de mim em outra coisa, talvez pra ter mais força de vontade de malhar e ficar gostosa, porque se depender de mim, acho que você vai estar com uns quilinhos (quilões) a mais, me desculpa por isso também. Se eu for, e tudo acabar sendo um fracasso, saiba que eu tentei, tentei de verdade, pra que você fosse feliz, tanto profissionalmente, quanto pessoalmente, talvez pra que você fosse uma Luiza mais forte, decidida, que soubesse se virar sozinha. E se tem uma coisa que ta apertando meu coração mais que tudo, é pensar em ficar longe das poucas, mas tão necessárias pessoas que você encontrou por aqui pelas alagoas, e que pelas bandas natalinas (rsrsrs lembra como seu humor era bem fodidinho, né? Espero que pelo menos nisso tenha tido uma evolução) você nunca vai encontrar.

Enfim, é isso, deixo aqui meu pedido de desculpas, se minhas escolhas de hoje não te agradarem tanto, eu tentei. Tomara que você leia esse texto, e pense: nossa, como eu escrevia mal, ainda bem que me formei e hoje sou uma das melhores roteiristas/redatoras/escritoras desse brasilzão de meu deus, graças as minhas escolhas de 2014, e ainda sou casada com aquele jornalista gostoso e a gente é bem rico e um casal muito do famoso e gatos super top rsrsrsrsr. Se eu não for, muitos vão me chamar de covarde, e você sabe como eu sou, eu fico mal sim, com o que pensam de mim, mas espero que aí você consiga me honrar e mandar um: se fode vocês a escolha foi minha e hoje eu to feliz. E independente de ir embora ou não, saiba que dá pra tentar ser feliz com os dois, agora aí já não é mais comigo... quer dizer, até é, é comigo, com a Luiza de 2015, a Luiza de 2016, 2017 e com você; não deixem o fardo todo nas minhas costas.