segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Take a sad song and make it better…

Tudo começou em novembro de 2015. Eu estava recém-separada, sim, recém-separada, na verdade eu tento esconder isso de todo mundo, porque sempre acho que é uma mancha na minha vida, mas, sabe, é quem eu sou. Sim, eu morei com uma pessoa, com quem tive uma ótima história durante mais de 1 ano. Nosso relacionamento acabou, de forma não amigável, fiquei sem chão quando ele confessou “não ter mais saco pra mim”. Precisava, então, aprender a ser solteira novamente. Comecei a fazer novas amizades e a ter uma vida social mais intensa. O tempo passou. Saí muito, fui chamada pra projetos de pesquisa na faculdade, que aceitei pra ocupar a cabeça, voltei a ler, resgatei velhos amigos, fiz programas diferentes (tipo ir num show do Safadão), fiquei com tipos diferentes, como um surfista, um músico e até um bolsominion. Enfim, exercitei minha liberdade.

Tudo que eu fazia era pra tentar me curar de algo que tanto em fez mal e deixou minha auto estima que já não era lá essas coisas, mais baixa ainda. Havia dias em que era realmente complicado. O desânimo batia, a tristeza imperava, o coração ficava agoniado e a alma só pedia por um pouco de abrigo. Só quem já passou por uma baixa de energia entende tão bem o quanto é difícil em determinadas circunstâncias, recolher forças pra ajeitar o corpo, dar a volta por cima e de cara limpa, seguir em frente. É necessário continuar. Não é fácil, pode não ser imediato, mas pra sair do fundo do poço a gente precisa de uma dose absurda de coragem.

Mas enfim, não importa o que te deixou pra baixo, a primeira atitude a ser tomada é escolher dar um basta nessa situação. Tem gente que realmente fica amiga da dor e chega até a curtir aquela solidão meio bucólica. Decidir ser feliz novamente e essencial. A cada afastamento, eu percebia mais claramente que poderia ser feliz sem ele. O foco da minha vida agora era eu mesma. E assim fui. Decidi então também sair da minha zona de conforto. Coisas simplesmente incríveis acontecem quando a gente decide se aventurar por um caminho que nunca tinha imaginado trilhar. Tentei desde dar uma chance ao Tinder, ao bar de rock que sua amiga tanto gosta, ou ao boteco na praça onde seus amigos sempre se reúnem pra rir e tomar uma cervecinha. Sempre existe a possibilidade de conhecer gente interessante e diferente, que vai arrancar aquele sorriso mais gostoso e sincero. Na pior das hipóteses, me enchi de coragem pra descobrir o que tinha do lado de fora da porta. E a surpresa veio de onde eu menos esperava: do Twitter.

As pessoas podem te surpreender. Você se acostuma com a imagem delas de um jeito, presas aos seus papéis, elas são desse jeito. E daí elas fazem algo e você vê que há esse interior e dimensão que você nunca pensou que existisse. Mas de que importa tudo isso? Elas são quem elas são e estão designadas a terem um papel importante na vida dos outros. Todos fazem a diferença, com todos os seus defeitos e qualidades.

Quando tentamos nos afastar da dor, nos aproximamos da felicidade. Me afastei do medo. Dizem que quando alguém tem a intenção de nos machucar, o melhor desprezo é não dar atenção a ele; quer dizer, não deixar que a pessoa diminua nossa autoestima e ignorar suas mensagens negativas.

Um ambiente tóxico e conflitivo teve uma capacidade de contaminação devastadora pra mim.

A vida é muito curta para viver angustiada. Por isso, se aproxime de pessoas que a tratem bem e se distancie dos que não o fazem. Sem remorsos. Foi o que eu fiz.

E então eu conheci alguém que quase tão quebrado quanto eu me fez ver que eu tinha o direito de tentar viver uma nova história. Então me aproximei de uma pessoa que me faz sentir bonita, inteligente, engraçada e muito desejada. Comecei algo bonito e tranquilo, sem pressa. Não havia motivo pra não deixar outra pessoa entrar na minha vida se ela só quer vir pra somar. Temos um prazer enorme em passar horas juntos, nas fases boas e nas difíceis, temos gostos parecidos e, principalmente, carinho e respeito um pelo outro. Hoje, ele é importantíssimo pra mim, mas o foco da minha vida sou eu. Esse foi o grande passo transformador.

Um professor meu, sempre diz algo nas aulas, que acabei lembrando agora. Ele sempre diz que o passado não existe. O passado não existe na realidade, só existe em nossa mente, em nossa memória. Lembrá-lo conscientemente afetará nossas emoções. Isso é sério. Não se feche, as pessoas estão lá, esperando por você. Você só precisa aceitar seu passado, e dizer: acabou, estou me despedindo da sua lembrança! Vou aproveitar meu presente!

Seja sozinho, ou com alguém que te ajude, a vida sempre segue, e mesmo que fique a mágoa de alguém que lhe fez tanto mal, um dia passa, as pessoas não são igual e to começando a aprender isso. O que nunca pode mudar é a sua capacidade de amar. Comece sempre por você mesmo.

Ainda tenho um longo caminha a percorrer, mas otimista, que alguém ao meu lado vai me ajudar. As coisas ruins acontecem pra te fazer aprender.