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quarta-feira, 29 de junho de 2016

Contracorriente


Hoje é dia 29 de junho, dia de São Pedro, feriado, todos os meus amigos estão tomando uma cervecinha essa hora, e eu não estou junto pois: sem granas, e morando no interior. A vida é dura pessoal. Mas enfim, estou em casa e decidi assistir alguns filmes, e como estou tentando aprender/aperfeiçoar meu espanhol, decidi fazer uma lista de filmes latino americanos para assistir no netflix. Não foi meu primeiro contato com filmes latinos, já tive ótimas experiências, mas o filme que eu assisti hoje me deixou muito mexida e motivada a falar sobre, justamente pela coincidência do dia em que resolvi assisti-lo.

Já é dia 29 pois já passa de 00:00, mas ontem, dia 28, foi o dia internacional do orgulho lgbt. A causa é celebrada mundialmente no dia 28 de junho, depois de um episódio de resistência em Nova York, em 1969. No bar Stonewall Inn, ponto gay da cidade, os frequentadores se voltaram contra as frequentes batidas policiais às quais eram submetidos. No ano seguinte, foi organizada a primeira parada gay do mundo, para lembrar do ato.

Por coincidência, o filme que eu resolvi ver foi o peruano Contracorriente (2009), sem ler sinopse nem nada, o que foi até bom, porque a surpresa foi muito melhor. Não costumo falar de filmes aqui porque não entendo muito de cinema, mas eu tinha que falar pra vocês sobre esse que é maravilhoso.

Contracorrente é o primeiro longa-metragem do roteirista e diretor peruano Javier Fuentes-León, é bastante surpreendente. É inesperado, corajoso, e muito bom. A ação se passa num povoado de pescadores no litoral do Peru, uma sociedade de terceiro mundo, latino-americana, pobre, religiosa, e portanto conservadora, apegada a tradições, machista.

Fala de infidelidade conjugal e de homossexualidade. De enfrentamento das regras sociais, de ruptura com os comportamentos esperados, de quebra de tabus.

A trama criada por Javier Fuentes-León tem um pouco de Dona Flor e Seus Dois Maridos: o amante morto do protagonista continua presente, exatamente como Vadinho continuava presente na vida de Flor. Dona Flor, o romance de Jorge Amado, é de 1966.

O maravilhoso é que tudo funciona. É, repito, uma bela história, um bom filme – sensível, honesto, corajoso, bem intencionado, tão correto na moral quanto no talento com que é realizado.

Quando estamos chegando aos 9 minutos de filme, vemos que Miguel e Santiago têm uma relação de amor.

Ainda estamos no princípio da narrativa, e o filme mostra um sexo, bem massa, por sinal, dos dois.

A fotografia do filme é um esplendor. Há paisagens magníficas, realçadas pela fotografia maravlhosa. Há tomadas subaquáticas de qualidade de tirar o chapéu. Mas o que mais impressiona são as atuações. Não há ninguém no elenco com atuação ruim.

O ator que faz o protagonista Miguel, Cristian Mercado, é boliviano, tido, segundo o IMDb, como um dos mais destacados atores de teatro do seu país. Sua filmografia, pequena ainda, com nove títulos.

Manolo Cardona, que faz o forasteiro Santiago, é colombiano; tem 22 títulos no currículo, inclusive diversas minisséries da TV da Colômbia.

A única peruana entre os papéis principais do filme é Tatiana Astengo, que faz (muitíssimo bem) o papel de Mariela, a mulher que o marido trai com outro homem. Tem 27 títulos no currículo.

É a não aceitação do próprio Miguel com sua afeição por Santiago, é a mulher Mariela, grávida, apaixonada, tentando resgatar um casamento sem saber como, é o amor, e a devoção de Miguel pela mulher, o filho e o amante de maneira intensa e o sofrimento justamente por isso, é o medo e a discriminação de amigos, são segredos, religião.

Ciente do suicídio social que seria assumir sua homossexualidade em um ambiente inóspito como aquele, Miguel é obrigado a repensar seu próprio preconceito ("Eu não sou aquilo", afirma ele para Santiago, em certo momento) para resolver a angustiante situação em que se encontra. Assim, é interessante notar que ele só começa a aceitar de fato sua natureza homossexual quando consegue viver sua paixão sem julgamentos externos, o que só é alcançado na interação com o fantasma de Santiago. Mas, nesse ponto, é o pintor quem deseja partir, algo que, somado às fofocas surgidas depois que indícios da relação entre eles foram descobertos na casa do então desaparecido, coloca Miguel em uma encruzilhada que se torna o centro da narrativa (e certamente justifica o título do longa): ou ele vai contra seus sentimentos em prol da manutenção do prestígio social, ou enfrenta suas próprias inseguranças e abraça sua verdadeira natureza para que possa viver plenamente com si mesmo e com a memória de Santiago.

Optar por esta última opção, obviamente, não é uma tarefa fácil, já que o preconceito faz parte do dia-a-dia daquelas pessoas mais do que elas mesmas conseguem notar.

A presença da igreja, além de ressaltar o aspecto conservador da comunidade, surge como uma oportunidade perfeita de alfinetar uma instituição que, ao mesmo tempo que condena a homossexualidade, prega mensagens de aceitação e amor ao próximo. Também não à toa, Miguel utiliza constantemente (não tira nem durante o sexo) um terço pendurado no pescoço, representando sua submissão ao conservadorismo que o cerca - e Fuentes-León demonstra inteligência ao fazer com que o personagem abandone o objeto minutos antes de alterar de vez sua postura.

Por fim, Contracorriente ainda consegue ressaltar que, enquanto uma pessoa não parar de se importar com o que os outros pensam sobre ela, nunca conseguirá ser plenamente feliz e realizada. E, por mais forçada que seja a sutil mudança de comportamento do povo de Cabo Blanco, a mensagem arrematada nos minutos finais é eficiente, contundente e universal: quando se trata de ser humano (um ser sujeito a sofrimentos e imperfeições), a intolerância é nada menos que abominável.

Toda forma de amor deveria ser bem vista aos olhos de todos, o grande foco do preconceito está no fato de que as pessoas não sabem definir o que seja, efetivamente, o amor ou formas de amar. Não há melhor amor, amor mais bonito ou amor mais certo. Apenas amor. O amor não faz distinção entre sexos, condição financeira, raça ou religião. A partir do momento que percebemos que o amor é um só, para todos, começaremos a entender que todos são iguais e tem os mesmos direitos e obrigações.

Meu conselho pra vocês, hoje, é esse, vejam esse filme, e também sejam livres pra amarem do seu jeito é claro.


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Vamos falar sobre a cultura do estupro?


Todo momento é um bom momento pra se debater sobre esse assunto, mas ESSE momento não poderia ser menos propício.

Todo mundo que tem acesso a internet, facebook, twitter, já sabe que, recentemente, uma moça foi drogada e estuprada por mais de 30 homens, segundo eles mesmos. Como se isso já não fosse um horror por si só, eles ainda a filmaram nua, mostrando suas partes, fazendo piadas com o estado em que a deixaram. Fazendo piada com o número de homens que a estupraram enquanto a mesma estava inconsciente.

Eu tenho uma conta no twitter, e o vídeo apareceu na minha timeline, eu abri, mas confesso que não aguentei ver até o fim, e só fiquei sabendo que tinham sido mais de 30 homens pelos posts que as pessoas, também indignadas, fizeram depois. Queria eu que fosse mentira.

MAIS DE 30 HOMENS.

Foi impossível, eu, como mulher, vulnerável nessa sociedade escrota e patriarcal, não me colocar no lugar dessa menina, foi impossível não chorar ao ver a declaração da mesma dizendo que quando acordou tinham 33 caras em cima dela. Eu não consigo nem imaginar o seu desespero.

A violência contra a mulher é tão naturalizada, que não só a estupraram, também filmaram e postaram na internet, isso quer dizer que, por mais que uma certa maioria tente negar e relativizar isso, NÓS VIVEMOS NA CULTURA DO ESTUPRO, SIM. Isso poderia ter acontecido comigo, com você. Isso não é doença, nem loucura, é a naturalização da perversidade contra nós mulheres. A tolerância e a normalização acabam incentivando ainda mais as atitudes violentas.

E aqui estamos falando do que é aceito como normal pela sociedade. Se você for mulher, tenho toda a certeza de que já passou por ao menos um episódio de abuso, seja na rua recebendo uma cantada, no transporte público com homens encostando em você ou mesmo dentro de um relacionamento quando a outra parte envolvida não soube aceitar um “não”.

Alguns dos comportamentos e atitudes que ajudam a reproduzir a cultura do estupro são:

- Achar que estuprador é só aquele cara desconhecido que ataca uma mulher no meio de uma rua escura, às 2h da madrugada.

- Achar que existe um meio-termo quando se trata de estupro.

- Romantizar a conquista a qualquer preço e achar que um ‘não’ pode significar um ‘sim’ se ele não é dito com ênfase.

- Culpar a vítima e praticar ‘slut-shamming’.

- Cantadas de rua também ajudam a perpetuar a cultura do estupro.

- Dizer que a vítima pode evitar o estupro.

- Roupas e acessórios “anti-estupro”.

- Piadas de estupro.

- Medo de denunciar é algo normal numa sociedade que culpa as vítimas, não acredita nelas ou vê o estupro delas como algo menor, desde a polícia e o médico legista até a família.

- Minimizar quando o estuprador é famoso.

- Minimizar o estupro quando ele acontece com minorias.

- A “Friend Zone” é a ideia de que um “cara legal” possa ser colocado em uma zona de amizade sem sexo por uma mulher próxima que injustamente não percebe que ele é o par romântico perfeito pra ela. A narrativa da friend zone coloca o foco no sexo como uma recompensa por ser uma boa pessoa.

Se homens estupram em nome da sua masculinidade, mulheres são estupradas em nome da sua feminilidade. A mulher, quando nega uma relação sexual, é vista como alguém que provoca o homem, mas na hora H, não quer sexo. E é aí que aparece a culpabilização. As vítimas de estupro aprendem a se sentirem culpadas. “Alguma coisa elas fizeram pra merecer isso”.

O uso da força é o requisito básico do comportamento masculino que as mulheres foram treinadas desde a infância a temer. Desde pequenas, não estamos em pé de igualdade nesta competição. Quem nunca ouviu que “brincar de lutinha é coisa de menino”, por exemplo? Enquanto eles são incentivados a buscar a força física, somos incentivadas a brincar de casinha.

O estupro deve ser visto como uma forma de violência, poder e opressão masculina, uma forma consciente de manter as mulheres em estado de medo e intimidação.

Que fique bem claro então: estupro não é um crime relacionado a sexo ou desejo sexual. O estupro se refere a uma relação de poder: trata-se de um processo de intimidação pelo qual os homens mantêm as mulheres em um estado de medo permanente.

Assim, ao observar a nossa sociedade nos dias de hoje, podemos claramente enxergar como a cultura do estupro continua viva. Hoje a sociedade ainda leva em consideração a maneira como a vítima está vestida e até mesmo sua vida e hábitos. Se a mulher está vestida de forma tida como provocante, isso é considerado um atenuante para o agressor. Se ela tiver vários parceiros, beber demais ou voltar muito tarde para casa, também.

As mulheres vêm obtendo êxito na conquista de certos direitos sociais e progredindo em direção à igualdade de gênero. Mas a desigualdade, no entanto, ainda não foi totalmente ultrapassada, sendo um reflexo da tradição patriarcal da sociedade.

Uma coisa fica nítida: as mulheres não são vistas como seres com vontade própria, são consideradas propriedade dos homens. Cabe às mulheres obedecerem às regras masculinas – ser feminina, falar baixo, aceitar ser vista como objeto sexual pois “homem é assim mesmo”. E quem não aceita as tais “regras masculinas” é culpada por tudo o que lhe vier a acontecer.

Enfim, pra não me alongar mais, a cultura do estupro é uma estrutura onde a mulher é culpada por qualquer constrangimento sexual que venha a passar. Uma sociedade que acha normal uma mulher ser constrangida na rua por uma cantada; normal uma mulher ser estuprada por estar bêbada ou usando roupas curtas; normal uma mulher ser forçada a fazer sexo com o companheiro, afinal, ele é seu marido ou namorado; normal uma mulher ser vista apenas como objeto para satisfazer as vontades alheias; normal uma mulher ser intimidada por homens heterossexuais quando é lésbica, porque na verdade ela tem que aprender a gostar de homem. E é exatamente essa normatização que precisa ser combatida.

Toda a minha empatia para essa moça, as pessoas que fizeram essa barbaridade com ela serão punidas, e eu como mulher me sinto muito aliviada, mas o que ainda me deixa triste é saber que as outras mulheres que são estupradas todos os dias e não são veiculadas na mídia, continuarão com o terror de terem seus estupradores livres e impunes. Por isso, eu imploro para que todas as mulheres se unam. Cuide da sua filha, da sua irmã, amiga, colega de trabalho, da desconhecida que está bêbada em uma festa e que se perdeu. Cuide da mãe que não encontra a filha e está pedindo ajuda. Cuide da sua avó. Cuide da professora que não está ouvindo os absurdos sobre ela durante a aula. Cuide de mim.

Uma jovem foi violentada por 30 homens e eu não pude cuidar dela. Eu não pude proteger o seu corpo e alma. Mas eu posso cuidar de você. E você de mim.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Vão-se o anéis, ficam-se os dedos...

Eu nunca entendi bem esse ditado, e sempre tive dúvidas se o certo era “vão-se os anéis, ficam-se os dedos” ou “vão-se os dedos, ficam os anéis” mas, melhor que se vão os anéis e que fiquem os dedos, né? Já pensou se os dedos se fossem? Onde eu colocaria os anéis? Se bem que nem gosto muito de anel. Então nada disso faz sentido, foda-se.

Pensei no título, por conta de todo esse “bafafá” com o casal mais lindo e feliz deste planeta chamado Terra, Gisela Bintian diva destruidora brasileira humilde riquíssima e Tom Brady



“Bafafá”, essa palavra deve estar na lista das 5 palavras mais maneras que eu conheço, são elas:

1- Tabaco (pelo duplo sentido na minha cabeça sim)
2- Lambisgoia
3- Bafafá
4- Sirigaita
5- Gaiato

Enfim, eu não preciso explicar o que aconteceu né? Mas se você não sabe, pesquisa no google, por favor, tô com preguiça de explicar.

Olha gente, não tô aqui pra falar de vida de famoso (já tá falando sua estúpida), só queria fazer umas análises. Parece meio idiota a gente “se doer” por algo que acontece com esses famosos tão intocáveis né? Mas é que tem aqueles casais perfeitos, que você acha que vão ser felizes pra sempre, que nunca vai dar merda, que até lá na sua cabeça de adolescente nos contos de fadas te dá uma esperança de que existe um relacionamento perfeito, aí “boom”, dá merda do mesmo jeito. Acredito que sim, isso meio que me fez perder um pouco a fé na humanidade, que já andava lá meio abalada depois que vi uma pesquisa sobre em quem os brasileiros votariam para presidente na próxima eleição e o Bolsonaro tava em primeiro lugar. É que pensando por uma linha de raciocínio mais pessimista, ou até realista, se a até a Gisele Bündchen, a GISELE BÜNDCHEN, diva poderosíssima, maravilhosa, top número 1 do mundo, riquíssima, cabelo parece ouro do tanto que brilha e ainda voa quando o vento bate, foi (supostamente) traída, o que será de nós meras mortais que compramos uma base da mary kay chorando por causa do preço. Vão me criticar porque tô julgando uma atitude assim, pela beleza dela? Julguem. Até porque nem seria só pela beleza, mas é que ela é a Gisele Bündchen, sabe? Eu se casasse com uma mulher dessa, fazia um altar pra ela e me ajoelhava toda noite antes de dormir. Mas vamos lá, com toda história, pra quem vai a culpa de tudo isso mesmo????? Mas, é claro que vai pra babá piranha ladra de marido, e também, por que não, pra própria Gisele? Quem manda contratar uma babá gostosa e colocar dentro de casa né, gente? O marido, tão indefeso, pobre coitado, não teve como se livrar das garras da babá predadora. PUTAAA MERDAAAAAA ISSO ME DEIXA MUITO DESGRAÇADA DA CABEÇA, principalmente se quem fala isso é uma mulher.

Claro que isso não é um caso isolado, é sempre comum numa traição, a culpa ser sempre da mulher, que é uma piranha, ou que não deu “assistência” no casamento. Esse tipo de atitude tá intimamente associada a essas nossas malditas raízes patriarcais. Parece que vocês não vão evoluir nunca. Hoje, falamos abertamente de sexo, fazemos nossas escolhas, temos direito a ter uma vida social independente, queremos ter sucesso em nossas carreiras. Mas, pagamos um preço alto por isso. Somos sempre julgadas por nosso comportamento. Outro dia li um texto que dizia “não importa o que você faça, em algum momento de sua vida, você será chamada de piranha, vagabunda ou coisa do gênero”. E é verdade. Todos estão sempre prontos a nos julgar com severidade. “Foi promovida? Só pode ter ‘dado’ para alguém. Foi agredida? Alguma coisa fez para merecer isso. Está reclamando por ser assediada? Quer aparecer, isso sim. O marido a traiu? Foi burra, não cuidou dele como se deve. É infeliz no amor? Também, rodada com é. Não quis sair comigo? Reprimida. Sapatão. Interesseira, só sai com cara rico”. Diante disso vocês ainda acham que é só mimimi de feminista? Não, gente. Ninguém, em momento algum falou sobre a culpa do jogador na história (se é que realmente aconteceu, mas se bem que acho que foi bem verdade). A babá teve sua parcela de culpa? Pode ter tido sim. Mas o maior culpado de tudo foi quem fez um juramento, quem tinha a “obrigação” de ser fiel, ou tô errada? A traição veio dele, não dela, mas ela é a vagabunda da história. E é lógico que a gente precisa desse “mimimi” femista sim, se não quem fala pela gente? O pessoal machista que faz uma manchete “a babá que está acabando com os casamentos de hollywood” ao invés de “o que porraaa tá acontecendo com esses macho de holywood caralho”?

Vivemos dias de muita violência contra as mulheres. Talvez, porque estamos tentando dar mais um passo em direção da autonomia. A reação pode se manifestar fisicamente, com tapas, surras, estupros, ou mais sutil, sob a forma da desqualificação, da difamação, da humilhação. Não sei se nossa situação atual é tão mais confortável que das nossas avós e bisavós. Caminhamos muito, é verdade, mas ainda falta um longo e difícil caminho a percorrer.

Não é tão difícil assim raciocinar, gente, pensa bem, por que diva Gisele carregaria essa culpa? Vocês sabem como é ridículo vocês dizendo “isso que dá contratar uma babá bonita”? Quando ela deveria sim, ter confiança no cara que ela casou porra? Porque a culpa seria da babá se, com certeza, ela não o obrigou a fazer nada? Com certeza ela não amarrou as mãos dele e se aproveitou. Até porque, acho um pouco difícil ela ser mais forte fisicamente que ele, porque, vejamos, não somos nós que diversas vezes nos aproveitamos da nossa força física pra impor uma situação desagradável né? Rsrsrs

Enfim, isso me deixou muito puta da cabeça, mas outra coisa que pensei sobre isso, foi sobre a repercussão que o caso teve. Você imagina o quão o humilhante é ser traída? Beleza que ela é riquíssima e pode curar a dor de corno secando as lágrimas em Paris, enquanto a gente ficaria chorando as pitangas no whatsapp com as miga e vendo foto do cara com a outra no instagram. Mas ainda assim, imagina como deve ser extremamente humilhante você ser traída e isso virar notícia mundial? As “polêmicas” envolvendo celebridades são as notícias que mais atraem atenção, apesar dos grandes problemas que a humanidade enfrenta. E as pessoas respondem enlouquecidamente a esses estímulos: defendem ou atacam o comportamento dos famosos, acompanham cada passo de suas vidas, ficam indignados com as críticas. Eu acho que esse é um dos lados obscuros da fama. Eu gostaria de chorar minhas dores quietinha, sem ninguém ficar sabendo.

Será que, realmente, não existe um relacionamento perfeito? Porque depois dessa tô até com medo de aparecer a notícia, “Rodrigo Hilbert trai Fernanda Lima, veja fotos.” Aí sim, minha fé em relacionamentos (e maridos) perfeitos estaria destruída. Será que a gente nunca vai parar de sempre culpar a mulher pelas ações errôneas dos homens? Como diria outra diva destruidora, Valesca Popozuda, “a b... tem poder”. Mas, queremos mais. Eu tenho esperanças, de que um dia nossa sociedade comece a realmente viver no século XXI, e deixe as raízes coloniais pra trás.




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Não é você...

Seguinte, digamos que eu tenha uma teoria. Se você tá comendo uma torta muita da gostosa, daquelas que você passa todo dia em frente à padaria que fica na esquina da sua rua, e fica olhando igual ao Chaves olha pra um sanduiche de presunto, você vai pensar: “Ah, essa torta é gostosa demais pra mim, eu não mereço tanta cobertura assim, e esse recheio MARA (rsrs), eu sou muito problemático, não sou digno de tal especialidade culinária, melhor seria deixá-la aqui quietinha na geladeira para que outra pessoa, melhor do que eu, venha até a mesma e a coma, porque o problema não é com ela, ela é boa demais, o problema é comigo”? Acho que não né? Porque eu mesma, se to comendo algo gostoso eu como é tudo pra ninguém mais comer, e se não aguentar comer tudo na hora, eu escondo o resto pra ninguém ver e eu poder comer depois, confesso.

Eu penso desse mesmo jeito quando alguém termina um relacionamento com a famigerada frase: “O problema não é com você, o problema sou eu...”. Não deve existir alguém na face da terra que deva achar isso algo gentil, só pra não ouvir que é chata, que usa roupas estranhas, ou que engordou, é lógico que você vai saber do mesmo jeito que o problema foi você, só por ser você. Não existe isso, ninguém termina com alguém porque a pessoa é boa demais.

Deve ser por isso que eu vejo cada vez mais as pessoas desacreditando nos sentimentos (sim, eu também falo de sentimentos) mais bonitos e mais daora dessa vida. Parece que ninguém mais se importa com ninguém.

Se você diz que gosta de alguém, hoje em dia, não seria um motivo para aproximações, e sim para respostas como: “ainn vai pra lá com esse papo, to fora” “ainn é que eu já sofri demais com essas coisas, não quero passar por isso de novo”, parece até uma vingança com alguém que não tem nada a ver. As pessoas inventam histórias como se estivessem lidando com crianças recém-nascidas. Se a sua vontade é ir embora e nunca mais ligar, então que seja dito, não algo como: “Ah eu acho que você gosta mais de mim do que eu de você.” Isso é uma das piores coisas de se ouvir.

“Olha só, você é uma ótima pessoa, o problema realmente é comigo, não com você” Mas é lógico que o problema é com vocês que dizem uma coisa dessas. Custa dizer que cansou? Que não quer mais nada? Não to dizendo que ninguém é obrigado a gostar de ninguém, não existe um contrato pra isso, também não existe ninguém perfeito, nem quem erra mais ou menos, mas existem os erros e os acertos, não custa nada ser real na hora de dizer “tchau”. A vontade de não machucar só machuca mais.

Eu tento sempre ser mais prática, se a pessoa não queria beleza, coloco o rabo no meio das pernas e sigo em frente, sem dó de mim mesma. Ninguém é obrigado a passar tempo com quem não quer. É mais honesto dizer “eu quis, ele não quis e estou triste, uma hora isso vai passar”. Conhecer pessoas novas seria o melhor remédio. Não acredito na ideia de que um novo amor não cura outro, lógico que cura, as pessoas deveriam se permitir mais, acreditar mais, sempre há alguém melhor no futuro.

Imaginemos um mundo ideal com mais maturidade mútua…

- O problema foi seu mau humor incorrigível por isso acho bem difícil seguir em frente. Não sou muito diferente de você, portanto já basta o meu mau humor me pesar. Não lido bem com o seu.

- Obrigada por me dar esse toque, vai ser bem duro daqui pra frente, mas fico feliz que até agora pudemos viver bons momentos.

Por mais cruel que seja, existe o fim da vontade de ligar, de conversar, de perguntar se está tudo bem, existe o fim, não existem desculpas. O que não deve existir é essa falta de respeito com as outras pessoas.

O bom é sempre valorizar, valorizar quem te pede pra avisar quando chegar em casa, valorizar quem transa com você e te entrega o corpo, valorizar quem diz que gosta de você, é tudo uma questão de valorizar o que realmente importa na vida: as pequenas coisas. Não tem porque ver como possessivo alguém que te pede pra avisar quando chegar, é só alguém que se preocupa, não adianta nada ver tudo com olhos egoístas.

Vocês deveriam saber que existe amor dentro das pessoas, mesmo que seja difícil.

Eu consigo entender quando alguém diz que não confia nas pessoas, que todo “eu te amo” “eu gosto de você” é falso, que não quer relacionamentos futuros por traumas do passado, eu só não concordo, porque as pessoas não são iguais, vão existir aqueles que vão te machucar com coisas do tipo “Não é você, sou eu”, e aqueles que vão ser sinceros com você, porque nós sempre enxergamos um fim, e realmente, muitas vezes terão um fim, mas vai chegar o dia em que vai ser pra sempre, ou tão duradouro que terá um sentimento de eternidade.

Bem, o que eu quero dizer com isso? Que eu sou uma filha da puta cheia de mimimi? Sim, eu acabei de me entregar, mas todo mundo tem dessas. O que eu quis dizer também, é que se cada um respeitasse mais o outro, o sofrimento seria menor, o que não é nada muito difícil de deduzir, com tanto egoísmo, tanta intransigência, e tanto “não é você, sou eu”, vocês estão matando o que de melhor nós temos (aí vocês pensa o que é, que vocês sabem, num sou empregada de ninguém não).

Se permitam, conheçam novas pessoas, tentem ser felizes, não se prendam, faz bem ao coração e à alma.

Cabô a autoajuda, desculpa, lê quem quer, adeus.

sábado, 24 de maio de 2014

A vida é o que você faz com a vida

Belas palavras sobre mim:

“Não consigo me esforçar muito pra gostarem de mim, e tem dado resultado, não muitas pessoas gostam." (eu)

"E eu que achava que você era uma menina doce e fofa..." (colega da escola).

"Os homens têm medo de você porque você é igual a eles" (ex-colega da escola).

"Não gosto de você, mas você continua sendo gostosa" (ser do sexo masculino com quem me relacionei)

“Você tem medo de falar com as pessoas? Elas não vão te morder, porque ninguém quer você mesmo” (meu irmão)

"Eu gosto de você porque você não liga pra agradar os outros." (grande amigo)

“Tu é muito manera, queria uma namorada assim” (outro grande amigo)

“Eu sei que você tem um sério problema com auto-estima” (amigo)

"É tão divertido quando você diz essas maldades!!!" (prima)

“Para de ver só o lado ruim das coisas, BABAAAAAAAAAAAAAACA, QUERIA ENFIAR UM PAU NO SEU CÚ, pra você ver o que é lado ruim” (mesma prima)

"Você é incrível!" (conhecido meu e ex-drogado)

"Família a gente não escolhe, aceita. E por isso eu vou te apoiar sempre!" (irmão)

"Sua egoísta, ingrata e arrogante!" (irmão)

"Eu sei que a gente erra, mas eu tentei" (Deus se arrependendo de ter me criado)

"Quem não tem uma vida com Jesus vai pro inferno. Não sou eu que estou dizendo, é a Bíblia Sagrada!" (ex-vizinha)

"Você vai pro inferno!" (Bíblia Sagrada)

Faz pouco tempo que não me acho feia e gorda... Eu não saía muito de casa quando era criança porque minha mãe não deixava. Sou bem menos tímida do que costumava ser, mas ainda tenho vergonha de muita coisa. Costumo me meter em confusões de nível novelístico latino-americano, sem querer, é claro. Não suporto pessoas boazinhas - elas me magoam mais que as outras. Não entendo porque toda mulher faz chapinha. Quem definiu que "cabelo liso é bom" e "cabelo não-liso é ruim"? Não sei ser sexy. Também não sou muito vaidosa, não porque eu não goste de me arrumar, é só que eu não sei mesmo. Meu quarto costuma ser bagunçado, muitos livros, blocos de papeis rabiscados, um monte de perfumes e cremes espalhados na cômoda. Roupas no chão, a cama desarrumada. Fazer o quê se eu não nasci pra ser dona de casa? Tenho poucos amigos, daria pra se contar na mão esquerda do Lula. Gosto de ler, escrever, cinema, música e cama elástica, porém ainda ache muita adrenalina pra minzinha que sou cagona. Tem gente que acha que me drogo porque passo grande parte do tempo imaginando situações na minha cabeça e rindo e fazendo caras estranhas sozinha. Acho os maconheiros burros, eles gastam dinheiro com erva enquanto podiam apenas baixar de graça músicas do Ventania na internet. O efeito é o mesmo.

Minha família quer que eu faça algo que eu não gosto só pela "estabilidade financeira". Com o perdão da palavra, nem fodendo! Eu não quero ter uma vidinha medíocre, com um empreguinho medíocre. Isso não é viver. "Ah, mas você trabalha pra ter seu dinheiro e faz o que quiser no final de semana". Eu vou facilitar pra você: 5/7 da sua semana você se dedica a um trabalho de merda, pra ter apenas (e talvez) 2/7 de paz? Você acha que eu quero passar 5/7 da minha vida adulta sentada numa cadeira de escritório, cercada de pessoas invejosas e falsas, recebendo ordens de um chefe barrigudo rançoso? Eu ainda não sei qual é a profissão dos meus sonhos, mas sei que definitivamente não envolve rotina e pessoas sem graça.

Eu quero casar e ter filhos. Por que falar isso é brega hoje em dia? "Ah, você quer casar e ter filhos? Que coisa ultrapassada…" É, e você quer o quê? Envelhecer sozinha num asilo sem ninguém que te ama ou se importa de verdade? Claro que casamento é uma merda, eu sei disso. A paixão acaba. Mas quer saber, a paixão sempre acaba. Alguma hora ela vai acabar, não adianta mudar de marido, de namorado. Essa é a ordem natural das coisas. (estou numa fase de aceitar a realidade sem resistência). Quando eu gosto de alguém eu realmente me apaixono pelos defeitos dessa pessoa. Não é como "nossa, ele é tão esquisito!" (cara de constrangimento), é " nossa, ele é tão esquisito!" (olhos brilhantes). Depois o pau quebra, mas depois a gente dá um jeito. (EU ESPERO QUE SIM!)

A vida é o que você faz com a vida. Por isso, em momentos ruins, ao invés de culpar as pessoas que estão à sua volta, culpe você. Afinal, a vida é o que você faz com a vida.

Ainda não inventaram nenhuma receita de como aproveitar a vida. Cada um tem o seu jeito, sua maneira e sua forma de transformar a vida em algo memorável. Ou, pelo menos, era pra ser. Afinal, a vida é o que você faz com a vida.

Tá faltando você viajar com seus amigos. Tá faltando uns tombos de escada nessa sua vida. Você precisa de marcas para tornar a história mais verídica quando for contar sobre como aproveitou a vida. Afinal, a vida é o que você faz com a vida.

Há quanto tempo não mijo nas calças de tanto rir? Porra, eu nem me lembro quando foi a última vez que eu me mijei de tanto rir. E sim, eu já me mijei de tanto rir. Faz bem pra saúde. E mal pra calça.

Pois bem, aqui vamos nós. Eu tô passando por uma fase um pouco complicada, confusa e meio turbulenta. Mas isso não te interessa. Não interessa a ninguém que está lendo este post. Não interessa nem a mim.

Já parou pra pensar em como o seu dia pode ser útil e (ao mesmo tempo) ser inútil? Todo dia eu chego nessa conclusão e acabo me perguntando: “Por que diabos eu estou viva?”. Ninguém me responde. Nem Deus, nem uma alma penada, nem um filósofo e nem uma música do John Lennon conseguem me responder esta dúvida. Será que não tem algo de especial que nos mantenha animados suficientes para caminharmos para o escuro? Sim, pois o futuro é escuro.

Você não sabe quem vai estar lá, aonde é e nem sabe onde vai dar. Você apenas caminha por um túnel escuro, esperando a luz no fim dele. O foda é quando essa luz chega antes do esperado ou quando ela demora pra chegar. É o futuro que te domina. É o futuro que vai chegar sem aviso prévio e determinar suas atitudes. É o futuro que vai dizer se você vai rir ou chorar. É o futuro que vai te dizer se damos “até logo” ou se damos “boas vindas”! É o futuro que manda.

Viver dói, né? Talvez esse texto soe um pouco mais triste do que eu gostaria. Não é que eu me sinta angustiada, mas parece que ainda falta muito para eu ser feliz de verdade, ou talvez nunca aconteça. Mas não me importo de estar sempre olhando para o futuro ou o passado, o presente me dá tédio. São as lembranças e a minha imaginação que me dão força.

Quando eu vejo a vida de outras pessoas que sofreram muito mais do que eu, me sinto uma idiota. Mas, sabe, nenhuma dor pode ser subestimada. Cada um tem a própria realidade. Me comparar com crianças aidéticas da Serra Leoa não faz sentido, mesmo porque seria impossível. Sempre vai haver alguém mais triste ou mais feliz que você. Ainda não sei se devo me sentir culpada por não estar satisfeita, ou se devo me sentir aliviada por não me acomodar com o que tenho. Afinal, alguém que está satisfeito não precisa mudar.

Eu tenho medo desse mundo. Ninguém gosta de ninguém espontaneamente. É uma rede de interesses. Acho que tenho sorte de não ter muito o que oferecer, as pessoas que se aproximam devem gostar mesmo de mim. Sei disso porque quase ninguém se aproxima. É difícil se relacionar com os outros quando você nem consegue emitir alguma palavra interessante diante deles.. É muito difícil fingir, e é triste saber que é uma das coisas que eu vou ter que aprender para obter respeito. Porque por enquanto eu sou vista apenas como alguém frágil, inadaptável. Quando na verdade é justamente o contrário, eu me transformo facilmente, quando quero.

Tenho medo de nunca encontrar o que eu procuro, ou de descobrir que o que eu procuro não existe. Se isso acontecer eu vou ter que me forçar a mudar. Aí vou ter que ficar gostosa, o que vai ser muito difícil, pra conseguir alguma coisa.

A única vantagem de não ser ninguém é que pelo menos se é alguém. Pois então, eu sou alguém, é fato.

Visto que sou um elemento - e humano. Mas mais coerentemente seria um elemento de metal, o qual pode ser encontrado em algumas residências de pessoas metidas a cult, chamado Pêndulo de Newton. Eu seria isso, um lado vai pra lá, ou outro cá, de novo pra lá, depois cá, lá, cá, lá, cá - e isso tudo, irrefutavelmente, sem sair do lugar, presinho à cômoda da sala. Tenho minhas dificuldades de orientação mental e emocional.

Podia ser mais fácil, assim como sonhar é fácil, assim como fechar os olhos e imaginar é fácil. Mas não é. Porque pensar é simples, a imagem está lá na sua cabeça, e por mais embaçada que seja, não pode ser mais confusa que um Salvador Dali. Mas existir fora da própria cabeça... Ah, isso não é simples. É preciso de um mundo inteiro te reconhecer. 'Um' mundo e não 'o', já que existem vários mundos dentro desse.

Enfim, enfim, eu só queria ser alguém, num mundo que vai além do mundinho dentro da minha própria cabeça.

*galera, num acha qu eue tô em depressão não, tá? bj, obg, de nada