segunda-feira, 30 de maio de 2016

99% querendo fugir, mas aquele 1% gritando "Vai Safadão"

Oi amiguinhos, tudo bem com vocês? Hoje eu tô aqui pra contar pra vocês como foi a experiência de ir pela primeira vez a um show do fenômeno das interwebs, Wesley Safadão.

esse cara aqui
Antes de tudo vamos falar sobre minha relação com o referido cantor. Eu já havia ido a um show do Wesley Safadão, quando era mais nova, gostava de festa hétero (não sabia o que era realmente bom) e era forrozeira do interior, mas nesse tempo não fui pra um show do fenômeno Wesley Safadão de coque samurai, fui pra um show da banda Garota Safada, que ele era o vocalista e ninguém sabia quem porra era esse cara, então não considero muito.

Eu gosto das músicas do Wesley Safadão? Olha, gente. Não sei dizer ao certo. Não é lá meu estilo de música preferido, mas é que hoje em dia eu escuto de tudo, então, é, acho que gosto, se estiver em uma festa e começar a tocar “vou dar viroteee, vou dar viroteee, pode chamar a SAMU que essa vida é pra quem pode”, pode acreditar que eu vou levantar o copo de cerveja e rodar, porque nóis se adapta em qualquer lugar, né nom? E olha, eu realmente acho as letras divertidas, é isso.

Mas vamos lá, eu posso dizer pra vocês que, de certa forma, eu admiro esse cara, eu realmente acho ele foda, vou explicar o porquê. Lógico que tem muita gente que realmente gosta dele, e com certeza não é aquela pessoa que compartilha “Respeita o Safadão” no facebook pra ser engraçada, é a pessoa que vai pagar pelo ingresso pra ir no show dele. Tem aquelas pessoas que “amam” o Wesley Safadão, não a música dele, inclusive se você pedir pra cantar 3 músicas dele, a pessoa não vai saber. Essas pessoas amam o personagem Wesley Safadão, e eu acho que essas pessoas amam esse personagem, exatamente pela forma sincera em que ele se transformou no mesmo. Porque, vejamos, pra quem não sabe, o Wesley Safadão era um cara do rock, acho que do metal, ele é um cantor que tem uma capacidade técnica, não que eu entenda de música, nem sei se ele era bom no que ele fazia antes, mas a verdade é que ele tem um treinamento e uma capacidade que a esmagadora maioria dos cantores de forró não têm. E então ele optou em partir pra um ramo da indústria da música que de fato dá muito dinheiro, tanto que hoje ele é um cara milionário. Ele é um cara que parece ser super gentil e agradável com os fãs, vira e mexe você vê umas notícias do tipo “meu carro tava atolado e o Wesley Safadão me ajudou a desatolar”, sabe, a forma como ele interage também é do caralho, como quando o Felipe Neto falou alguma merda dele, e ele respondeu convidando o cara pra um show dele, e sei lá, as pessoas gostam disso, eu gosto disso, de gente humilde etc. Enfim, pra finalizar, pra mim ele é um cara extremamente talentoso, inteligente, que soube usar o personagem “Safadão” em favor dele, tanto que a banda hoje leva o nome dele, a galera deveria ser um pouco menos preconceituosa e querer ser a detentora de toda a cultura musical do país, e se achar superior por ouvir ou não ouvir certo tipo de música, como já falei em outro texto aqui (olha as propagandas descaradas rsrsrs).

Mas enfim, o caso é que o tipo de show “Safadão” não é nada o estilo de festa que eu frequento. Nunca passou pela minha cabeça que um dia eu fosse pagar pra ir numa festa assim, porque, vejamos, é uma festa muito HÉTERO.

Eu sou do lado colorido e purpurinado da vida, frequento festas onde tocam RuPaul e Lady Gaga, e eu posso rebolar muito a raba sem ninguém me julgar. Não quero dar uma de “ainnn odeio héteros”, mas é que se tem uma coisa que combina com festa LGBT, essa coisa é LIBERDADE. Liberdade de ser quem você é, sabendo que ninguém vai julgar você ou gritar BOLSONARO 2018 aos 4 ventos.

Então, como eu fui parar nesse show? Um amigo meu, que inclusive, também não costuma frequentar essas fextinhas topppp topzera, me convidou pra ir com ele, no início eu não quis, mas depois ele insistiu, seria algo diferente, e enfim, eu topei, e também, eu queria ver como era o cara assim pessoalmente, se ele, realmente era tudo isso, e merecia toda essa fama.

Mas olha, EU ME SENTI TOTALMENTE DESLOCADA, os héteros são estranhos, gente, eu olhava pro meu amigo e a gente só sabia se perguntar: “que porra a gente tá fazendo nessa festa hétero???” Vamos lá, vou contar pra vocês como foi essa experiência, depois de tantos anos, estar de voltar a esses tipos de festas.

Primeiro, essa festa que eu fui, se chama “Garota Vip”, acho que deve ser um estilo de show mais longo, sei lá, foi meio caro também, e tinha MUITA gente, mas muita gente mesmo, eu percebi a besteira que tinha feito já na fila pra entrar, mds do céu quê que eu to fazendo aqui, essa gente toda SOS.

Como esse show é meio longo, e o Safadão cantaria até, mais ou menos, 8 horas da manhã, a organização falava nos anúncios pras pessoas levarem óculos de sol, pra amanhecer o dia. E, realmente, várias pessoas levaram os óculos de sol, a gente percebeu porque elas estavam usando eles... 00:00, elas estavam usando óculos de sol, 00:00, nenhum resquício de raio de sol, chovendo, mas ok, gente, eles queriam usar óculos de sol 00:00 e tirar selfie, a gente só tem que respeitar né.

Outra coisa que eu reparei, as meninas nesses shows me parecem ser muito inseguras. Gente, sério, não foi só uma vez que eu vi, mas algumas, algum casal brigando, geralmente as meninas são muito bonitas, e bem arrumadas, me senti até um pouco deslocada por isso, mas o namorado hétero escroto sempre tava olhando pra alguma outra menina, ou dando motivo pra namorada ter ciúmes. Tinha um casal na minha frente, o rapaz queria passar, eu dei espaço, mas ao passar por mim ele pegou na minha cintura, a namorada dele fez uma cara de demônio e deu um murro na mão dele pra ele me largar, eu fiquei foi com medo, pensei que ela ia bater em mim, deus me livre, saí foi correndo, quero confusão com hétero não, muito obrigada.

Algo que me chamou muito a atenção, os héteros amam ficar sem camisa. Mas um, especialmente, me cativou, ele estava sem camisa, mostrando os belos músculos, dançando, daquele jeito que hétero dança, quando ele virou de costas, vi sua tatuagem, e nela estava escrito: NO PAIN NO GAIN


Você não tem onde colocar os pés, vez ou outra você pisa em lata de cerveja, chuta garrafa de água, eu tava dançando e tinha uma garrafa de água perto do me pé que tava me atrapalhando, eu chutei pra mais longe, bateu no pé da moça ao meu lado, ela chutou de volta pra mim porque também atrapalhava ela, eu chutei de volta, ela chutou de novo, eu chutei, ela chut...

Dentre a lama batendo no joelho, as latinhas de cerveja no chão, o passa passa de gente, os pisões no pé, os vários momentos em que não pude me mexer imprensada igual uma sardinha na lata, o close mais errado que eu achei foi um cara estar usando brincos grandes, e estar maquiado, e por onde ele passava as pessoas olhavam e cochichavam entre elas. E esse é justamente um dos motivos por eu não frequentar festa hétero há tanto tempo, o engraçado é que os héteros normalmente têm medo de ir em balada gay e acabar assediado ou agredido de alguma forma, mas a verdade é que a galera LGBT costuma recebê-los bem - desde que não resolvam passar a festa toda importunando casais de lésbicas pra ‘participarem’ - mas a recíproca quase nunca é verdadeira.

Várias vezes me perguntam por que gays em geral evitam esses ambientes e minha resposta permanece a mesma: porque héteros, em sua maioria – não disse todos – não conseguem conviver de boa. Fico bem melhor na companhia das lésbicas bebendo cerveja e das gays batendo cabelo e performando Beyoncé.

Sobre o show do Wesley Safadão, posso falar a verdade pra vocês? Eu achei foda, o cara faz um show como ninguém, cantou por mais de 4 horas, agita o público, interage, conta umas histórias engraçadas (que eu até ri, confesso), até consegui me animar e dancei, enfim, ele faz jus à fama, e merece todo esse sucesso que ele tá fazendo (tirando as 587 vezes que ele mandou todo mundo gritar: vai Safadão, e ninguém precisa saber que sempre que ele mandava eu gritava). Meu problema mesmo é com o ambiente desses shows, sempre lotados, sempre com muitas brigas, e atitudes como a última que citei. Lembrando, que não tenho nada contra os héteros, até sou às vezes kkkk, todo mundo é bem vindo, todo mundo deve ser respeitado, o que eu critico aqui é aquela cultura heteronormativa estereotipada, onde as pessoas que a praticam, geralmente são chamadas de “hétero escroto”.

Aprendi a lição – de novo – e devo ficar mais uns cinco ou dez anos sem pisar em uma festa dessas, a não ser que seja de graça, como já disse, me adapto em qualquer lugar, mas pagar pra passarem o dia todo pisando no meu pé e quase apanhar de namorada ciumenta, to fora. Me encontrem no Orákulo no show da rainha Inês Brasil, pra tomar uma cerveja e cantar undererê, tô fugindo do resto.

E lembrem-se:


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Vamos falar sobre a cultura do estupro?


Todo momento é um bom momento pra se debater sobre esse assunto, mas ESSE momento não poderia ser menos propício.

Todo mundo que tem acesso a internet, facebook, twitter, já sabe que, recentemente, uma moça foi drogada e estuprada por mais de 30 homens, segundo eles mesmos. Como se isso já não fosse um horror por si só, eles ainda a filmaram nua, mostrando suas partes, fazendo piadas com o estado em que a deixaram. Fazendo piada com o número de homens que a estupraram enquanto a mesma estava inconsciente.

Eu tenho uma conta no twitter, e o vídeo apareceu na minha timeline, eu abri, mas confesso que não aguentei ver até o fim, e só fiquei sabendo que tinham sido mais de 30 homens pelos posts que as pessoas, também indignadas, fizeram depois. Queria eu que fosse mentira.

MAIS DE 30 HOMENS.

Foi impossível, eu, como mulher, vulnerável nessa sociedade escrota e patriarcal, não me colocar no lugar dessa menina, foi impossível não chorar ao ver a declaração da mesma dizendo que quando acordou tinham 33 caras em cima dela. Eu não consigo nem imaginar o seu desespero.

A violência contra a mulher é tão naturalizada, que não só a estupraram, também filmaram e postaram na internet, isso quer dizer que, por mais que uma certa maioria tente negar e relativizar isso, NÓS VIVEMOS NA CULTURA DO ESTUPRO, SIM. Isso poderia ter acontecido comigo, com você. Isso não é doença, nem loucura, é a naturalização da perversidade contra nós mulheres. A tolerância e a normalização acabam incentivando ainda mais as atitudes violentas.

E aqui estamos falando do que é aceito como normal pela sociedade. Se você for mulher, tenho toda a certeza de que já passou por ao menos um episódio de abuso, seja na rua recebendo uma cantada, no transporte público com homens encostando em você ou mesmo dentro de um relacionamento quando a outra parte envolvida não soube aceitar um “não”.

Alguns dos comportamentos e atitudes que ajudam a reproduzir a cultura do estupro são:

- Achar que estuprador é só aquele cara desconhecido que ataca uma mulher no meio de uma rua escura, às 2h da madrugada.

- Achar que existe um meio-termo quando se trata de estupro.

- Romantizar a conquista a qualquer preço e achar que um ‘não’ pode significar um ‘sim’ se ele não é dito com ênfase.

- Culpar a vítima e praticar ‘slut-shamming’.

- Cantadas de rua também ajudam a perpetuar a cultura do estupro.

- Dizer que a vítima pode evitar o estupro.

- Roupas e acessórios “anti-estupro”.

- Piadas de estupro.

- Medo de denunciar é algo normal numa sociedade que culpa as vítimas, não acredita nelas ou vê o estupro delas como algo menor, desde a polícia e o médico legista até a família.

- Minimizar quando o estuprador é famoso.

- Minimizar o estupro quando ele acontece com minorias.

- A “Friend Zone” é a ideia de que um “cara legal” possa ser colocado em uma zona de amizade sem sexo por uma mulher próxima que injustamente não percebe que ele é o par romântico perfeito pra ela. A narrativa da friend zone coloca o foco no sexo como uma recompensa por ser uma boa pessoa.

Se homens estupram em nome da sua masculinidade, mulheres são estupradas em nome da sua feminilidade. A mulher, quando nega uma relação sexual, é vista como alguém que provoca o homem, mas na hora H, não quer sexo. E é aí que aparece a culpabilização. As vítimas de estupro aprendem a se sentirem culpadas. “Alguma coisa elas fizeram pra merecer isso”.

O uso da força é o requisito básico do comportamento masculino que as mulheres foram treinadas desde a infância a temer. Desde pequenas, não estamos em pé de igualdade nesta competição. Quem nunca ouviu que “brincar de lutinha é coisa de menino”, por exemplo? Enquanto eles são incentivados a buscar a força física, somos incentivadas a brincar de casinha.

O estupro deve ser visto como uma forma de violência, poder e opressão masculina, uma forma consciente de manter as mulheres em estado de medo e intimidação.

Que fique bem claro então: estupro não é um crime relacionado a sexo ou desejo sexual. O estupro se refere a uma relação de poder: trata-se de um processo de intimidação pelo qual os homens mantêm as mulheres em um estado de medo permanente.

Assim, ao observar a nossa sociedade nos dias de hoje, podemos claramente enxergar como a cultura do estupro continua viva. Hoje a sociedade ainda leva em consideração a maneira como a vítima está vestida e até mesmo sua vida e hábitos. Se a mulher está vestida de forma tida como provocante, isso é considerado um atenuante para o agressor. Se ela tiver vários parceiros, beber demais ou voltar muito tarde para casa, também.

As mulheres vêm obtendo êxito na conquista de certos direitos sociais e progredindo em direção à igualdade de gênero. Mas a desigualdade, no entanto, ainda não foi totalmente ultrapassada, sendo um reflexo da tradição patriarcal da sociedade.

Uma coisa fica nítida: as mulheres não são vistas como seres com vontade própria, são consideradas propriedade dos homens. Cabe às mulheres obedecerem às regras masculinas – ser feminina, falar baixo, aceitar ser vista como objeto sexual pois “homem é assim mesmo”. E quem não aceita as tais “regras masculinas” é culpada por tudo o que lhe vier a acontecer.

Enfim, pra não me alongar mais, a cultura do estupro é uma estrutura onde a mulher é culpada por qualquer constrangimento sexual que venha a passar. Uma sociedade que acha normal uma mulher ser constrangida na rua por uma cantada; normal uma mulher ser estuprada por estar bêbada ou usando roupas curtas; normal uma mulher ser forçada a fazer sexo com o companheiro, afinal, ele é seu marido ou namorado; normal uma mulher ser vista apenas como objeto para satisfazer as vontades alheias; normal uma mulher ser intimidada por homens heterossexuais quando é lésbica, porque na verdade ela tem que aprender a gostar de homem. E é exatamente essa normatização que precisa ser combatida.

Toda a minha empatia para essa moça, as pessoas que fizeram essa barbaridade com ela serão punidas, e eu como mulher me sinto muito aliviada, mas o que ainda me deixa triste é saber que as outras mulheres que são estupradas todos os dias e não são veiculadas na mídia, continuarão com o terror de terem seus estupradores livres e impunes. Por isso, eu imploro para que todas as mulheres se unam. Cuide da sua filha, da sua irmã, amiga, colega de trabalho, da desconhecida que está bêbada em uma festa e que se perdeu. Cuide da mãe que não encontra a filha e está pedindo ajuda. Cuide da sua avó. Cuide da professora que não está ouvindo os absurdos sobre ela durante a aula. Cuide de mim.

Uma jovem foi violentada por 30 homens e eu não pude cuidar dela. Eu não pude proteger o seu corpo e alma. Mas eu posso cuidar de você. E você de mim.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Sigo sendo a felicidade dos vendedores da C&A


Sabe aquela “notícia” do Sensacionalista (aii nossa mêêêu sensacionalista melhor site dessa interwebs hein mêêu hehehe) em que uma vendedora da C&A fica sem saber o que fazer quando um cliente diz que aceita fazer o cartão da loja? Bom, provavelmente eu seria esse cliente. E por que não dizer que eu já fui esse cliente?

Migas, estamos aqui hoje pra falar sobre a grande dificuldade que pessoas como euzinha, a troxa, têm pra falar esse simples adverbiozinho maroto monossilábico, o famigerado: NÃO.

É verdade, eu já fiz cartões de crédito que eu não queria só pela dificuldade em que tenho de falar “não”. Já aceitei convites pra sair que eu não queria aceitar, só porque não consegui falar um “não” pra pessoa, entre inúmeras outras situações tristes e constrangedoras.

Não sei bem explicar qual a dificuldade que eu encontro em negar coisas e favores. Não acho que seja pra causar boa impressão, porque, vejamos, se eu quisesse causar boa impressão eu não teria uma conta no twitter, sei lá, isso por si só já é uma queimação de filme (ainda se usa essa expressão hoje em dia? espero que sim porque é supimpa pra dedéu, hein broto). Acho que, talvez, em alguns casos, seja uma necessidade muito grande de não decepcionar as pessoas. Lógico que eu percebo que esse comportamento, muitas vezes, não me faz bem, mas eu, simplesmente, não consigo deixar de ser assim, talvez por medo de rejeição, ou de ser vista como alguém egoísta, até de magoar alguém que eu ame.

Talvez esse post seja alguma deixa pra algum loco dos signos invadir a caixa dos comentários falando que vai fazer meu mapa astral e dizer que isso “é muitooo coisa do seu signo solar, e da sua lua e ascendente meninaaaa”? Poderia ser se alguém comentasse nisso aqui né rsrsrsrs.

Mas olha, se isso é culpa de signo eu não sei, só sei que eu tenho que dar um jeito de parar de responder aquelas pesquisas que fazem no centro pra chamar as pessoas pra cursos profissionalizantes (nossaaa isso é muito coisa do seu signo). Tenho que passar direto e falar “aiii to com pressa”, ou fazer como a maioria das pessoas, ignorar e passar direto, mas ahhh gente me dá uma pena, a pessoa tá lá embaixo do sol, num calor desgraçado, em pé, 15:00 horas no centro, odiando a vida e aquela merda daquele trabalho, ahh eu paro sim viu? Às vezes eu dou o número errado, mas mesmo assim eu paro. Então hoje me ligaram de um lugar desses, me chamando pra comparecer às 16:00 no local pra fazer minha inscrição. Eu poderia ter dito só um “não” e poupar tempo dos dois, certo? Certo, mas não pra mim né, dei meu nome, fingi anotar o endereço, disse que simmmm lógico que eu vou comparecer né rsrsrsr, vou perder essa oportunidade? Assim que desliguei o telefone pensei comigo mesma “vai me esperar pra sempre migo, eu sou uma mentirosa”. Mas essa é a primeira vez que faço isso? Lógico que não, eu SEMPRE faço isso.

Em situações muito extremas eu consegui dizer “não” e fiquei muito orgulhosa de mim mesma, porque, apesar de todas as brincadeiras, é algo que, realmente, na maioria das vezes me prejudica muito. Eu me apavoro quando vou comprar algo, e os vendedores ficam me empurrando mais coisas, ou seguros, ou promoções duvidosas, porque eu sei que se eles continuarem insistindo muito, eu vou acabar dizendo “sim”. Como quando fui comprar o presente do dia das mães desse ano. Insistiram tanto pra eu aceitar uma promoção lá que eu não queria, que eu acabei aceitando, mas quando cheguei no caixa pedi pra retirarem, e quando saí da loja pedi desculpa aos vendedores??????? Cara, eu sou um ser humano muito troxa.

Pessoas já me fizeram muito mal, e mesmo assim eu continuava sem saber como dizer “não”, e isso acabava com a minha autoestima. Até que depois de tantos “sins” e tantas decepções, consegui dizer um “não” definitivo que me libertava da ruindade e da malícia dessas pessoas, foram dois coelhos numa cajadada só, um me encorajou a realizar o outro, e foi libertador.

Essa dificuldade não precisa ser eterna, eu sei. Com um pouco de treino e força de vontade é possível virar o jogo sem prejudicar ninguém. E assim como também não é legal dizer “sim” pra tudo, dizer “não” pra tudo também não é, eu só queria achar aquele meio termo sabe? E ser feliz sem ser troxa pra sempre. Mas é mais fácil eu entender de signo e mapa astral do que deixar de ser troxa.