segunda-feira, 28 de abril de 2014

Um pouco sobre ser "um bicho"...

Oi, meu nome é Luiza, tenho 19 anos, moro em São Miguel dos Campos, interior de Alagoas, porém não seja muito do meu agrado, e tenha muita vontade de ir morar em Maceió, o que facilitaria muito a minha vida. Atualmente curso o primeiro período de História, na Universidade Federal, mas ainda anseio cursar jornalismo, pois, acho que realmente é o que eu quero fazer. Sou solteira, não tenho filhos, moro com meus pais e não trabalho.

Então, muito fácil escrever tudo isso, teria sido bem mais fácil ter escrito tudo isso sobre mim na semana passada ao invés de falar. Falar em público. O que é um verdadeiro pesadelo pra mim. Minha vida teria sido bem mais fácil todos esses anos se ao invés de falar, eu pudesse escrever. Segunda-feira passada, eu me vi em apuros quando tive que falar essas mesmas palavras pra apenas 10 pessoas numa sala, toda sem jeito, sem saber onde pôr as mãos, sem saber pra onde olhar, tremendo (de nervoso e de frio, pois a vagaba da estagiária (só poderia ser estagiária) deixou o condicionador de ar no modo: “frio pra caralho se fode aí vocês otários sou estagiária quero que vocês morram”). Traduzindo: eu fui um desastre. E só precisava falar essas coisas inúteis.

Carrego desde o dia em que nasci um fardo nas costas, muito conhecido como: Timidez Aguda.

Sempre foi assim minha vida inteira, desde exatamente sempre. Das crianças da família eu era aquilo que eles chamavam de: matuta (perdoa meu dialeto de interiorana e não desiste de mim). Eu não dançava nas festas, eu não falava com as visitas, eu não conseguia interagir com as outras crianças. E se você tem uma tia extra malvada daquelas que só falta a verruga no nariz e uma 38 na sua mão, sua vida se torna um pesadelo, pois ela vai infernizar sua vida te puxando pro meio da roda onde as outras crianças estão dançando, à força, vai te fazer passar vergonha na frente das visitas dizendo: “ah, ela não fala, é muda”, e outras atrocidades de tias bruxas. Na escola, até a 8ª série, eu não tinha tantos problemas, pois minha turma era a mesma desde a 1ª série. Mas a coisa muda de figura quando no dia de cantar o Hino Nacional a diretora te chama a frente pra fazer uma oração e depois puxar o Hino, e você não consegue emitir uma só palavra e fica olhando pro chão enquanto todo mundo espera você começar, até que ela cansa de esperar e manda você voltar pra fila. E quando outra pessoa vai lá e faz o que era tão fácil e você não fez, ela olha pra você e fala: “é assim que se faz”. Vagabunda, não sou obrigada a rezar na escola, nós vivemos num Estado Laico, sua burra, me deixa em paz sua gorda velha.

Quando eu entrei no ensino médio, e tive que mudar de escola, foi um verdadeiro choque, eu não consegui fazer amigos, vivia sozinha, rezando pra minha mãe me tirar dali e me mandar de volta pra escola da gorda velha. Nunca consegui apresentar bem um trabalho que fosse durante todos os 4 anos, eu preferia fazer prova a apresentar trabalho. Lógico que parece exagero, fodam-se vocês, mas eu tremia, até já cheguei a chorar, e alugava os ouvidos dos poucos (mais necessariamente 2) amigos que eu fiz dizendo que não ia conseguir, e quando chegava lá na frente só fazia merda, lia com a cabeça baixa sem olhar pra ninguém e quando acabava voltava correndo pro meu lugar. Lógico que a partir do 3º ano eu desencanei dessas merdas, virei vagabunda e não tava mais nem aí pra trabalho, e fazia recuperação.

Parece que ser tímido é um pecado dos mais graves. Se você for até o dicionário mais próximo e procurar sinônimos pra palavra "tímido", o que você vai encontrar são termos como medroso, débil, dúbio, fraco, frouxo. Isso porque, na nossa cultura é obrigatório ser incisivo e comunicativo.

Se você é tímido, a primeira coisa que as pessoas vão falar que você é, é antipático. “Nossa, você viu aquela metida, chega não fala com ninguém, antipática, fica calada, se acha melhor que todo mundo”. A segunda, é antissocial, o que eu não deixo de ser um pouco, pois segundo minha melhor amiga que me conhece há mais de 10 anos, sabe bem como eu sou e deveria me entender, eu sou “um bicho”. O que ela e a maioria das pessoas não entendem, é que quanto mais você incentiva uma pessoa tímida na frente de outras pessoas, a não ser tímida, mais tímida ainda ela vai ficar. Eu não entendo o porquê de vocês acharem que dizendo pra uma pessoa tímida parar de ser tímida, ela realmente vai parar de ser tímida. É a mesma coisa se eu pedir pra sua mãe parar de ser uma vagabunda velha. Ela não vai conseguir, né?

Seria muito bom se fosse assim tão fácil. Porque o tímido não escolheu ser tímido. Ele se tornou tímido por algum motivo.

Uma vez à vontade, o tímido é tão engraçado, sociável e simpático como qualquer outra pessoa. Não adianta forçar, falar coisas do tipo: “interage, parece que não ta gostando” “para de ser tímida” “se solta”. Espera, caralho, quando eu me sentir bem e achar que eu posso falar minhas merdas sem passar vergonha eu vou falar, ou então enfia cachaça em mim porque só assim eu posso aguentar você enchendo meu saco.

Outra coisa, que se eu acabo de conhecer alguém, ou me encontro num grupo de pessoas que eu não conheço, eu não vou chegar metendo o nariz onde não fui chamada, não gosto de ser inconveniente, e odeio gente que é. Se eu to na fila de um banco, não vou virar pra você e falar: “Poxa, ta calor, né? E essa fila que não anda rsrs” Não, eu não vou, porque eu não te conheço. Se for a primeira vez que um amigo me apresenta a outros amigos, com certeza eu vou ficar calada até que alguém fale comigo, não por ser chata, mas por não querer ser intrometida, e principalmente passar vergonha. Incomodar é uma coisa que realmente me deixa incomodada. Ser o centro das atenções mais ainda, por isso no meio de “estranhos” nunca me peça pra falar mais um pouco de mim ou coisa parecida, eu com certeza vou gaguejar. E por favor, se você é meu amigo de verdade e estiver comigo em algum lugar, não me deixe sozinha muito tempo com pessoas que eu não conheço, se elas não iniciarem uma conversa comigo, eu vou procurar um lugar pra poder enfiar minha cabeça e passar o tempo com ela lá até você voltar.

Chegar atrasada pra uma festa e ficar oprimida demais pela visão de todas as pessoas que já estão lá.

Coisa mais constrangedora da vida é chegar na casa de um amigo na hora de alguma refeição.

- Oi, Luiza, quer almoçar?

- [Vergonha Level 1] Não, obrigada.

- Senta, come só um pouquinho.

- [Vergonha Level 3] Não, eu acabei de comer, to sem fome.

- Mas vai fazer essa desfeita?

- [Vergonha Level 6] É verdade, eu não to com fome.

- Fulana, pega um prato que a Luiza vai comer com a gente.

- [Vergonha Level 9] Eu não quero de verdade.

- (Coloca o prato na mesa, te pega no braço, te senta e enfia comida na sua goela a baixo)

- [VERGONHA NÍVEL MÁXIMO DE TODAS AS VERGONHAS DO MUNDO] (Você come)

Tenho orgulho de dizer que minha mãe é dessas, mas quando ela começa eu dou logo uma lição nela pego pelos cabelMentira, gente, mas como eu sei bem o sentimento de desespero em que a pessoa tímida fica pra evitar ao máximo comer na frente da família dos amigos (ou estar sem fome mesmo) eu digo: STOP, please.

Às vezes, incrivelmente me dá um surto de coragem e eu consigo interagir com as pessoas de primeira, mas aí eu com certeza estarei bêbada, ou gosto das pessoas por já ouvir falar, e me sinta bem pra poder falar sem passar vergonha. O problema nunca é a outra pessoa, sou eu que tenho medo de parecer idiota e burra assim como uma primeira impressão.

Enfim, ser tímida, realmente, pelo menos pra mim, nunca me ajudou em nada, só me atrapalhou. Mentira. Me ajuda a não ser sem noção, isso é uma vantagem. Mas aí eu chego no twitter e estrago tudo, verdade. Se eu pudesse escolher, é lógico que eu não seria assim, eu interagiria com a família dos meus amigos sem problema nenhum, pra eles não dizerem que eu sou um bicho, quando com fome (o que acontece sempre) lógico que eu aceitaria a comida oferecida, faria amizade com os amigos dos amigos, e falaria em público sem tremer e olhar pro chão. Por enquanto eu só vou tentando contornar, porque my friends, é foda, eu não sou chata (mentira, sou sim), ou antipática (tbm sou sim), só sou na minha e tenho medo de falar com as pessoas até me sentir a vontade ou ver que não estou incomodando ou vou falar alguma besteira (é verdade, eu sou um bicho). Sei bem como sou desajeitada com tudo, por isso não arrisco. E sempre vai ter aquele pra perguntar por que você é tão calado, ao invés de só te deixar ser tímido em paz. Só tenham paciência comigo, eu sou legal (mentira).

Tia, a culpa é sua, bruxa.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Melhor Idade (?)



Pra quem não sabe, a melhor idade é aquela em que você tem que pensar bem antes de arriscar quebrar todos os ossos da coluna pra pegar algo que deixou cair no chão, ou amarrar o cadarço do sapato. Melhor idade é quando sua pele resseca, sua pressão está sempre alta, sua visão e audição não são as mesmas, disfunções sexuais são rotina.

Fico muito desgraçada da cabeça (rs) quando ouço alguém dizer que a velhice é “a melhor idade”. O idiota que resolveu chamar a velhice de melhor idade não tinha noção alguma do que estava dizendo, só pode ter sido por gozação ou ironia.

As coisas só vão piorando. 

Não escondo meu imenso medo de ficar velha. Se algum dia fosse parada na rua, numa daquelas entrevistas estilo Jornal Hoje, e algum repórter me perguntasse qual o meu maior medo, com certeza eu responderia: Virar uma daquelas pessoas que tiram a roupa pra fazer protesto contra estupro. Mentira. Eu diria envelhecer. Mas a primeira opção não é descartada.

Fico realmente triste quando vejo a foto de alguém que fora muito bonito na juventude, e comparo como a pessoa ficou na velhice, eu me pergunto pra onde teria ido toda aquela beleza, e o porquê de a mãe natureza ser tão maldosa nesse aspecto. Lembrando que isso só acontece se você não é a Meryl Streep, porque você nunca vai envelhecer assim:



A realidade é que ser idoso não é nada fácil. Além das barreiras físicas e psicológicas que o corpo passa a impor, o medo da solidão, a dificuldade de arrumar emprego, de ter um programa de lazer adequado, entre inúmeros outros fatores, contribuem para que esse meu medo da velhice aumente cada dia mais. É lógico que tenho consciência de que envelhecer é natural, porém, muitas vezes me sinto temerosa pelo futuro, tenho medo de ficar sozinha ou dependente de outros.

Como já dito, tenho muito medo de ficar velha, mas tenho mais medo ainda de ficar velha e sozinha. Sabendo que ao envelhecer, toda a sua suposta beleza vai embora junto com a sua juventude, é muito mais difícil de encontrar alguém. E se enquanto jovem eu não encontrar alguém que fique comigo até eu ficar velha, feia, com a pele do pescoço pendurada quase batendo no joelho e a bunda caída? Não que eu ache que você tem que encontrar alguém o mais rápido possível pra não ficar só na velhice, mas eu acredito que com alguém te dando apoio, envelhecendo ao seu lado, passando pelas mesmas coisas que você, e ainda assim te amando, tudo fica mais fácil. E se na minha juventude eu não encontrar essa pessoa que vai ficar comigo quando minha visão e minha libido não forem as mesmas? E se eu não tiver a mesma sorte da Glória Menezes?

Eu acho a velhice muito triste, as únicas coisas que você tem, pelo menos no Brasil, são uma fila e um assento no ônibus, e mesmo assim ainda querem tirar isso de você. Não tem nada dessas coisas de melhor idade que as pessoas falam pra amenizar a idéia do quão ruim é ficar velho. Lembro da minha infância, quando eu ia pra casa dos meus avós, e adorava brincar com o meu avô, lembro bem que ele parecia ser mais criança do que eu e meus irmãos, vivia rindo, dos outros ou dele mesmo, contava piada, contava história de terror, ou histórias da infância dele mesmo, e de longe as mais engraçadas eram as que ele falava de como conheceu minha avó (sim, eram muitas, porque sempre era uma diferente da outra), era uma alegria só quando eu ouvia o barulho do portão e sabia que era ele chegando do trabalho e corria pra dar um abraço. Hoje em dia meu avô mal tem forças pra ficar de pé, não ouve bem, não enxerga bem, não anda bem, não reconhece quase ninguém, não ri, não lembra de nada, e só há aquela pontinha de felicidade quando falo e ele me reconhece pela voz... e eu não vejo nada que se refira a “melhor idade” nisso.

Talvez seja isso que me faça achar que beleza, talvez, não seja tão importante. Atração é importante, mas não é só a beleza de alguém que vai te fazer fica atraído por ela (é isso aí, então não liguem pro fato de eu ser feinha... tá, bem feia... ok, um pouco mais que bem feia, vocês também vão ficar velhos, não me rejeitem, eu tenho um bom coração). Todos vamos ficar velhos, tudo isso vai embora, toda a beleza vai embora, seus peitos vão cair, por mais que isso seja duro de ouvir, e, nossa, dá pra acreditar que a Paola Oliveira a mulher mais linda do Brasil todo de todas as galáxias brasileiras vai ficar velha, cheia de rugas e com os peitos caídos? Não, isso é demais pra mim. Chega.

Acho que eu vou ser uma velha muito triste e chata, justamente porque eu não vou gostar de ser velha, a não ser que eu tenha alguém que me ame (ta, podem rir), diga-se um Tarcísio Meira rsrs, e uma família feliz que me dê suporte, com netinhos irritantes, mas que talvez possam ser aquilo que vai me proporcionar alegria, e essas coisas de velhinho feliz. E que Deus não me permita ficar igual a Suzana Vieira, amém. E sim como a Meryl Streep, amém de novo.


~ ainn, beleza não é imortante blá blá blá, discursinho caído ~ tente pelo menos ler pra tentar entender o que eu quis dizer, bandiputo

~ ainn mimimi ter um amor ~ me deixa, né porque eu sou escrota que eu não acredite nessas coisas, cabô

~ cabô a sessão mimimi, obg, de nada, bjs ~

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Essa será associada...



Eu ouvi muito aquela música nesse dia. Tinha acabado de baixar e era bonita demais pra não ouvi-la o dia inteiro. Eu sabia que aquele dia seria nostálgico, e eu provavelmente associaria aquela música a esse dia pra sempre.

Associo músicas a muitas situações, tenho desde músicas pro cara que mais gostei até músicas pra quando to voltando da faculdade e passo por umas cidades que não tem lá um cheiro muito agradável, com a cabeça encostada na janela do ônibus como se estivesse fazendo um clipe (se estiver chovendo é bem mais dramático). O interessante é que são associações aleatórias, ou pelo menos quase aleatórias – eu nunca havia premeditado elas.

Eis que, nesse dia, por algum acaso, deitei na cama e pensei comigo mesma “essa música será associada”.

Ouço, agora, a música e me lembro desse pensamento – não é que eu tava certa?

O problema é que tem um detalhe não premeditado: essa tristeza ao ouvi-la.

Percebo que, naturalmente, sou uma saudosista. Não apenas gosto de viver bons momentos como me pego relembrando-os constantemente, e isso faz com que ouvir essas músicas me entristeça pelo fato de o momento ter passado.

Era uma época feliz.

E eu queria de novo.

E de novo.


Além da porta
Há paz
Estou certo
E eu sei que não haverão mais
Lágrimas no Paraíso