Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 31 de julho de 2018

Resenha #1: O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë


Vendo o tempo em que deixei esse site abandonado é que percebo como o hábito da escrita não acadêmica se dissipou da minha rotina. Nem sei se ainda sei escrever com o entusiasmo de antes, mesmo vendo como as coisas que falava aqui eram meio “juvenis”. É engraçado. Ligar o computador e abrir o word para escrever esse texto de agora parece algo totalmente novo. Foi puro entusiasmo e eu não poderia deixar passar.

O que me trouxe aqui segurando pelas minhas orelhas e deixando-as quentes como brasa, foi a obra da autora Emily Brontë, de 1847, O Morro dos Ventos Uivantes.

As “orelhas quentes” não foram figuras de linguagem. Eu, realmente, fiquei muito perplexa lendo esse livro, de um jeito que não achei que fosse ficar lendo qualquer outro. Terminei de lê-lo em uma semana, e minhas orelhas realmente ficaram quentes, se não de perplexidade, de raiva.

Creio que meu maior erro tenha sido iniciar essa leitura sem pretensão nenhuma, como se fosse mais um romance clássico, agradável, com mocinhos e mocinhas como personagens principais. E com O Morro dos Ventos Uivantes tudo mudou. Esse livro me trouxe questionamentos e sentimentos conflitantes. Foi o primeiro livro que me fez chorar, não de emoção, mas num misto de raiva e desespero. Eu tenho que falar dele.

A obra conta a história de um amor que chega a ser mais forte que a morte, mas, para mim, é principalmente, sobre vingança.

O que, primeiramente, me chamou a atenção, foi como a obra consegue te transportar para o ambiente, sentir o que os personagens sentem e quase que viver a história. A riqueza de detalhes é impressionante.

As emoções são em doses exageradas: amor, ódio, vingança. É uma coisa tão intensa, que até os descendentes sofrem os impactos da paixão de Heathclif e Catherine. O que, certamente, me deixou mais consternada.

Na verdade, não sei dizer para vocês se amei ou se odiei o livro. Falo isso, pois, ele me parece muito um “ame ou odeie”. Eu permaneci sem saber durante toda a leitura.

A história é densa, os personagens são intragáveis. Foram diversos os pensamentos que me foram provocados.

A narrativa da história dos personagens principais é realizada por Ellen Dean, que inicia sua história nos apresentando os verdadeiros donos do Morro: a família Earnshaw, para quem ela trabalhou desde a juventude. A vida dessa família muda completamente quando, um dia, voltando de uma viagem, o Sr. Earnshaw retorna com um menino no colo. Eles o batizaram como Heatchcliff. Heatchcliff era uma criança desprovida de amor, o que, para alguns, será a explicação da causa das tantas maldades que ele irá provocar ao longo de sua vida. Rapidamente Heatchcliff e Catherine, sua irmã adotiva, desenvolvem uma amizade forte que, mais tarde, vai dar espaço ao nascimento de um amor tão forte quanto. Mas, Hindley Earnshaw, irmão mais velho de Catherine, nunca simpatizou com o menino que atraía todas as atenções de seu pai.

Com a morte do Sr. Earnshaw a vida de Heatchcliff muda ao ser tratado como um simples criado. Ele vai passar a sofrer muitas humilhações e privações, o que só vai contribuir para o aumento do ódio que ele carregava no peito. O motivo para ele ainda conseguir aguentar aquela situação e fazer tentá-lo reprimir os sentimentos tenebrosos de seu coração era Catherine, que começa a passar mais tempo com os filhos dos Lintons, proprietários de Trushcross Grange: Edgar e Isabela Linton.

Catherine decide se casar com Edgar, apesar de amar Heatchcliff. É essa atitude a gota d’água para o rapaz que vai embora daquelas terras, permanecendo distante por três anos. Ouso dizer que esses foram os anos mais tranquilos para os Lintons porque passado esse período Heatchcliff retorna como um verdadeiro cavalheiro e com um único objetivo: vingança. Se vingar de Hindley por tudo que ele o fez passar; se vingar de Edgar, por lhe ter roubado seu amor, e, por que não, se vingar também de Catherine que escolheu ter status e conforto a viver ao seu lado?

A vingança de Heatchcliff o domina e coisas terríveis acontecem. Vamos acompanhar o que o ser humano é capaz de fazer quando não alimenta o amor em seu ser e quais são as consequências de no lugar de alimentar o amor, se alimentar de vingança, raiva, egoísmo e tantos outros sentimentos ruins.

Vocês conseguem perceber o quão denso é esse livro? Além dos acontecimentos serem terríveis, a narrativa forte e descritiva da autora potencializa os sentimentos e caráter dos personagens, como destacado abaixo na fala de Catherine:

“Minhas infelicidades neste mundo têm sido as infelicidades de Heatchcliff. Aguardei-as e senti-as todas desde sua origem. É ele a minha grande razão de viver. Se tudo morresse, mas ele ficasse, eu continuaria a existir. E, se tudo permanecesse e ele fosse aniquilado, o mundo inteiro se tornaria para mim uma coisa totalmente estranha. Eu não seria mais parte desse mundo”.

E é por isso que muitas pessoas odeiam esse livro. A parcela que ama O Morro dos Ventos Uivantes é aquela que considera lindo o amor entre Catherine e Heatchcliff, e que o mesmo só faz tudo o que faz por ter sofrido tanto na vida sem nunca ter alguém como modelo de bondade a ser seguido. E é aí que as minhas reflexões começam porque eu não consegui ver nenhuma beleza no amor entre os dois, muito pelo contrário. Eu vi algo doentio, que causava destruição a tudo que estivesse em volta. Por outro lado, é inevitável pensar que se Heatchcliff tivesse, por exemplo, recebido o amor de Catherine, o rumo das coisas teria sido completamente diferente. O que, não vou mentir, não me impediu de sentir nada mais do que raiva pela personagem. Mas, principalmente, por Catherine, uma personagem extremamente egoísta e impulsiva. Jamais permite que suas vontades sejam contrariadas. Mas realmente ama Heathcliff. Ama, como ela mesma diz, como ama a si mesma.

O ponto que eu desejo chegar é: podemos justificar totalmente e exclusivamente as atitudes de Heatchcliff nos baseando no passado e dificuldade que ele sofreu? Pra mim ele não é um “coitado”. E penso isso, pois, a autora, incrivelmente, nos deu essa chance ao nos mostrar como Hareton (filho de Hindley), fruto, também, da insanidade do pai e ao mesmo tempo da vingança de Heatchcliff, que inclusive o faz amá-lo como um pai, quando na verdade tomou tudo que era seu. Hareton foi privado de amor, viveu em um ambiente completamente conturbado, cresceu como um espelho de Heatchcliff, porém despertou em mim um sentimento de compaixão desde o princípio, diferentemente do personagem principal.

Não sei se consegui me fazer clara, falar sobre esse livro é muito difícil. É tão complexo e dá abertura para tantos questionamentos que fica complicado. O anti-herói, Heathcliff, realmente é uma vítima digna de dó ou um maluco inconsequente? Como distinguir os "bons" e os "malvados"? Como classificar uma história que não se insere dentro do formato do romantismo piegas?

Minha certeza é que cada pessoa que ler O Morro dos Ventos Uivantes terá uma visão diferente. Esse livro, realmente, mexeu comigo, me fez pensar, refletir. Eu amei a história? Não. Apesar de ter gostado de seu desfecho. Isso até me deixou angustiada, pois fiquei achando que minha leitura tivesse sido pobre e eu fosse mais uma leitora que só quer um romance piegas. Mas eu fiquei muito admirada com a percepção das variações da personalidade humana que Emily Bronte nos apresenta nesse livro.

terça-feira, 29 de março de 2016

Você também é Bolsominion?


Olá amigos, tudo bem com vocês? Faz tempo que eu não apareço por aqui. Ando sem tempo, sem coragem, sem criatividade etc. Mas hoje quero falar com vocês sobre um assunto que eu nunca falei aqui neste recinto: política. Sim, amigos, chegou a minha vez. Não necessariamente seria politica, mas uma pessoa em especial da qual todo mundo já tá cansado de falar, o que até acaba fazendo com que a pessoa se torne mais popular, mas whatever, vamo falar de novo sim, porque a gente vive em uma democracia né nom? (pelo menos até agora).

Nessa semana, no grupo do facebook do meu antigo colégio, resolveram fazer a seguinte enquete: “SE AS ELEIÇÕES FOSSEM HOJE, EM QUEM VOCÊ VOTARIA PARA PRESIDENTE/A DA REPÚBLICA?” Dentre as opções Marina Silva, Lula, Ciro Gomes, Aécio, etc, e até “Outro”, a opção mais votada me chamou muito a atenção. Ok que aqui no Brasil todas as nossas opções são bem ruins, pra falar a verdade, mas daí todos esses jovens afirmarem que são eleitores do -tã nã nã nã suspense- Bolsonaro me surpreende demais. Calma galera, não tô querendo saber mais do que ninguém (até porque eu não sei de nada mesmo), ou achar que minha opinião é sempre a única e certa, até porque ela é só minha opinião e eu tenho direito de expor (isso porque nosso presidente não é o Bolsonaro rsrsrsr), eu só queria tentar entender o que leva alguém, principalmente jovens de 15 a 18 anos de idade votarem em uma pessoa que afirma que "mulher deve ganhar um salário menor do que o homem, porque engravida", porque realmente é algo que me deixa com medo.

Lendo mais um pouco (porque também não quero ninguém aqui me chamando de burra né), o que eu entendi é que essas pessoas que afirmam a torto e a direito (amo usar essas expressões rsrsrs) votar no deputado Jair Bolsonaro, e chamam ele de bolsomito (os famosos bolsominions) representam uma parcela da população que tem medo. E o medo faz com que essas pessoas busquem alguém que as defenda.

O cara diz que bandido bom é bandido morto e que não tem esse negócio de ser menor, se é “vagabundo” deve ser preso e pronto. E que o regime militar era bom porque havia “segurança” e quem foi preso pelo regime militar é porque “merecia” e quem era cidadão de “bem” não tinha medo.

Na verdade o deputado expressa a opinião de quem tem medo e não vê a ação efetiva do Estado combatendo esse medo, oferecendo respostas democráticas. Por isso as pessoas buscam saídas que julgam eficientes, mesmo que não sejam democráticas. Por que a democracia deve ser um valor maior do que a segurança e o bem estar? Como exigir isso das pessoas? Somado a isso temos uma ausência de construção de valores democráticos muito grande. Não há esse debate nas escolas; não há esse debate nos meios de comunicação; não há esse debate nas famílias. Como exigir que as pessoas se comportem de um jeito em relação ao que nunca tiveram ou tiveram muito pouco? Medo não exige aprendizado. Medo busca proteção. E Jair Bolsonaro oferece. E as pessoas votam nele.

Muita gente – eu, por exemplo – não concorda com isso. Quando chega então na galera que tudo é uma conspiração diabólica, comunista, bolivariana, gayzista, feminazi que se instalou na América Latina e se reúne no Foro de São Paulo, entre camisas do Che Guevara, eu fico bem perplecta. Gente que acredita que o assassinato, a tortura ou o estupro de seres humanos pode ser justificável. Que tem certeza de que bandido bom é bandido morto, mas é melhor bandido do que homossexual não é verdade? Pessoas que tem certeza de serem corretas, guardiãs da moral e dos bons costumes. Que tem pavor de mudanças que podem lhes tirar privilégios, “direitos adquiridos”. Estão todos, como já disse à espera de um salvador, e esse salvador, é o Bolsonaro.

Eu tento entender essas pessoas de alguma forma, e isso do “medo” me pareceu ser o único jeito, mas pra mim a maioria de seus eleitores só querem uma desculpa pra serem asquerosas em paz. O foda é que no meio de tudo isso há muito ódio, mas como diz a senhoura Inês Brasil, a gente tem tudo é que se amar irmãos, ter carinho um com o outro, sem fazer mal a ninguém. #paz



Eu não entendo muito de política não galera, só quis mais falar o que penso mesmo, me desculpem se falei alguma burrice, também pesquisei muito pra não falar nenhuma besteira, então valorizem meu esforço, um beijo no core e até a próxima.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

10 motivos para gostar de Novos Baianos

Só há duas bandas, consideradas clássicas, das quais tenho a discografia completa, são elas: Beatles e Novos Baianos. Se bem que Beatles tem algumas músicas que são bem da chatas, mas tenho pena de excluir, pois <3 Mas então, estava esta pessoa maravilhosa que vos fala, no ônibus, ouvindo música, quase dormindo, mas ainda atenta ao que tocava em meus ouvidos, e sim, era Novos Baianos, a discografia completa sim. E vinha pensando comigo mesma “cara como isso é bom, puta merda” (sim, foi esse mesmo o pensamento), fiquei imaginando o quão bom seria estar sozinha no meu quarto naquele momento só pra poder cantar alto, mesmo que na verdade, se eu estivesse no meu quarto naquela hora eu estaria mesmo era dormindo, pra ser sincera. Não consigo imaginar como existe gente nesse mundo que não gosta de Novos Baianos (bom, na verdade consigo sim galera, nem todo mundo gosta do que você gosta né, mas vamo lá, colabora pra dar uma ênfase na frase), então apresento a vocês 10 motivos para gostar desse grupo MARAVILHOSO, e o primeiro deles é:

1- PORQUE É MUITO BOM
Os caras (e a cara rsrsrs) conseguem passar uma leveza, um despojamento e uma simplicidade quase infantil nas músicas, uma espiritualidade vivida por eles, as pequenas coisas da vida que a tornam tão bela etc, isso tudo fica muito evidente quando as ouço.

2 -  A LETRA DE VAGABUNDO NÃO É FÁCIL


Como não amar Novos Baianos, uma banda cuja argumentação passa por: "se eu não tivesse com afta, até faria uma serenata pra ela"? Me digam: COMO?

3 - VOCÊ VAJA SIM


Tô ouvindo Novos Baianos e fazendo qualquer outra coisa, mas na minha cabeça tô de rasteirinha e saia hippie sambando na areia da praia em 78, em Salvador, ouvindo “no canto do cisco no canto do olho a menina daaaança, dentro da meninaaaa, a menina dançaaa, e se você fecha o olho a menina ainda dançaaa”

4 - TEM VÁRIOS RITMOS SIM


Os Novos Baianos além de rock, consegue unir samba, chorinho, frevo, tem guitarra elétrica, pandeiro, cavaquinho, chocalho, letras singelas ou bem das doida, é muito amor gente.

5 - TEM DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SOBRE A HISTÓRIA DELES

“O Mistério do Planeta: Um Estudo Sobre a História dos Novos Baianos (1969-1979)” é o nome do trabalho, eu já li quase tudo e posso dizer que: é bem bom, está voltado para o período que vai da formação do grupo até a sua fragmentação.

6 - A GALERA ERA UMA FAMÍLIA


Os Novos Baianos eram mais do que uma banda, eram uma família, é muito bacana ver as capas e os encartes dos discos deles, pois vemos inúmeras crianças e bebes, filhos deles, eles eram uma comunidade, moravam juntos, tocavam juntos, viviam em grupo, e talvez por isso façam um som tão acolhedor.

7 - BABY DO BRASIL
Gente, eu sou apaixonada por essa mulher, olha esse cabelo de barbiezinha gótica conceitual moderna. Ela é excêntrica, tem uma voz maravilhosa, essa mulher tem muito prestígio comigo (o que não quer dizer nada né), porque não faz qualquer esforço para ser uma pirada leve. Foi casada com o Pepeu e é legal comentar a forma como se conheceram, segundo vi na rede das internetz: “Diz Pepeu que andava pelas ruas de Salvador com a turma que veio a se tornar a banda quando viram um brilho na testa de uma garota que também andava pela rua. Ao se aproximarem viram que o que brilhava era um espelho que a garota amarrara na testa, essa garota era Baby, que diz que amarrou o espelho para que as pessoas se vissem dentro da cabeça dela.” É muito ácidDOIDERA pra uma pessoa só. Baby te amo, queria ser sua filha e participar das suas viagens com os extraterrestres.

8 - SNZ
Bom, esse é só mais um motivo pra amar essa diva que é Baby do Brasil, pois pra quem não sabe, as meninas do grupo SNZ, que fez parte da adolescência dos anos 90/2000 são filhas da Baby e do Pepeu. Sarah Sheeva (que vocês devem conhecer como a pastora que ama ser virgem, igual a mim), Nãna Shara e Zabelê, fizeram parte da minha infância cantando “nada vai tirar você de mimmm, foi tão bom te encontrar amoo o or” e isso me lembra uma infância muito feliz, e se não fosse quemmm? Baby do Brasil maravilhosa, isso também não seria  possível, obrigada. (tá esse aí foi só pra encher linguiça porque já tô cansando)

9 - É TUDO DE HUMANAS
Olha pra essas pessoas, na boa, não existe um pessoal mais de humanas que esses caras. Os caras viviam em um sítio chamado “Cantinho do Vovô”,  levando um modo de vida totalmente hippie. Você vai pra uma social de exatas o povo só arruma problema, briga ouvindo Gusttavo Lima, vê se humanas perde tempo brigando, amigo nós tamo tudo ocupado fazendo lual e cantando novos baianos de rasteirinha.

10 - ACABOU CHORARE


O que falar desse álbum, galerinha? Todo brasileiro deveria ter conhecimento desse álbum. É o segundo álbum de estúdio deles, eleito pela revista Rolling Stone como o maior disco da história brasileira,  é também o meu preferido dentre a obra dos Novos Baianos, é muito mais do que um disco, pode ser considerado um manifesto, uma viagem coletiva, uma trilha sonora de algo muito maior. Sério, querem motivo maior pra vocês gostarem desse grupo? É o melhor disco da história desse brasilzão de meu (insira seu deus aqui).

Fica a dica de um som diferente nota 10 pra vocês ouvirem, quem não conhece, não deixe de conferir esta maravilha, que até os dias atuais vem causando grande influência em nossos músicos. Mas se também não quiserem conhecer galera, tem problema não, aqui é um espaço democrático, ok? (mas também não sabem o que tão perdendo).

Um beijo no coração de vocês.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Tempo, tempo, tempo, tempo...

Não quero aqui fazer nenhum pedido ao tempo, nem dizer que ele é a cara o meu filho porque nem filho eu tenho (graças a Deus).

Na verdade eu nem sei o que eu quero, se dias mais longos pra ter tempo de fazer tudo o que eu deveria fazer, ou menos coisas pra fazer durante o dia.

Uma das coisas que mais sinto falta ultimamente: dormir. Eu não consigo dormir em coletivo, pois tenho muito medo de passar do ponto em que tenho que descer, mas essa semana foi inevitável dormir naquele Eustáquio-Iguatemi vazio sentada do lado da sombra na janela, coisa rara de ver às 12:00 hrs, era conforto demais, sorte demais pra um dia só, o cansaço e o sono me venceram acabei pegando no sono sem nem perceber, por sorte acordei dois pontos antes do meu, obrigada santan. Sempre que tenho uma oportunidade eu durmo, pareço o Chaves no episódio que ele dorme no chão do pátio da vila. Esses dias deitei em um banco da faculdade pra ler quando vi me assustei com meu próprio ronco. Durante o fim de semana, vejamos, até poderia dormir até tarde, mas o pau no cu que divide o apartamento comigo levanta 7:00 horas da manhã e fica ouvindo Edson Gomes.

O engraçado é pensar que eu queria tudo isso, eu queria entrar na faculdade, queria arrumar um emprego, queria sair de casa. Agora fico o dia todo ocupada, e só chego em casa depois das 21:30. Não reclamo de nada disso, tenho que me dividir em 30 pra ter tempo de fazer tudo, mas sei que vai ser bom pra mim (ou não). É só que... o tempo, talvez eu esteja acumulando muita coisa da faculdade e não esteja tendo tempo de fazer tudo e acabe ficando tudo pra última hora, mas não abro mão de passar um fim de semana todo com meu namorado, pois é o único tempo que tenho pra curtir a companhia, o amor e o aconchego que ele me traz, e em momentos de tumulto psicológico-pessoal-acadêmico dormir agarradinha com alguém falando “boa noite” no seu ouvido e beijando seu pescoço ajuda que é uma beleza.

É cada vez mais difícil aceitar que se passaram 30 minutos quando a gente acha que passaram-se no máximo 15. É extremamente difícil aceitar que o tempo escorre pelas mãos e a gente ainda não fez nem metade do que estava previsto pra semana, pro mês e pro ano. É como se estivessem adiantando todos os relógios sem prévio consentimento. E a gente? Ainda não fez a viagem que sempre quis, ainda não comprou o livro que tá há meses querendo ler, ainda não assistiu nenhum dos filmes que adorou só pela sinopse, ainda não perdoou e muito menos esqueceu aquela discussão desnecessária do outro dia, ainda não colocou em prática nenhum dos projetos legais que anotou no caderninho, e continua olhando pro relógio apavorado com os ponteiros que parecem girar mais rápido do que nunca. As 24 horas já não são o suficiente, a gente quer tanta coisa, por que não querer mais horas no dia também? Procrastinação? Talvez. Preguiça? Bem provável. Desorganização? É, estamos quase lá…

Nascemos para viver e estamos vivendo menos do que nunca? Ah… preciso de mais tempo, sim. Só não quero ser daquelas pessoas que não têm tempo pros amigos, que não tem tempo pro amor, que não tem tempo pra diversão, eu quero ser a melhor professora de história que meus alunos irão ter, mas também quero ser a melhor namorada, a melhor amiga, a melhor irmã, a melhor parceira de diversão e de dança, a que não ignora mensagens, a que guarda um tempinho pra rir com os amigos, mesmo que na fila do restaurante da universidade ou no grupo do whatsapp, porque o bom profissional não se cria só do trabalho cego, os amigos, os amores, e o tempinho guardado pra tudo aquilo que te faz esquecer os problemas, também te fazem vencer. É tudo isso que você vai levar pra vida.

A verdade é que somos todos adultos, com vida de adultos, cabeça de adultos. Mentira, somos, adultos com cabeça de criança. AINDA BEM. Ou de velhinhos, às vezes. O fato é que cada um tem uma vida mais corrida que a do outro, os próprios compromissos, os outros amigos…
Conforme a gente vai crescendo, ficam dizendo pra gente que não vamos ter mais tempo pra nada. Nem pros amigos. “Depois começa a trabalhar, casa, tem filho e casa pra cuidar, quero ver conseguir ver os amigos”. E posso falar uma coisa? A realidade nua e crua é que a gente sempre vai ter menos tempo, menos espaço na agenda, mais coisas pra fazer, mais preguiça, mais cansaço, mais vontade de se enfiar num casulo e por lá ficar. E se a gente acreditar nisso, a gente se enfia no casulo mesmo e BUM, a vida já era.

Uma amizade verdadeira, sólida, é como casa de vó. A gente não vai sempre, mas ela está lá, ela nos ama, ela lembra muita da gente, e quando a gente vai visitar, rapidinho ou pra ficar sem hora pra ir embora, é a maior delícia e a comida é sempre mais gostosa.
Não precisa ser assim. A maldição do ‘um dia você não vai mais ter tempo pra isso’ não precisa pegar na gente. Nem em mim e nem em você. Amizade é tão mais do que estar por perto o tempo todo.

Você pode achar um tempinho na sua agenda pra ir comer comida chinesa com seu namorado, mesmo que depois os dois passem mal.

E quando o amigo tá triste, a gente arranja um tempo, leva pro bar, toma umas biritas, chora as mágoas lado a lado, que é pra tristeza escorrer mais rápido e ir embora duma vez.

Eu ando sem tempo, tenho muito trabalho acumulado, tenho que arrumar casa, mas ainda quero ser sim, a amiga, a namorada, a engraçada do grupo dos amigos do ensino médio, a filha que arranja um tempinho pra viajar no feriado e ver a família, pois, quando eu for a Dr. Luiza formada nas história do Brasil saber tudo dos índio das política e tudo mais, eles serão os únicos que irão ignorar esse “Dr.” e dizer que não sabem como eu consegui chegar nisso se eu não conseguia nem falar na frente das pessoas, mas vão morrer de orgulho de mim.

Inclusive, sem tempo pra escrever isso também, mas mesmo assim escrevendo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sobre protestos e estágios

Creio que pelo título do texto, muitos “zé amo textão polêmico nas internetz num tenho louça pra lavar” vieram até aqui só pra ver se ia ter muitas críticas políticas sobre protestos e blá blá blá, mas perderam a viagem porque não vou fazer isso. Mas confesso que o título foi proposital, pois nós do mundo dos business bloguero tem que ser muitos dos esperto (eu sei escrever direito, só não consigo não falar do mesmo jeito que falo twitter, ces me perdoa).

O que eu quero falar hoje, é sobre como foi maravilhoso meu dia na capital mcz com o bendito protesto de hoje na Fernandes Lima. “Cara, quem quer saber da sua vida?” Oh num sei se você já percebeu, mas tudo que tem nessa merda, fala da merda da minha vida, mesmo que indiretamente, então shiiiiu.

Então, hoje seria meu primeiro dia no novo estágio, e tinha que estar no local às 8:00 horas, peguei o ônibus perto do terminal de boas e já peguei lotado, quando chega na metade do caminho, ouço alguém falando no telefone que um amigo viu na TV que havia um protesto de estudantes e vigilantes da rede estadual bloqueando a Avenida, em frente ao CEPA. Imediatamente pensei “puta que pariiiiiiiiiu). Mas o que eu poderia fazer não é? Ia chegar atrasada no primeiro dia de estágio sem ainda estar com os papéis assinados, mas tá de boas.

Ônibus lotado, parado, a linda que vos fala suando mais que gorda dançando zumba, não poderia ficar melhor. Mas em meio a tudo isso, conheci alguém muito legal. Renata. Renata ligou pra sogra, D. Zélia, pra avisar que chegaria atrasada em algum lugar, e aproveitou pra falar sobre a Iara, que é sua cunhada, e não sabe educar o filho, Vinícius. Renata aproveitou pra reclamar do protesto, com as seguintes palavras “Isso acontece porque o povo é burro, é esse governador que o povo votou, filho de peixe peixinho é, e ele bebe viu menina? Bebe tanto nesse mundo” E creio que D. Zélia tenha respondido “Por isso” Fiquei sem entender. Renata desligou o telefone, e ligou pro marido, filho de D. Zélia, o qual chama de “bê”, por isso não sei seu nome, então usarei o codinome para me referir ao dito cujo. Renata explicou sobre o protesto, perguntou pelo filho, João, e disse que estava muito bem disposta depois de ontem, nem quero imaginar o que ela quis dizer com isso, só sei que pelo sorriso dela, hoje deve se repetir. Que ótimo, Renata, fico feliz por você e pelo Bê, adorei te conhecer e saber da sua vida assim tão profundamente.

Bom, já eram 08:20, e eu com o cu na mão imaginando a má impressão que ia passar me atrasando desse jeito no primeiro dia de estágio, o ônibus parado há 30 min no mesmo lugar, vi que o jeito seria descer e ter que ir andando. Tive que descer na Casa Vieira e ir andando até o Colégio Marista, quem é de Maceió sabe que eu iria passar bem uma hora andando, mas não tinha outro jeito. Estava usando uma sapatilha que ganhei do boy, que é muito mara beauty linda, mas tava apertando meu pé, me fodi mais ainda.

No caminho, devo ter aparecido em umas 120 fotos e uns 1234 vídeos, ainda ao passar por um ponto de ônibus, passa um senhor de bicicleta e grita: “Tá vendo aí? Culpa de vocês, eu disse pra não votar na Dilma”. Aí fiquei sem entender, a culpa é nossa, da Gilma, ou do governador porque ele bebe muito? Tô confusa.

Ainda passo por uma senhora, que vem brigando com o marido e os filhos, quando diz a seguinte frase: “E A GENTE VAI DE QUÊ??? MONTADO NA PICA DO JEGUE???”. Bem, fiquei um pouco constrangida (mentira, ri foi bem muito).

Já quase morrendo de sede, calor, cansaço e dor nos pés, resolvi parar em um supermercado do qual não posso falar o nome, pois estaria fazendo propaganda e nesse business propaganda só pagando, colega (foi no Unicompra) pra comprar uma água, mas a vadia não tava no caixa e eu não podia esperar porque já estava muito atrasada. Resolvi seguir meu caminho e ser forte, já estava chegando. Bom, cheguei exatamente às 09:30, toda suada, com cara de morta. Ainda bem que todo mundo entendeu e etc.

Mas agora sobre o estágio, vou falar pra vocês que apesar de toda a confusão, o cansaço, valeu muito a pena ter ido, só em um dia já aprendi muita coisa e to muito empolgada, é muito bom pela primeira vez sentir que to fazendo algo que eu gosto.

Mas ao sair, não poderia ignorar o fato de estar muito cansada, ter que esperar o ônibus num sol infernal, ainda ter que ir na faculdade, ir o caminho todo do lado do sol no ônibus, estar com o pé ferido, e morrendo de fome. Fui almoçar no restaurante da faculdade e acho que as tias que servem a comida poderiam ter ficado cegas com o brilho que saia dos meus olhos ao ver tanta comida na minha frente. Tinha um pirão muito do gostoso, e a tia colocou 2 PEDAÇO DE CARNE no meu prato, eu acho que eles adivinharam, foi o momento mais feliz do dia senhor obrigada.

Enfim, depois ainda tive que andar mais porque nada naquela UFAL fica perto, ainda dei viagem perdida porque tinha coisa faltando nos documentos, cheguei em casa e fui correndo esquentar água pra colocar os pés. Esse foi meu dia de muita sorte, pra nunca mais eu reclamar de morar no interior, onde nada disso acontece (porém prefiro mil vezes morar aqui mesmo). Acontece, mais tarde vou ver o mozi, e quem sabe tentar entender o que tanto a Renata fez que acordou tão bem disposta hoje rsrsrsr (mentira vocês num acredita nas merda que eu falo). Tchau.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Burlando o sistema e morrendo de diabete

Morrerei de diabete aos 22. Sejamos positivos, ainda tenho 2 anos.

Essa frase refere-se ao café horrível e extremamente doce que fiz hoje. Não nasci pra ser dona de casa.

Porém, a grande verdade é que vou morrer de câncer no cérebro, de tão ignorante que sou. Tanta burrice não pode passar sem causar nenhum dano ao meu organismo.

Acabei de decidir que não vou terminar a graduação, vou vender brincos na praia, é isso! Vou até comprar um CD do Ventania e um baseadinho para ir me adaptando.

Eu deveria era comprar um livro de culinária, casar e ter alguns filhos, não pensar em carreira profissional. Eu seria uma boa esposa... Ah, quem eu quero enganar. Mataria meu marido após o ato sexual e o comeria. Mentira.

Se eu resolvesse me matar hoje, de acordo com Durkheim, eu estaria incluída no tipo de suicídio chamado “egoísta”, pois nada integrada a sociedade. Nesse caso eu morreria, e ainda me incluiria num tipinho de grupo miserável que é esse desses ~egoistazinho~ do caralho. Se vocês não querem me ver com ~sangue nos olho~ não vem me dizer que eu sou egoísta não, porque se tem uma raça me dá vertigem é essa. Então seu Durkheimzinho vamo voltando aí das profundeza do inferno pra achar outra denominação pro meu tipo de suicídio, pois muita pressa em realizá-lo, mas não sem antes você me fazer esse favorzinho. “O suicídio misantrópico” (e num vem me dizer que isso é sinônimo de egoísta) seria uma boa opção. #FIKDIK

2014, que ano locasso gente, ~ ainn mais como assim o ano ainda não acabou rsrsrs ~ olha vocês para com a chatisse, tá?

Digamos que meu ano só começou a melhorar de agosto pra cá, pois até julho só desilusões, desilusões amorosas, acadêmicas, familiares, copísticas (não sei se essa palavra existe, ok) rsrs. Como eu disse em outro texto, os primeiros seis meses do ano são os piores.

Esse ano eu fui à praia 3 vezes, o que é uma vitória, pois tudo que se relaciona a sol e água salgada me deixa agastada. Numa delas eu tomei banho de mar, e meu Deus, há quanto tempo eu não tomava banho de mar. Um dos motivos de eu não gostar de tomar banho de mar, além do sal, do sol (de maceióóó) e dos coliformes fecais é a preguiça e o enfado. Falemos então do azul chocante do mar, é algo anormal, parece que alguém jogou litros de Listerine Cool Mint. Por isso digo e repito, o mar foi feito pra gente olhar e ter inspiração. Só. Sentar na beira da praia, embaixo de uma barraca, tomando uma cerveja, melhor coisa.

O ano tá acabando. Meu aniversário tá chegando. Eu vou completar 2 décadas de existência. Olha só como soa: 2 DÉCADAS. Que Deus (ou o satã) me ajude.

Acho que 2014 foi um ano de grandes mudanças pra mim. Sim, percebi uma leve mudança no meu jeito de lidar com as pessoas. Chega um momento da vida que você quer deixar de ser otária né migos. Não deixei. Mas amenizei.

Comecei a trabalhar. Meu chefe era um demônio. Fui demitida. Graças a Deus.

Maio foi um mês, olha, foi um mês pesado, pois tristezas que não vêm ao caso. Junho foi o mês de parar de chorar e deixar de ser troxa, e chorar de novo por causa da copa. Julho também foi um mês pesado, pois preocupações com a saúde rsrsr. Agosto parece que foi um mês de reviravolta. Deixei um pouco de ser troxa rsrs e passei a confiar mais em mim, sem depender dos outros pra tudo, foi bom. Fiz boas escolhas. Conheci alguém, dei uns beijo, e segurei pra mim. Em outubro saí da casa dos meus pais, e vim morar com meu irmão e um amigo em Maceió, daí já começam as aventuras. Tipo cozinhar feijão, tipo lavar roupa, tipo comprar banana, tipo chorar pela minha mãe ao acordar morrendo de cólica achando que o útero vai descer pela vagina. E tipo ter que dar meus pulos pra economizar dinheiro, porque vou dizer a vocês, viver nesse sistema burguês é muito caro, por exemplo, vocês sabiam que uma dúzia de ovos (pra quem não sabe são 12 ovos) custa 4 reais e cinquenta centavos? Minha gente, isso é um absurdo. Sem falar nas passagens de transporte pra ir pra faculdade, o que dá 25 reais por semana. Assim não sobra nem pra cerveja do findi.

Mas nessa vida de cidade grande já encontrei um jeito de burlar esse sistema e economizar na passagem. Vamos lá para o tutorial de como não pagar a passagem do ônibus: Eu pego o ônibus bem perto do terminal, ou seja, poucas pessoas estão no ônibus, quase ninguém pagou ainda, desço uns três pontos depois, assim não dá tempo de subir muita gente. Colega, mesmo tendo o dinheiro trocado, pego uma nota grande, tipo 10, 20 reais e vou pagar, nunca tem troco, assim eu vou de graça rsrsrs. Hoje não funcionou pois certeza que aquele cobrador que parece o Wesley Snipes do Forene/Trapiche das 11:00 já me marcou. Além de me dar o troco trocou minha única nota de 20, agora vou ter que pagar passagem até a semana que vem.

Semana passada tive a experiência de ir pela primeira vez a um: RODÍZIO DE PIZZA. Eu comi tanto que tive que subir no ônibus pela rampa de deficiente, e ainda assim foi difícil. Parecia pinto no lixo. Também né migos, comendo pão com ovo todo dia...

Depois que me mudei da minha super cidade interiorana as coisas melhoraram bastante (para o pessoal, o capital anda bem mals).

E sobre esse ano, aprendi a não me expor tanto, a falar pouco, jamais opinar em assuntos babacas e principalmente a não puxar conversa com desconhecidos.

Hoje não levanto bandeiras, não defendo nada. Só quero passar sem ser notada. E quando você inflar o peito pra dizer que leu isso ou aquilo não quero nem me dar ao trabalho de fazer aquela cara de nojinho. Eu não quero esse tipo de papo, essa vaidade intelectual me dá câncer.

Um pouco de hipocrisia, claro. Tenho um blog e escrevo a minha opinião sobre diversos assuntos, mas sempre de uma forma sincera (Há!) e sem ares de trabalho acadêmico. Não pense que quero me fechar, eu também sinto fascinio pelos outros.

O bom é agir com naturalidade, sem precisar provar nada a ninguém.

E se você faz parte do grupo de pessoas que me odeia, acha que sou pedante, uma retardada mental, vá tomar no meio da sua tobinha e não vem encher o saco.

E se 2015 puder ser só uma continuação do que vem sendo 2014 de agosto até aqui, mas sem meu aniversário e com dinheiro, eu ficaria levemente feliz.

Adeus.


domingo, 20 de julho de 2014

Um texto pra ser lido em 2018

Para o meu eu do futuro, eu peço desculpas, se, às vezes, neste mesmo blog, eu fugi do objetivo principal do mesmo, que é ver como eu pensava no passado. Desculpa se, às vezes, eu pensei mais nos leitores do que em você, essas coisas provavelmente nem vão te interessar muito. Esse texto, então, vai pra você.

Uma das questões é: eu tento ser uma pessoa perfeitamente racional na maior parte do tempo. Na maioria das vezes falhando miseravelmente. Digamos, então, que eu não seja perfeitamente racional o tempo todo, mas racional o suficiente perante os padrões que a sociedade nos exige. Exceto em raros momentos, divididos em três: quando alguém me irrita, quando eu me relaciono com aquilo que é consenso acerca de “amor”, e quando tenho que tomar decisões.

O primeiro ocorre tão raramente que eu nem me importo muito. É impossível não ficar puta com a minha vida de vez em quando.

E isso também não é uma peculiaridade minha – todos nós temos nossos infernos astrais, psicológicos e neuroses. É o que nos torna humanos pensantes.

Mas a relação com o amor é bastante complicada. Não precisa ser necessariamente eu estar apaixonada – muitas vezes não consigo sequer chegar a esse estágio -, mas quando o amor aparece no pensamento, nem que seja num distraído e inocente pensamento, já começa a complicar. Quando eu passo a ter “segundas intenções”. São pontuais esses casos, ocorrem com intervalos que tendem a anos, mas ocorrem.

Todas essas situações me trazem arrependimentos. Não que eu seja “contra o amor”, mas a minha postura em todas essas situações, por ser emocional, foi errada. Ou melhor – foi muito abaixo do que seria se eu fosse mais racional.

Existe, por último, mas não menos importante, pelo contrário, todos os momentos em que tenho que tomar decisões.

Eu preferia morrer a ter que tomar decisões (na verdade, eu preferia morrer a fazer muitas coisas na minha vida).

Mudo de emprego pra fazer o que amo ou fico no que paga mais? Faço uma viagem ou compro um carro? (se eu tivesse uma dúvida dessas no momento, eu tava era muito feliz rsssrsr) Jogo tudo pro alto ou permaneço segura onde estou? Caso ou compro uma bicicleta? (gente, quem preferiria casar a ter uma bicicleta???? A não ser que você fosse casar com o Sílvio Santos, aí você poderia ter quantas bicicletas você quisesse né).

Me vejo numa sinuca de bico (rrssrsr amo falar esses bordão) quando tenho que escolher entre duas coisas das quais eu tenho certeza que são boas pra mim, ou das quais eu não tenho absolutamente certeza nenhuma. Não sei qual das duas situações é a pior.

Existem aquelas pessoas que ficam horas dentro de um provador de roupas olhando pra duas cores de camisa e saem de lá sem nenhuma (ou com as duas!) porque simplesmente não conseguiram escolher (eu). Existem aqueles que passam a vida em um emprego medíocre porque não conseguiram tomar a decisão de arriscar quando outra oportunidade surgiu (pode ser eu no futuro). Existem pessoas que se atrapalham todas nos relacionamentos porque não conseguem saber quem realmente desejam ter a seu lado, seja como amigo ou namorado (bem...).

Seria ótimo se a vida sempre nos mostrasse uma seta indicando o melhor caminho a seguir, mas não é e nunca será assim. Existe muita complexidade por trás das escolhas de cada um, e é por isso que não é possível que alguém, além de você, diga o que é o melhor a ser feito, o que é injusto. Deveria existir uma pessoa na sua vida que fosse obrigada a tomar todas as suas decisões por você, daí se tudo desse errado você já saberia em quem colocar a culpa. Tomar uma decisão importante é um processo solitário que pede muita reflexão, honestidade e coragem. Cada escolha exige questionamentos próprios, por isso não há como criar uma fórmula ou mapa que garanta que você vai decidir pela melhor opção. (calma, né auto-ajuda isso não, gente)

Ultimamente, eu ando tendo que tomar algumas decisões na minha vida, e isso ta fodendo com a minha cabeça de um jeito inexplicável. E nisso, pelo menos, eu to tentando ao máximo ser racional. Só que, as vezes, tenho uns extremos de racionalidade, e me quebro em uns extremos de emoção. Assim não dá, Luiza, se controla, ô jumenta.

Mas aí, quando você pensa que já ta bom de tanta decisão pra tomar, vem uma daquelas que pode mudar o rumo da sua vida, talvez, pra sempre. Eu acho é que tá pouco de tanta escolha que eu tenho que fazer, acho era que tinha que ter mais escolha, manda mais um monteee......

Eu queria, apenas, me isentar de todos os riscos em tomar uma decisão dessas, como eu disse, ter alguém pra tomar todas as decisões por mim. Talvez, Deus, já que se acha o sabidão e tem todas as respostas, escolhe aí pra mim vai, quero ver se é tão fácil, sabendo que se der tudo errado a culpa vai ser total e restritamente sua, ô seu Jeová.

Por não saber, realmente, o que fazer, pedi opinião a alguns seres humanos, que devem ser mais burros do que eu, porque o que eu mais ouvi foram respostas do tipo: ainn segue o seu coração. Minha filha, desde quando seguir o coração é conselho bom a dar ou a seguir? Eu nem sei como porra é que se segue o coração.

Eu tento ver as coisas positivas e as negativas, toda elas ficam equilibradas na minha balança imaginária que eu poderia usar pra me pesar e ver que to gorda, e tomar vergonha na cara, e ir pra academia, e parar de tomar Danone com leite condensando 2:00 horas da manhã. E com esse equilíbrio, a única coisa que me vem na cabeça é: medo.

Sim, eu sou covarde, e nem vem com discursinho moralista de que ainn todos temos que superar nossos medos e tentar, se não nunca vamos conseguir sair do mesmo lugar e ficar nessa inércia pra sempre, porque não cola comigo. Eu sou uma covarde assumida, e ok, tenho vergonha, mas não posso mudar o fato de que sou.

Tenho medo das duas escolhas que posso fazer, ficar e me arrepender pra sempre, e ir e me arrepender pra sempre. Talvez eu esteja me precipitando, talvez seja a hora, mdssssssssss não sei o que fazer.

Eu só queria dizer, pro meu eu de 2018, que não sei se já vai estar formada em História, ou em Jornalismo, na UFAL ou mesmo nessa tal de UFRN, ou nenhuma dessas opções, talvez tenha virado mendiga, ou cafetina, mas que vai ta lá, mais uma vez torcendo pro Brasil ganhar a copa, se arrependendo, talvez, do voto da última eleição, e tentando fazer diferente na do mesmo ano. Eu só quero dizer, que independente da escolha, que o meu eu de 2014 fizer, é pensando só no seu bem, me desculpa se eu tomar a decisão errada, acho que eu mereço o seu perdão por toda essa pressão que pode me fazer mesmo escolher erroneamente. Saiba que se eu ficar, e isso acabar interferindo em algo negativo na sua vida, tente relevar, e desconte toda a raiva que você possa vir a sentir de mim em outra coisa, talvez pra ter mais força de vontade de malhar e ficar gostosa, porque se depender de mim, acho que você vai estar com uns quilinhos (quilões) a mais, me desculpa por isso também. Se eu for, e tudo acabar sendo um fracasso, saiba que eu tentei, tentei de verdade, pra que você fosse feliz, tanto profissionalmente, quanto pessoalmente, talvez pra que você fosse uma Luiza mais forte, decidida, que soubesse se virar sozinha. E se tem uma coisa que ta apertando meu coração mais que tudo, é pensar em ficar longe das poucas, mas tão necessárias pessoas que você encontrou por aqui pelas alagoas, e que pelas bandas natalinas (rsrsrs lembra como seu humor era bem fodidinho, né? Espero que pelo menos nisso tenha tido uma evolução) você nunca vai encontrar.

Enfim, é isso, deixo aqui meu pedido de desculpas, se minhas escolhas de hoje não te agradarem tanto, eu tentei. Tomara que você leia esse texto, e pense: nossa, como eu escrevia mal, ainda bem que me formei e hoje sou uma das melhores roteiristas/redatoras/escritoras desse brasilzão de meu deus, graças as minhas escolhas de 2014, e ainda sou casada com aquele jornalista gostoso e a gente é bem rico e um casal muito do famoso e gatos super top rsrsrsrsr. Se eu não for, muitos vão me chamar de covarde, e você sabe como eu sou, eu fico mal sim, com o que pensam de mim, mas espero que aí você consiga me honrar e mandar um: se fode vocês a escolha foi minha e hoje eu to feliz. E independente de ir embora ou não, saiba que dá pra tentar ser feliz com os dois, agora aí já não é mais comigo... quer dizer, até é, é comigo, com a Luiza de 2015, a Luiza de 2016, 2017 e com você; não deixem o fardo todo nas minhas costas.