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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Vamos falar sobre a cultura do estupro?


Todo momento é um bom momento pra se debater sobre esse assunto, mas ESSE momento não poderia ser menos propício.

Todo mundo que tem acesso a internet, facebook, twitter, já sabe que, recentemente, uma moça foi drogada e estuprada por mais de 30 homens, segundo eles mesmos. Como se isso já não fosse um horror por si só, eles ainda a filmaram nua, mostrando suas partes, fazendo piadas com o estado em que a deixaram. Fazendo piada com o número de homens que a estupraram enquanto a mesma estava inconsciente.

Eu tenho uma conta no twitter, e o vídeo apareceu na minha timeline, eu abri, mas confesso que não aguentei ver até o fim, e só fiquei sabendo que tinham sido mais de 30 homens pelos posts que as pessoas, também indignadas, fizeram depois. Queria eu que fosse mentira.

MAIS DE 30 HOMENS.

Foi impossível, eu, como mulher, vulnerável nessa sociedade escrota e patriarcal, não me colocar no lugar dessa menina, foi impossível não chorar ao ver a declaração da mesma dizendo que quando acordou tinham 33 caras em cima dela. Eu não consigo nem imaginar o seu desespero.

A violência contra a mulher é tão naturalizada, que não só a estupraram, também filmaram e postaram na internet, isso quer dizer que, por mais que uma certa maioria tente negar e relativizar isso, NÓS VIVEMOS NA CULTURA DO ESTUPRO, SIM. Isso poderia ter acontecido comigo, com você. Isso não é doença, nem loucura, é a naturalização da perversidade contra nós mulheres. A tolerância e a normalização acabam incentivando ainda mais as atitudes violentas.

E aqui estamos falando do que é aceito como normal pela sociedade. Se você for mulher, tenho toda a certeza de que já passou por ao menos um episódio de abuso, seja na rua recebendo uma cantada, no transporte público com homens encostando em você ou mesmo dentro de um relacionamento quando a outra parte envolvida não soube aceitar um “não”.

Alguns dos comportamentos e atitudes que ajudam a reproduzir a cultura do estupro são:

- Achar que estuprador é só aquele cara desconhecido que ataca uma mulher no meio de uma rua escura, às 2h da madrugada.

- Achar que existe um meio-termo quando se trata de estupro.

- Romantizar a conquista a qualquer preço e achar que um ‘não’ pode significar um ‘sim’ se ele não é dito com ênfase.

- Culpar a vítima e praticar ‘slut-shamming’.

- Cantadas de rua também ajudam a perpetuar a cultura do estupro.

- Dizer que a vítima pode evitar o estupro.

- Roupas e acessórios “anti-estupro”.

- Piadas de estupro.

- Medo de denunciar é algo normal numa sociedade que culpa as vítimas, não acredita nelas ou vê o estupro delas como algo menor, desde a polícia e o médico legista até a família.

- Minimizar quando o estuprador é famoso.

- Minimizar o estupro quando ele acontece com minorias.

- A “Friend Zone” é a ideia de que um “cara legal” possa ser colocado em uma zona de amizade sem sexo por uma mulher próxima que injustamente não percebe que ele é o par romântico perfeito pra ela. A narrativa da friend zone coloca o foco no sexo como uma recompensa por ser uma boa pessoa.

Se homens estupram em nome da sua masculinidade, mulheres são estupradas em nome da sua feminilidade. A mulher, quando nega uma relação sexual, é vista como alguém que provoca o homem, mas na hora H, não quer sexo. E é aí que aparece a culpabilização. As vítimas de estupro aprendem a se sentirem culpadas. “Alguma coisa elas fizeram pra merecer isso”.

O uso da força é o requisito básico do comportamento masculino que as mulheres foram treinadas desde a infância a temer. Desde pequenas, não estamos em pé de igualdade nesta competição. Quem nunca ouviu que “brincar de lutinha é coisa de menino”, por exemplo? Enquanto eles são incentivados a buscar a força física, somos incentivadas a brincar de casinha.

O estupro deve ser visto como uma forma de violência, poder e opressão masculina, uma forma consciente de manter as mulheres em estado de medo e intimidação.

Que fique bem claro então: estupro não é um crime relacionado a sexo ou desejo sexual. O estupro se refere a uma relação de poder: trata-se de um processo de intimidação pelo qual os homens mantêm as mulheres em um estado de medo permanente.

Assim, ao observar a nossa sociedade nos dias de hoje, podemos claramente enxergar como a cultura do estupro continua viva. Hoje a sociedade ainda leva em consideração a maneira como a vítima está vestida e até mesmo sua vida e hábitos. Se a mulher está vestida de forma tida como provocante, isso é considerado um atenuante para o agressor. Se ela tiver vários parceiros, beber demais ou voltar muito tarde para casa, também.

As mulheres vêm obtendo êxito na conquista de certos direitos sociais e progredindo em direção à igualdade de gênero. Mas a desigualdade, no entanto, ainda não foi totalmente ultrapassada, sendo um reflexo da tradição patriarcal da sociedade.

Uma coisa fica nítida: as mulheres não são vistas como seres com vontade própria, são consideradas propriedade dos homens. Cabe às mulheres obedecerem às regras masculinas – ser feminina, falar baixo, aceitar ser vista como objeto sexual pois “homem é assim mesmo”. E quem não aceita as tais “regras masculinas” é culpada por tudo o que lhe vier a acontecer.

Enfim, pra não me alongar mais, a cultura do estupro é uma estrutura onde a mulher é culpada por qualquer constrangimento sexual que venha a passar. Uma sociedade que acha normal uma mulher ser constrangida na rua por uma cantada; normal uma mulher ser estuprada por estar bêbada ou usando roupas curtas; normal uma mulher ser forçada a fazer sexo com o companheiro, afinal, ele é seu marido ou namorado; normal uma mulher ser vista apenas como objeto para satisfazer as vontades alheias; normal uma mulher ser intimidada por homens heterossexuais quando é lésbica, porque na verdade ela tem que aprender a gostar de homem. E é exatamente essa normatização que precisa ser combatida.

Toda a minha empatia para essa moça, as pessoas que fizeram essa barbaridade com ela serão punidas, e eu como mulher me sinto muito aliviada, mas o que ainda me deixa triste é saber que as outras mulheres que são estupradas todos os dias e não são veiculadas na mídia, continuarão com o terror de terem seus estupradores livres e impunes. Por isso, eu imploro para que todas as mulheres se unam. Cuide da sua filha, da sua irmã, amiga, colega de trabalho, da desconhecida que está bêbada em uma festa e que se perdeu. Cuide da mãe que não encontra a filha e está pedindo ajuda. Cuide da sua avó. Cuide da professora que não está ouvindo os absurdos sobre ela durante a aula. Cuide de mim.

Uma jovem foi violentada por 30 homens e eu não pude cuidar dela. Eu não pude proteger o seu corpo e alma. Mas eu posso cuidar de você. E você de mim.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Belas, emponderadas, do bar, do lar, da chuva, da fazenda ou de uma casinha de sapê...


Uma mulher deve poder ser o que ela quiser ser, poder fazer o que ela quiser fazer, poder agir como ela quiser agir, poder falar, cruzar as pernas, colocar roupa que quiser, gargalhar, tudo como ela decidir  – no limite do convívio humano (essa parte eu acrescento por motivos de: pessoas esquecendo a humanidade e falando em tortura e afins).

Uma famosa revista brasileira publicou uma matéria sobre Marcela Temer. Mentira, ela publicou uma matéria com a “esposa do Michel Temer”. Começa daí o problema.

O texto causou grande repercussão nas redes sociais, e não é pra menos: o que lemos foi o retrato de uma “esposa perfeita”, daqueles muito comuns nos jornais femininos das primeiras décadas do século passado. As qualidades ditas femininas eram exaltadas: doçura, cordialidade, submissão, pudor, paciência e resignação. Ninguém está criticando Marcela Temer por seu estilo de vida, o feminismo sempre buscou a liberdade feminina, seu direito de escolher qual caminho seguir. O que nos chama a atenção é o indisfarçável cheiro de mofo que emana do artigo em questão. Quem é exaltado, se prestarmos bem atenção, é o marido. Um homem “de sorte” por ter sabido escolher uma companheira tão perfeita…

A matéria provocou reação. Que bom que provocou. Muitas mulheres, eu inclusive, divulgamos fotos zoando a descrição, apontando outros espaços, formas e contextos de existirmos além da descrição “bela, recatada e do lar”. Reivindicamos as ruas. Os bares. Reivindicamos a liberdade, a luxúria, a falta de decoro. Reivindicamos o mundo do trabalho, do consumo, o espaço público. Confrontamos o discurso que enaltece o modelo “mulher do Temer”.

A Marcela não é a figura do retrocesso feminista. A Marcela não é o problema. As escolhas da Marcela não são a questão. A questão é que ainda vivemos na dicotomia santa e vadia. Eu vivo. No contraponto do bela, recatada e do lar, também existe o fora do padrão, a despudorada e a da rua. E por que alguém, também, não haveria de ter a sorte de conhecê-las?

Por isso, aqui estão 15 músicas que irão te inspirar a sair da cama hoje e sentir orgulho de ser mulher pelo simples fato de sermos quem somos.

1. No Doubt - Just A Girl

I'm just a girl, what's my destiny?
What I've succumbed to Is making me numb

Em Just a Girl, Gween Stefani mostra que ser “apenas uma garota” não te impede de realizar nada.

2. X-Ray Spex – Oh! Bondage Up Yours

Some people think little girls should be seen and not heard but I think oh bondage up yours!

A vocalista da banda formada em 1976, Poly Styrene, é a alma agressiva e voraz das mulheres em buscas de seus direitos nos anos 70.

3. TLC - No Scrubs



No, I don't want no scrub
A scrub is a guy that can't get no love from me

Sabe aquele cara que se acha no direito de opinar em tudo o que você veste, fala ou como você se comporta? Ele é um scrub e não merece sua atenção!

4. Bikini Kill - I Like Fucking

Just ‘cause my world is so fucking goddamn full of rape
Does that mean my body must always be a source of pain?

Bikini Kill foi a banda que deu o pontapé inicial do movimento punk feminista dos anos 90, que ficou conhecido como Riot Grrrl. Kathleen Hanna também integra as bandas The Julie Ruin e LeTigre, que valem a pena serem ouvidas.

5. Ellen Oléria - Antiga Poesia



A planta é feminina, a luta é feminina
La mar, la sangre y mi América Latina

Essa foi uma das melhores músicas que conheci esse ano, fala de mulher negra, e o que é ser feminista, mulher que batalha, como ela mesma diz "Aqui não tem drama ou gente inocente, aqui tem mulher firme arrebentando as suas correntes".

6. Poison Girls - Cry No More

I’m tired of crying, it changes nothing
For the abuse of sex, the endless rape

A vocalista Vi Subversa, surgiu com a Poison Girls na explosão do punk quando ela tinha 44 anos e mãe de dois filhos. Isso deu força para as mulheres se engajarem e mostrarem que podem fazer música independentemente da idade.

7. Sharon Jones & The Dap-Kings - Nobody's baby

Well, you know, I'm nobody's soldier
I'm a bonafide captain

Muitas mulheres já passaram por um relacionamento abusivo, onde o parceiro faz a mulher se sentir culpada e inferior, mas dessa vez não, porque ela não é soldado de ninguém, agora é "capitão".

8. Karol Conka - Você não vai



Mas você se distrai, confunde o meu valor
Sai falando demais, fica puto enquanto eu vou
Onde você não vai, você não vai

A Karol pra mim é uma das melhores cantoras da atualidade, está inserida em um dos cenários mais machistas da música brasileira, o hip hop, e ciente disso, emprega em suas letras a liberdade de ser e fazer o que quiser a partir do princípio da liberdade da mulher.

9. Aretha Franklin - Respect

All I'm askin'
Is for a little respect when you come home

Não preciso falar muito né? Afinal a letra da música já fala por si só, ela só quer o que todas queremos, respeito.

10. Beyoncé - Flawless



Feminist, a person who believes in the social
Political and economic equality of the sexes

Entre outras músicas com letras muito empoderadoras para as mulheres, Flawless de Beyoncé acabou se tornando um hino feminista graças à adição do trecho de um dos incríveis discursos de Chimamanda Ngozi Adichie.

11. Karol Conká - Tombei

É no meu tempo 
As minhas regras vão te causar um efeito 
É quando eu quero se conforme é desse jeito 
Se quer falar comigo então fala direito, fala direito 

Eu poderia colocar todas as músicas da Karol Conká nesse post bem de boa, porque todas vão ter pelo menos alguma frase que empodere as mulheres.

12. Rita Lee - Pagu


Minha força não é bruta, não sou freira nem sou puta
Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda

A música composta por Rita Lee e Zélia Duncan é inspirada na escritora e jornalista Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, uma grande referência para o movimento feminista brasileiro. E faz referência também às mulheres que foram queimadas em fogueiras acusadas de bruxaria entre os séculos XV e XVIII.

13. The Runaways - Cherry Bomb

Come on, baby, let me get to you

Bad nights cause'n teenage blues
Get down, ladies, you've got nothing to lose

"Cherry Bomb" é um trocadilho sonoro, uma vez que Cherie em francês significa “querida” e não tem nada a ver com cereja. Mas a ideia é bem imagética também: uma bomba de cereja. Algo que é doce, aparentemente delicado, mas que explore. Ou seja, é a reunião de uma aparência frágil com algo potencialmente perigoso

14. Christina Aguilera - Can't Hold Us Down



So what am I not supposed to have an opinion
Should I keep quiet just because I'm a woman
Call me a bitch cos I speak what's on my mind

Você já teve coragem de rebater aquela cantada que ouviu na rua? Christina Aguilera não só responde, usando a letra dessa música, como também dá força a outras mulheres se unirem e desabafarem também.

15. Destiny's Child - Survivor

You thought that I'd be sad without you
I laugh harder
You thought I wouldn't grow without you
Now I'm wiser

A última da lista tinha que ser SURVIVOR, a letra fala muito sobre independência feminina, inclusive, a Clarice Falcão laçou um clipe fazendo um cover dessa música com mulheres das mais diferentes idades, etnias, credos, corpos… Para fazerem o que bem entenderem com um batom vermelho, pra quem quiser dar uma olhada.

Agora sim fiquem com muita música, muito amor e emponderamento.

E fiquem com a melhor imagem da semana:


terça-feira, 5 de abril de 2016

Sobre o verdadeiro amor

Aka estou eu, aproveitando o tempinho livre pra falar sobre algo que vem rondando minha vida faz uns 4 meses. “Mas, nossa, Luiza, e por que você só decidiu falar sobre isso agora?” Ai migos, respondo pra vocês rsrsrs, é que hoje, alguém que eu sigo no twitter estava falando justamente sobre isso, e foi algo que ficou na minha cabeça o dia todo. E eu também já falei sobre isso em outros textos, mas indiretamente, bemmm indiretamente.

Enfim, eu to aqui pra falar, hoje, sobre meu relacionamento mais complicado: Meu relacionamento comigo mesma.

Nesses twittes, os que mais me chamaram a atenção foram esses:


Sabe, minha vida amorosa nunca foi um mar de rosas, mas sempre fui de boa em relação a términos, até que há 4 meses aconteceu algo comigo que me deixou sem chão, e foram longos 4 meses de sentimentos ruins guardados dentro de mim pra eu poder entender que minha pior inimiga no momento estava sendo eu mesma. Acho que chegou um momento em que me vi tão fragilizada, parei e pensei: “ei caralho, essa aí não sou eu não”.

Por mais que eu queira sempre negar, eu sempre fui muito sensível e fácil de atingir. Passei maior parte da minha vida sentindo que eu não era nada, e que, por isso, não merecia grandes coisas. Eu tinha certeza que nunca ia achar o amor, pois, afinal, quem iria me amar? Por isso, eu sempre tentei “compensar” a falta de beleza tentando ser engraçada e inteligente. Assim, eu pensava, quem sabe alguém me enxergaria?

E só agora entendo que esse pensamento não prejudica ninguém além de mim, e faz com que eu sempre ame mais a pessoa que está comigo (ou não mais) do que a mim, e me humilhe, e seja submissa, e pense sempre mais nos outros do que em mim mesma, o que faz também com que as pessoas pisem em você sem dó.

Hoje eu só posso pedir desculpas a mim mesma por ter aceitado tão pouco. Por me sentir sempre tão insegura e menos dona de mim. Por colocar outra pessoa que não eu em um pedestal tão alto. Por rir, sem graça, das piadas machistas, por medo do que a outra pessoa iria pensar. Por me calar todas as vezes em que feriram meus sentimentos. Por ser tão dependente emocionalmente de alguém que nunca gostou de mim.

Com muita desconstrução e com a ajuda de amigos maravilhosos, percebi que eu não preciso “ganhar” ou provar o meu valo, ele já é meu por direito.

É claro que perceber isso é um processo complexo. Há dias em que eu esqueço tudo o que já sei e me sinto, de novo, um lixo sem valor. Demorei quase 21 anos para perceber que não fazia sentido eu ver a beleza em todo mundo e incentivar a aceitação própria para os outros, enquanto eu mesma me criticava de uma forma tão dura. Eu me odiava e essa é uma das piores sensações que se pode experimentar. Até que em algum momento vi que aquilo era tortura comigo mesma, que eu merecia muito mais, eu merecia amor. E me dei uma chance. Eu resolvi começar a me amar. Claro, eu ainda tenho um relacionamento cheio de reviravoltas comigo, mas foi a melhor coisa que fiz. Nem eu, nem qualquer outra pessoa podemos aceitar um “amor” que nos diminua. Não é fácil, mas garanto que faz toda a diferença.

Eu queria ter tido voz mais cedo. Eu queria ter respondido quando fui insultada. Queria ter defendido meu lado e gritado o quão mesquinhas as pessoas podem ser. O quão infelizes as pessoas são em tratar mulheres como se fossem objetos. E manipulá-las.

Aprendi que todos os relacionamentos que temos no decorrer de nossas vidas são experiências únicas que nos fazem crescer como seres humanos. E aprendi muito com o último a reagir e a não tolerar um relacionamento quando a impossibilidade do diálogo se instala, quando o medo de dizer algo, qualquer coisa que seja, se impõe. As vezes, você tem que engolir seu orgulho e aprender a pedir desculpas quando está errada, mas também aprendi que, às vezes, nos culpamos demais por algo que não é culpa nossa. Aprendi que todo relacionamento tem seus altos e baixos, e que é preciso muita compreensão para superar as dificuldades, não se acaba tudo na primeira dificuldade, e se a outra pessoa deixou isso acontecer é porque realmente nunca mereceu o que você tinha pra dar. Acabei aprendendo um pouco mais sobre mim mesma. Os homens que passaram pela minha vida me ensinaram muito, me ensinaram inclusive a me amar, me amar acima de tudo, foi difícil perceber, mas você aprende a não aceitar migalhas de ninguém, porque todo mundo merece mais.

A sensação de estar bem consigo mesma não tem preço. A gente passa por muita coisa nessa vida, e as mais difíceis servem pra te fazer aprender. “Há males que vem para o bem”. Com todas as experiências ruins, vem o aprendizado. E as coisas boas também, é claro, como se reaproximar de amigos que andavam distantes, viver aventuras que há muito tempo não viva, experimentar coisas novas, isso é maravilhoso. Manas, não aceitem estar em um relacionamento abusivo, não achem que sua vida não existe se não tiver aquela pessoa que te abandonou da pior maneira possível ao seu lado, você não merece quem te faz mal ao seu lado, nunca, e digo por experiência própria, quando você aprende que você vem em primeiro lugar, tudo fica mais fácil. E se você tiver amigos maravilhosos ao seu lado, que deixam claro o tempo todo o quanto você é maravilhosa, assim como eu tenho, eu sei que tudo vai ser mais fácil.

Bjs de luz, e emponderem-se. 

terça-feira, 29 de março de 2016

Você também é Bolsominion?


Olá amigos, tudo bem com vocês? Faz tempo que eu não apareço por aqui. Ando sem tempo, sem coragem, sem criatividade etc. Mas hoje quero falar com vocês sobre um assunto que eu nunca falei aqui neste recinto: política. Sim, amigos, chegou a minha vez. Não necessariamente seria politica, mas uma pessoa em especial da qual todo mundo já tá cansado de falar, o que até acaba fazendo com que a pessoa se torne mais popular, mas whatever, vamo falar de novo sim, porque a gente vive em uma democracia né nom? (pelo menos até agora).

Nessa semana, no grupo do facebook do meu antigo colégio, resolveram fazer a seguinte enquete: “SE AS ELEIÇÕES FOSSEM HOJE, EM QUEM VOCÊ VOTARIA PARA PRESIDENTE/A DA REPÚBLICA?” Dentre as opções Marina Silva, Lula, Ciro Gomes, Aécio, etc, e até “Outro”, a opção mais votada me chamou muito a atenção. Ok que aqui no Brasil todas as nossas opções são bem ruins, pra falar a verdade, mas daí todos esses jovens afirmarem que são eleitores do -tã nã nã nã suspense- Bolsonaro me surpreende demais. Calma galera, não tô querendo saber mais do que ninguém (até porque eu não sei de nada mesmo), ou achar que minha opinião é sempre a única e certa, até porque ela é só minha opinião e eu tenho direito de expor (isso porque nosso presidente não é o Bolsonaro rsrsrsr), eu só queria tentar entender o que leva alguém, principalmente jovens de 15 a 18 anos de idade votarem em uma pessoa que afirma que "mulher deve ganhar um salário menor do que o homem, porque engravida", porque realmente é algo que me deixa com medo.

Lendo mais um pouco (porque também não quero ninguém aqui me chamando de burra né), o que eu entendi é que essas pessoas que afirmam a torto e a direito (amo usar essas expressões rsrsrs) votar no deputado Jair Bolsonaro, e chamam ele de bolsomito (os famosos bolsominions) representam uma parcela da população que tem medo. E o medo faz com que essas pessoas busquem alguém que as defenda.

O cara diz que bandido bom é bandido morto e que não tem esse negócio de ser menor, se é “vagabundo” deve ser preso e pronto. E que o regime militar era bom porque havia “segurança” e quem foi preso pelo regime militar é porque “merecia” e quem era cidadão de “bem” não tinha medo.

Na verdade o deputado expressa a opinião de quem tem medo e não vê a ação efetiva do Estado combatendo esse medo, oferecendo respostas democráticas. Por isso as pessoas buscam saídas que julgam eficientes, mesmo que não sejam democráticas. Por que a democracia deve ser um valor maior do que a segurança e o bem estar? Como exigir isso das pessoas? Somado a isso temos uma ausência de construção de valores democráticos muito grande. Não há esse debate nas escolas; não há esse debate nos meios de comunicação; não há esse debate nas famílias. Como exigir que as pessoas se comportem de um jeito em relação ao que nunca tiveram ou tiveram muito pouco? Medo não exige aprendizado. Medo busca proteção. E Jair Bolsonaro oferece. E as pessoas votam nele.

Muita gente – eu, por exemplo – não concorda com isso. Quando chega então na galera que tudo é uma conspiração diabólica, comunista, bolivariana, gayzista, feminazi que se instalou na América Latina e se reúne no Foro de São Paulo, entre camisas do Che Guevara, eu fico bem perplecta. Gente que acredita que o assassinato, a tortura ou o estupro de seres humanos pode ser justificável. Que tem certeza de que bandido bom é bandido morto, mas é melhor bandido do que homossexual não é verdade? Pessoas que tem certeza de serem corretas, guardiãs da moral e dos bons costumes. Que tem pavor de mudanças que podem lhes tirar privilégios, “direitos adquiridos”. Estão todos, como já disse à espera de um salvador, e esse salvador, é o Bolsonaro.

Eu tento entender essas pessoas de alguma forma, e isso do “medo” me pareceu ser o único jeito, mas pra mim a maioria de seus eleitores só querem uma desculpa pra serem asquerosas em paz. O foda é que no meio de tudo isso há muito ódio, mas como diz a senhoura Inês Brasil, a gente tem tudo é que se amar irmãos, ter carinho um com o outro, sem fazer mal a ninguém. #paz



Eu não entendo muito de política não galera, só quis mais falar o que penso mesmo, me desculpem se falei alguma burrice, também pesquisei muito pra não falar nenhuma besteira, então valorizem meu esforço, um beijo no core e até a próxima.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Vão-se o anéis, ficam-se os dedos...

Eu nunca entendi bem esse ditado, e sempre tive dúvidas se o certo era “vão-se os anéis, ficam-se os dedos” ou “vão-se os dedos, ficam os anéis” mas, melhor que se vão os anéis e que fiquem os dedos, né? Já pensou se os dedos se fossem? Onde eu colocaria os anéis? Se bem que nem gosto muito de anel. Então nada disso faz sentido, foda-se.

Pensei no título, por conta de todo esse “bafafá” com o casal mais lindo e feliz deste planeta chamado Terra, Gisela Bintian diva destruidora brasileira humilde riquíssima e Tom Brady



“Bafafá”, essa palavra deve estar na lista das 5 palavras mais maneras que eu conheço, são elas:

1- Tabaco (pelo duplo sentido na minha cabeça sim)
2- Lambisgoia
3- Bafafá
4- Sirigaita
5- Gaiato

Enfim, eu não preciso explicar o que aconteceu né? Mas se você não sabe, pesquisa no google, por favor, tô com preguiça de explicar.

Olha gente, não tô aqui pra falar de vida de famoso (já tá falando sua estúpida), só queria fazer umas análises. Parece meio idiota a gente “se doer” por algo que acontece com esses famosos tão intocáveis né? Mas é que tem aqueles casais perfeitos, que você acha que vão ser felizes pra sempre, que nunca vai dar merda, que até lá na sua cabeça de adolescente nos contos de fadas te dá uma esperança de que existe um relacionamento perfeito, aí “boom”, dá merda do mesmo jeito. Acredito que sim, isso meio que me fez perder um pouco a fé na humanidade, que já andava lá meio abalada depois que vi uma pesquisa sobre em quem os brasileiros votariam para presidente na próxima eleição e o Bolsonaro tava em primeiro lugar. É que pensando por uma linha de raciocínio mais pessimista, ou até realista, se a até a Gisele Bündchen, a GISELE BÜNDCHEN, diva poderosíssima, maravilhosa, top número 1 do mundo, riquíssima, cabelo parece ouro do tanto que brilha e ainda voa quando o vento bate, foi (supostamente) traída, o que será de nós meras mortais que compramos uma base da mary kay chorando por causa do preço. Vão me criticar porque tô julgando uma atitude assim, pela beleza dela? Julguem. Até porque nem seria só pela beleza, mas é que ela é a Gisele Bündchen, sabe? Eu se casasse com uma mulher dessa, fazia um altar pra ela e me ajoelhava toda noite antes de dormir. Mas vamos lá, com toda história, pra quem vai a culpa de tudo isso mesmo????? Mas, é claro que vai pra babá piranha ladra de marido, e também, por que não, pra própria Gisele? Quem manda contratar uma babá gostosa e colocar dentro de casa né, gente? O marido, tão indefeso, pobre coitado, não teve como se livrar das garras da babá predadora. PUTAAA MERDAAAAAA ISSO ME DEIXA MUITO DESGRAÇADA DA CABEÇA, principalmente se quem fala isso é uma mulher.

Claro que isso não é um caso isolado, é sempre comum numa traição, a culpa ser sempre da mulher, que é uma piranha, ou que não deu “assistência” no casamento. Esse tipo de atitude tá intimamente associada a essas nossas malditas raízes patriarcais. Parece que vocês não vão evoluir nunca. Hoje, falamos abertamente de sexo, fazemos nossas escolhas, temos direito a ter uma vida social independente, queremos ter sucesso em nossas carreiras. Mas, pagamos um preço alto por isso. Somos sempre julgadas por nosso comportamento. Outro dia li um texto que dizia “não importa o que você faça, em algum momento de sua vida, você será chamada de piranha, vagabunda ou coisa do gênero”. E é verdade. Todos estão sempre prontos a nos julgar com severidade. “Foi promovida? Só pode ter ‘dado’ para alguém. Foi agredida? Alguma coisa fez para merecer isso. Está reclamando por ser assediada? Quer aparecer, isso sim. O marido a traiu? Foi burra, não cuidou dele como se deve. É infeliz no amor? Também, rodada com é. Não quis sair comigo? Reprimida. Sapatão. Interesseira, só sai com cara rico”. Diante disso vocês ainda acham que é só mimimi de feminista? Não, gente. Ninguém, em momento algum falou sobre a culpa do jogador na história (se é que realmente aconteceu, mas se bem que acho que foi bem verdade). A babá teve sua parcela de culpa? Pode ter tido sim. Mas o maior culpado de tudo foi quem fez um juramento, quem tinha a “obrigação” de ser fiel, ou tô errada? A traição veio dele, não dela, mas ela é a vagabunda da história. E é lógico que a gente precisa desse “mimimi” femista sim, se não quem fala pela gente? O pessoal machista que faz uma manchete “a babá que está acabando com os casamentos de hollywood” ao invés de “o que porraaa tá acontecendo com esses macho de holywood caralho”?

Vivemos dias de muita violência contra as mulheres. Talvez, porque estamos tentando dar mais um passo em direção da autonomia. A reação pode se manifestar fisicamente, com tapas, surras, estupros, ou mais sutil, sob a forma da desqualificação, da difamação, da humilhação. Não sei se nossa situação atual é tão mais confortável que das nossas avós e bisavós. Caminhamos muito, é verdade, mas ainda falta um longo e difícil caminho a percorrer.

Não é tão difícil assim raciocinar, gente, pensa bem, por que diva Gisele carregaria essa culpa? Vocês sabem como é ridículo vocês dizendo “isso que dá contratar uma babá bonita”? Quando ela deveria sim, ter confiança no cara que ela casou porra? Porque a culpa seria da babá se, com certeza, ela não o obrigou a fazer nada? Com certeza ela não amarrou as mãos dele e se aproveitou. Até porque, acho um pouco difícil ela ser mais forte fisicamente que ele, porque, vejamos, não somos nós que diversas vezes nos aproveitamos da nossa força física pra impor uma situação desagradável né? Rsrsrs

Enfim, isso me deixou muito puta da cabeça, mas outra coisa que pensei sobre isso, foi sobre a repercussão que o caso teve. Você imagina o quão o humilhante é ser traída? Beleza que ela é riquíssima e pode curar a dor de corno secando as lágrimas em Paris, enquanto a gente ficaria chorando as pitangas no whatsapp com as miga e vendo foto do cara com a outra no instagram. Mas ainda assim, imagina como deve ser extremamente humilhante você ser traída e isso virar notícia mundial? As “polêmicas” envolvendo celebridades são as notícias que mais atraem atenção, apesar dos grandes problemas que a humanidade enfrenta. E as pessoas respondem enlouquecidamente a esses estímulos: defendem ou atacam o comportamento dos famosos, acompanham cada passo de suas vidas, ficam indignados com as críticas. Eu acho que esse é um dos lados obscuros da fama. Eu gostaria de chorar minhas dores quietinha, sem ninguém ficar sabendo.

Será que, realmente, não existe um relacionamento perfeito? Porque depois dessa tô até com medo de aparecer a notícia, “Rodrigo Hilbert trai Fernanda Lima, veja fotos.” Aí sim, minha fé em relacionamentos (e maridos) perfeitos estaria destruída. Será que a gente nunca vai parar de sempre culpar a mulher pelas ações errôneas dos homens? Como diria outra diva destruidora, Valesca Popozuda, “a b... tem poder”. Mas, queremos mais. Eu tenho esperanças, de que um dia nossa sociedade comece a realmente viver no século XXI, e deixe as raízes coloniais pra trás.




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Não é você...

Seguinte, digamos que eu tenha uma teoria. Se você tá comendo uma torta muita da gostosa, daquelas que você passa todo dia em frente à padaria que fica na esquina da sua rua, e fica olhando igual ao Chaves olha pra um sanduiche de presunto, você vai pensar: “Ah, essa torta é gostosa demais pra mim, eu não mereço tanta cobertura assim, e esse recheio MARA (rsrs), eu sou muito problemático, não sou digno de tal especialidade culinária, melhor seria deixá-la aqui quietinha na geladeira para que outra pessoa, melhor do que eu, venha até a mesma e a coma, porque o problema não é com ela, ela é boa demais, o problema é comigo”? Acho que não né? Porque eu mesma, se to comendo algo gostoso eu como é tudo pra ninguém mais comer, e se não aguentar comer tudo na hora, eu escondo o resto pra ninguém ver e eu poder comer depois, confesso.

Eu penso desse mesmo jeito quando alguém termina um relacionamento com a famigerada frase: “O problema não é com você, o problema sou eu...”. Não deve existir alguém na face da terra que deva achar isso algo gentil, só pra não ouvir que é chata, que usa roupas estranhas, ou que engordou, é lógico que você vai saber do mesmo jeito que o problema foi você, só por ser você. Não existe isso, ninguém termina com alguém porque a pessoa é boa demais.

Deve ser por isso que eu vejo cada vez mais as pessoas desacreditando nos sentimentos (sim, eu também falo de sentimentos) mais bonitos e mais daora dessa vida. Parece que ninguém mais se importa com ninguém.

Se você diz que gosta de alguém, hoje em dia, não seria um motivo para aproximações, e sim para respostas como: “ainn vai pra lá com esse papo, to fora” “ainn é que eu já sofri demais com essas coisas, não quero passar por isso de novo”, parece até uma vingança com alguém que não tem nada a ver. As pessoas inventam histórias como se estivessem lidando com crianças recém-nascidas. Se a sua vontade é ir embora e nunca mais ligar, então que seja dito, não algo como: “Ah eu acho que você gosta mais de mim do que eu de você.” Isso é uma das piores coisas de se ouvir.

“Olha só, você é uma ótima pessoa, o problema realmente é comigo, não com você” Mas é lógico que o problema é com vocês que dizem uma coisa dessas. Custa dizer que cansou? Que não quer mais nada? Não to dizendo que ninguém é obrigado a gostar de ninguém, não existe um contrato pra isso, também não existe ninguém perfeito, nem quem erra mais ou menos, mas existem os erros e os acertos, não custa nada ser real na hora de dizer “tchau”. A vontade de não machucar só machuca mais.

Eu tento sempre ser mais prática, se a pessoa não queria beleza, coloco o rabo no meio das pernas e sigo em frente, sem dó de mim mesma. Ninguém é obrigado a passar tempo com quem não quer. É mais honesto dizer “eu quis, ele não quis e estou triste, uma hora isso vai passar”. Conhecer pessoas novas seria o melhor remédio. Não acredito na ideia de que um novo amor não cura outro, lógico que cura, as pessoas deveriam se permitir mais, acreditar mais, sempre há alguém melhor no futuro.

Imaginemos um mundo ideal com mais maturidade mútua…

- O problema foi seu mau humor incorrigível por isso acho bem difícil seguir em frente. Não sou muito diferente de você, portanto já basta o meu mau humor me pesar. Não lido bem com o seu.

- Obrigada por me dar esse toque, vai ser bem duro daqui pra frente, mas fico feliz que até agora pudemos viver bons momentos.

Por mais cruel que seja, existe o fim da vontade de ligar, de conversar, de perguntar se está tudo bem, existe o fim, não existem desculpas. O que não deve existir é essa falta de respeito com as outras pessoas.

O bom é sempre valorizar, valorizar quem te pede pra avisar quando chegar em casa, valorizar quem transa com você e te entrega o corpo, valorizar quem diz que gosta de você, é tudo uma questão de valorizar o que realmente importa na vida: as pequenas coisas. Não tem porque ver como possessivo alguém que te pede pra avisar quando chegar, é só alguém que se preocupa, não adianta nada ver tudo com olhos egoístas.

Vocês deveriam saber que existe amor dentro das pessoas, mesmo que seja difícil.

Eu consigo entender quando alguém diz que não confia nas pessoas, que todo “eu te amo” “eu gosto de você” é falso, que não quer relacionamentos futuros por traumas do passado, eu só não concordo, porque as pessoas não são iguais, vão existir aqueles que vão te machucar com coisas do tipo “Não é você, sou eu”, e aqueles que vão ser sinceros com você, porque nós sempre enxergamos um fim, e realmente, muitas vezes terão um fim, mas vai chegar o dia em que vai ser pra sempre, ou tão duradouro que terá um sentimento de eternidade.

Bem, o que eu quero dizer com isso? Que eu sou uma filha da puta cheia de mimimi? Sim, eu acabei de me entregar, mas todo mundo tem dessas. O que eu quis dizer também, é que se cada um respeitasse mais o outro, o sofrimento seria menor, o que não é nada muito difícil de deduzir, com tanto egoísmo, tanta intransigência, e tanto “não é você, sou eu”, vocês estão matando o que de melhor nós temos (aí vocês pensa o que é, que vocês sabem, num sou empregada de ninguém não).

Se permitam, conheçam novas pessoas, tentem ser felizes, não se prendam, faz bem ao coração e à alma.

Cabô a autoajuda, desculpa, lê quem quer, adeus.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Tal mãe, tal filha...

Comecemos a falar sobre um personagem deveras importante da minha família: Minha mãe, mais conhecida como Minha mãe mesmo, num vou dizer o nome dela. Para os seguidores do saite tuinter, esse é um personagem muito cruel, sanguinário e estressado. Mas não é assim sempre. Só que eu só falo dela no twitter quando ela tá puta, porque só nessas horas ela é engraçada. Nossa relação não é lá das melhores, e acho que acabei descobrindo o motivo só agora, onde vou contar-lhes com detalhes mesmo sem vocês quererem saber.

Família tem dessas coisas né? Você não consegue conviver com alguém tanto tempo sem desentendimentos, discordâncias... Eu moro com mais duas pessoas há apenas 2 meses e nós já discutimos por causa de margarina, vê-se por aí... Mas durante 19 anos morando com minha mãe já rolaram discussões tão absurdas, que só agora, depois de um tempo longe dela comecei a pensar sobre isso. Eu nunca fui muito fácil, minha mãe também nunca teve muita paciência. Lembro que a maioria de todas as discussões tinha por motivo o fato dela não aceitar que eu fosse tão tímida, calada, e pateta.

Moro com dois homens, o que por obviedade se supõe que se eu não fizer nada, a casa fica uma imundice. Não que eu seja lá muito organizada, mas aprendi que passar duas semanas sem jogar o lixo da cozinha pode causar um transtorno horrível, e que se eu não o jogar, ninguém mais joga. Então, esses dias fazendo uma faxina, percebi como fico feliz quando fico sozinha apenas por poder arrumar a casa em paz. Poderia ficar feliz em estar sozinha pra poder andar nua pela casa, fazer umas festa, chamar o latino e fazer uns bundalelê com birita até o amanhecer (mas isso seria impossível, pois não tenho dinheiro pra comprar biritas), mas eu fico totalmente realizada quando todo mundo sai e eu posso varrer a casa sem ninguém pra abrir janela e espalhar o lixo, lavar a louça sem ninguém botar mais prato sujo, passar pano sem ninguém pra pisar e ficar manchando a casa toda, lavar o banheiro sem ninguém pra fazer a barba e deixar um monte de pelo na pia, ai meu Deus, só de pensar já me dá uma felicidade imensa. Assim como minha mãe ficava quando a gente não tava em casa pra atrapalhar a faxina dela. Se a gente chegasse em casa no meio da faxina, ela ficava estressada só com o fato da gente chegar. Eu sempre tinha em mente que quando eu não morasse mais com ela, não ia ligar em arrumar casa, não ia ser tão preocupada com isso, mas estava bem enganada. Percebi isso e fiquei assustada. A diferença é que eu arrumo a casa ouvindo Pink Floyd, ela arruma ouvindo Pablo.

Fiquei pensando em todas as nossas discussões, e em como eu não aceitava que ela falasse tão alto comigo, que ela fosse tão estressada, então sempre quis falar mais alto. Acho que sou calma, controlada, até o momento que meu irmão me pede um favor que eu não posso fazer, e ao invés de só falar que não e os motivos, falo: PUTA MERDA, AGORA NÃO DÁÁÁÁ, ME DEIXA TÔ LOCAAA, e me irrito quando ele fala: “calma, vai chorar é? parece a mainha” É que minha mãe tá falando normal com você, é o jeito que ela fala, mas você sempre pensa que ela tá brigando.

Talvez o motivo da senhora de nome minha mãe implicar tanto comigo, seja por ela querer que eu seja igual a ela, não percebendo ela que eu já sou igual a ela, e só ela não percebe e deve estar longe de perceber. Talvez eu não seja tão boa quanto ela, talvez eu não arrume uma casa tão bem quanto ela, e vá lá talvez não tenhamos tantos aspectos parecidos assim, mas venho pensando a cada dia que talvez o motivo de sermos tão diferentes é que somos bem parecidas (nossa, que complexo rsrsr).

Não falo de ficar feliz em estar só pra arrumar a casa, ou ser nervosa sem motivo, foram só exemplos pra tentar ser engraçadinha e falhar na missão, são coisas maiores me fazendo ver que a cada dia eu fico mais parecida com ela, e nem sei se isso é bom.

Sim, ela é estressada, mas às vezes eu a entendo tão bem que relevo. Nossa relação não é lá das melhores, talvez, porque eu seja mais parecida com ela do que eu imagino, a falta de paciência que uma tem com a outra é absurda, mas depois a gente finge que nada acontece e segue em frente, amor é isso.