segunda-feira, 20 de julho de 2015

A minha vitória hoje tem sabor de mel

Se eu chegasse falando pras pessoas da minha família (mais precisamente minhas tias bruxas) que eu aprendi a fazer sopa, provavelmente, eles ririam e não acreditariam. Se eu contasse que no dia dos namorados eu fiz um escondidinho de frango que ficou bem do gostoso, a maioria também duvidaria. Imagina se eu contar que saio de casa pra pagar meu aluguel, a conta de luz, e fazer minhas próprias compras. Estive esses dias no interior, e lembrei como é bom ter que ir pagar algo no banco e pedir pro meu pai ou meu irmão irem por mim. Eu me sinto orgulhosa de estar sozinha, fazer minhas próprias coisas, mas não tem nada melhor do que estar na casa dos seus pais sendo tratado tão bem, é um lar, e todo mundo quer ter um lar.

Talvez eu ainda faça tanta questão de estar longe e tendo mais dificuldades, pra mostrar que eu ainda posso crescer mais, que eu consigo me virar sozinha, e que não sou tão inútil como pareço. Prova disso, é que qualquer feito que eu realize, eu preciso ligar pra minha mãe e dizer que eu consegui fazer, ou qualquer dúvida, por mínima que seja, como a quantidade de sal que eu tenho que colocar no arroz, eu tenho que ligar pra perguntar, até porque eu sei que isso também a deixa satisfeita, saber que mesmo longe, eu sempre vou precisar dela, pra qualquer coisa que seja. Pra minha sorte ela é incansavelmente maternal.

É como se cada vez que eu fico orgulhosa de mim, tenho que mostrar meu feito pra minha mãe como eu fazia quando era criança. Como quando eu pulava corda na rua e fazia o “um homem bateu em minha porta...” sem errar nenhuma vez, e gritava: “Olha, mãe” ela nunca deu muito valor, na verdade, mas eu sempre queria mostrar.

Não sei explicar, eu gosto de ter minha privacidade, apesar de morar com mais pessoas, não é como ter os pais por perto, a sensação de liberdade é ótima, sair sem ter hora pra voltar, sem avisar toda hora onde está, lavar roupa de madrugada, comer em cima da cama. Mas sempre que eu volto lá, tenho uma sensação tão gostosa de aconchego, é indescritível, se bem que isso acaba logo quando minha mãe já começa o dia gritando horrores comigo porque me atrasei pra ir ao médico e a gente briga como quase sempre quando a gente tá perto uma da outra. Coisas da vida.

Falando em médico, semana passada fui me consultar com uma médica super gente boa, que até me contou umas histórias da bíblia no consultório, sem eu ter perguntando caralho nenhum, como a de Sarah, porque, segundo ela, era igual ao meu nome, Sarah, ainda segundo ela, era “submissa, meiga, e terna, como todo esposo quer”, daí percebi que de parecido só o nome mesmo né mores. A mulher era evangélica (entende-se como louca), e ficou me dando um monte de conselho escroto que eu nem tinha pedido. Ela ter me perguntando “como arranja tempo pra trepar?” até aí achei engraçadão, mas quando começou os “sexo antes do casamento é pecado” fiquei um pouco, talvez, bastante irritada.

É foda ver que as pessoas se deixam chegar a esse ponto de querer interferir na vida dos outros, doutrinar alguém que mal conhece, julgar erroneamente, ainda mais um paciente. Foi algo que me deixou constrangida e me inibiu de falar qualquer outra coisa que tivesse que ter sido dita. Nessas horas é que eu também sinto falta do tempo em que minha mãe entrava no consultório comigo e ela que dizia o que eu tava sentindo. Queria só ver aquela vadia abrir o bico com minha mãe master do deboche e do estresse sambando na cara dela. Pois eu, não tenho saco pra isso.

Vocês sabiam que esse negócio de chip é sinistro? Marca da besta. E coisa. E tal. Porque quando estive no interior, e tava super de boas na sala vendo tv, ouvi uma conversa da vizinha:

"- Mulher, você assistiu o fantástico ontem?
- Assisti sim! Presepada aquele negócio de chip...
- É... Na bíblia, em apocalipse, tem falando do chip."

Eu se fosse vocês, tomaria bem cuidado. Chip na mão, fim do mundo!!! Logo depois, o demônio resolveu baixar no corpo de uma mulher em um culto que tava tendo na casa de outra vizinha. Se isso não é um sinal, eu não sei o que mais poderia ser (além de uma puta palhaçada).

Quando estava vindo pro estágio hoje, no ônibus que eu estava, que inclusive, estava bem lotado, vinha alguém com aquelas caixinhas de som, ouvindo música gospel na maior altura, nem o volume topado dos meus fones de ouvido me impediam de não escutar aquela merda. Creio que ônibus lotado é o lugar onde você consegue sentir mais raiva e mais amor pelas pessoas. Tipo aquela pessoa que mesmo quando já está segurando a bolsa de alguém, pede a bolsa de outras pessoas que estão no sufoco também. Eu sinto muito amor por essas pessoas. Tipo aquelas pessoas que empurram você mesmo que sem querer e ainda pedem desculpas. Tipo aqueles também, que sentam no lugar preferencial e o cedem pra quem precisa. Mas se tem algo que me faz ter ódio da humanidade é gente que não tira a mochila cheia das costas e fica atrapalhando tudo, e com isso também, gente que vê que tem alguém com uma mochila pesada nas costas e não pede pra segurar. Assim como aqueles caras que batem o cotovelo no seu peito e olham com cara de "rsrsrsr bati de propósito". É muito egoísmo ver que tem alguém em pé, em um ônibus lotado pra caralho, com uma bolsa/mochila/caderno na mão, e você que está sentadinho de boa não pedir pra segurar. Eu tenho vontade de te dar uns tapa bem no meio das fuça. Sobre a pessoa ouvindo música gospel, nem é pelo fato de ser música gospel (tá, pode ter influenciado), mas é que, caralho, em um ônibus com mais de 50 pessoas, ninguém tem o mesmo gosto musical, algumas querem dormir, algumas só querem ficar em paz sem ouvir “a minha vitória hoje tem sabor de mel, tem sabor de mel, tem sabor de mel”. Sem falar que com essas pessoas, tem aqueles que acham que tá tudo certo só porque o cara tá ouvindo “música de deus”. “Pelo menos não é musica do mundo, ainda tem quem ache ruim, quem não tem deus no coração vai sofrer é muito, escute o que eu tô dizendo”. Foi isso que eu ouvi hoje. E fiz minha famosa cara de cu de quem quer que você se foda, porque isso me deixa bem, mesmo que não resulte em nada. Para de querer sempre que os outros sigam aquilo que vocês acreditam à todo custo velho, existe uma coisinha chamada “respeito”, que se você tiver pelo menos um pouquinho pelas outras pessoas, você consegue parar de querer enfiar goela abaixo suas convicções religiosas aos outros, consegue com que as pessoas não tenham vontade de te matar no ônibus, consegue ficar bem de boa mesmo.

Como eu comecei falando da minha mãe e acabei nisso? Coisas que não se explicam. Só queria falar da minha indignação com a falta de educação das pessoas. Com o egoísmo das pessoas. E com o fato de eu ter que acordar cedo e pegar ônibus lotado todo dia. Porque essa vida de proletariado oprimido não é fácil. Mas um dia eu sei que minha vitória vai ter sabor de mel sim, e quem sabe ter uns contato com essa cantora e dizer que essa música dela é horrorosa. Teje dito.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Vontade de ir à praia. Já passou.

Depois de dias de chuva intensa, o sol resolveu aparecer por dois dias seguidos aqui pelas bandas da capital alagoana. Se eu gosto? Prefiro mil vezes um dia “feio” e nublado, acho que combina mais com meu espírito de tristeza e derrota rsrs. Mas um dia teria que fazer sol pras minhas roupas e meus sapatos poderem secar. Tá, se é por isso então, tá de boa.

Tô aqui procurando foto de padre, e pensando: “Poxa, esse sol massa tá pedindo uma praia hoje.” E não acreditei que esse pensamento estivesse vindo de mim. Minha professora chegou aqui no arquivo com o namorado e eu pensei: “caralho, que gato”. E sim, esse pensamento poderia ter vindo de mim.

Na verdade eu aprendi a gostar um pouco mais de praia durante os últimos anos. Mentira, não aprendi não. Tomar banho de mar é bom, mas é ruim ao mesmo tempo, não consigo explicar direito. Não gosto de ficar queimada do sol, então por isso não deveria precisar esperar um dia ensolarado pra querer ir à praia. Mas vou tomar banho de mar num dia frio, pra ficar com mais frio? Ai, praia é um lugar muito complexo. Na verdade eu que sou doida. Me perdoem. Gosto de tomar banho de mar quando vou para o interior. É como se fosse um mar completamente diferente. E uma praia mais vazia, é claro.

Sobre ficar queimada do sol, odeio. Mas ando reconsiderando a ideia ultimamente só pra ficar com marca de biquíni, pois: o boy gosta. Mas eu não consigo encontrar a linha tênue entre ficar com uma marca de biquíni, e ficar parecendo o Ross errando o bronzeamento artificial 57 vezes em Friends no the one with the Ross tan


Meus gostos são todos voláteis, uma hora eu gosto, outra hora não gosto mais, uma hora eu quero outra não. Uma hora a vontade simplesmente acaba.

A Barbie que eu ganhava no dia das crianças, depois de 2 meses já não era tão legal assim. Em um ano meu celular vai ficar obsoleto.

Pessoas também são voláteis, pense nas pessoas que você conheceu no Ensino Médio. Com quantas você ainda mantêm contato? Eu mesma só com duas. Até existe um grupo no whatsapp, mas eu não interajo, porque, simplesmente, não me interessa. As únicas pessoas mais permanentes na nossa vida são as da família, infelizmente ou não. A família sempre está lá, por mais que ela não faça diferença, por mais que ela atrapalhe mais que ajude, por mais que você, assim como eu, chame ela de “aquela aglomeração de gente que grita”.

A memória também é mutável em condições normais, isso se você tiver a sorte de não ter Alzheimer.

No fundo, você é só um emaranhado de fins. Não há nada fixo que te sustente e te dê alguma identidade do começo ao fim, mesmo porque você já não é a mesma pessoa.

Eu ainda espero mudar muito de gostos, de vontades, de desejos, de esperanças. Eu só não espero, sinceramente, que meu namorado mude de gosto e me troque por outra rsrsrssrs.

E se alguém quiser me convidar pra ir a praia, me chama pra eu dizer que vou e na hora mudar de ideia e te dar um bolo. Obrigada.



sexta-feira, 3 de julho de 2015

"Calcinha Preta é o Iron Maiden do forró" - autor desconhecido


O sistema global de redes de computadores anda agitado esses dias. Brasil eliminado da Copa América, votação na Câmara a respeito da redução da maioridade penal, morte de cantor sertanejo, jornalista famoso sendo criticado por criticar, Camila Pitanga gente como a gente amigona de todo mundo no twitter, várias coisas maneras que essa rede maravilhosa das internet nos proporciona. Ontem, vi um texto falando sobre “preconceito musical” que me chamou atenção, pois vinha pensando sobre o assunto já há algum tempo. O texto tinha como base a crônica do Jornalista, Zeca Camargo, à respeito da comoção com a morte do cantor Cristiano Araújo e da namorada. Eu nem vi a declaração, apenas alguns trechos que foram postados, mas também nem é sobre isso que eu quero falar. O fato é que todo mundo tem preconceito com alguma coisa, existem os que dizem que não têm preconceito com nada, mas duvido um pouco dessa afirmação. Alguns dos preconceitos dos quais eu abomino são, preconceitos de gênero, de raça, de classes sociais, e o preconceito musical (deve ter mais, mas tô com preguiça de pensar).

Há diversos estilos musicais, pra diversos tipos de públicos, os quais possuem diversos gostos e preferências. Bom, eu gosto de todo tipo de música, eu acho. Mentira. Eu detesto swingueira, do fundo da minha alma. Mas num geral, eu não tenho um estilo de música preferido, não pertenço a nenhuma “tribo”, até já tentei ser emo gótica na infância, mas minha ousadia e alegria de brasileira não permitiu. Mas eu gosto desde Iron Maiden, até a diva poderosíssima Beyoncé, de AM até uns rock sangue de boi que meu namorado me mostra. Às vezes quando quero só ficar de boas boto uns (pelo amor de deus) Jorge e Matheus, bem de boa mesmo tô nem aí.

Mas o fato é que muitas pessoas se acham no direito de pensar que o seu estilo de música preferido é o melhor, é o correto, é o tipo de música de “pessoas superiores”. Assim, acham que podem discriminar os demais estilos de música e também as pessoas que gostam de outros tipos de música. Não é porque eu gosto de ficar de boa tomando umas cerveja ouvindo Belo (bem que podia acreditaaar te vejo e falta o arrrr) que eu sou menos inteligente que você.

“ainn não acredito que você gosta desse lixo massificado, alienada, eu sou infinitamente superior porque eu gosto de música culta mimimimim” mdssss eu não suporto esse tipo de gente. Eu queria encontrar com uma pessoa dessas e mandar meu namorado falar o que ele fala pra irritar os chatos da porra que bebem com a gente: “Calcinha Preta é o Iron Maiden do forró” HAHAHAHA

Eu acho que existem duas coisas que fazem isso ser disseminado. A questão financeira ou social. Como se pessoas ricas, ou de classes sociais mais altas, possuíssem gostos mais refinados que pessoas de classes sociais mais baixas. Por isso, suas escolhas musicais seriam as mais corretas, haja vista que julgam possuir uma “cultura superior”. Outra coisa seria o intelectual. Então, pessoas (que se acham) mais inteligentes possuiriam gostos mais refinados que os não tão inteligentes. Por isso, suas escolhas musicais seriam as mais corretas. Eles pensam saber como analisar o que é uma música de qualidade, e até que nível de qualidade a sociedade deveria aceitar.

Não é porque em casa eu gosto de ouvir uns Pink Floyd, que se chegar em uma festa e começar a tocar Na Batida da Anitta eu não vou levantar o dedo, dar um gritinho de loca e dançar fazendo uns passinhos iguais aos que ela faz no clipe (aaushahsahs ai deus lembro bem dessas festa da vida).

Eu tenho amigos (mentira, num tenho amigos) que gostam de Aviões do Forró e vão pro Villa Mix, e são muito inteligentes, muito mais  do que eu (o que não é lá muito difícil).

O mundo tá ficando muito chato. Quando as pessoas pararem de se achar mais inteligentes pelo seu gosto musical, os chatos, como eu, podem parar de escrever sobre isso.

Obrigada.

Não há de quê. ~Não gostaria de entrar e tomar uma xícara de café? srsrsr~