quinta-feira, 11 de junho de 2015

Queimar batata, dar presente de dia dos namorados e o maior ensinamento do amigão J.C


Ando fazendo vários nadas nesse período de greve da federal? Claro que não. Pois tenho uma casa pra arrumar, contas pra pagar e comida e sabão em pó pra comprar, inclusive, horrorizada com esses preços absurdos, é um absurdo você gastar quase 100 reais comprando quase nada. Terça tive que “almoçar” dentro do ônibus indo pra casa, pois, a fome tava demais e o tempo de menos, sujei a boca toda de queijo e a veia do meu lado ficou me olhando? Sim. Mas o desprezo seria a arma mais cruel que eu poderia usar naquele momento. Sigo tentando ser uma boa dona de casa, falhando em alguns aspectos? Sim, por que não? Esses dias quase pus fogo na casa, pois esqueci que tinha posto uma batata pra cozinhar pra tomar café no outro dia de manhã antes de ir pro estágio. Senti o cheiro de queimado? Sim, mas pensei que fosse na casa do vizinho. Perdi a panela, que derreteu, e ainda saí de casa no outro dia sem comer nada, pois perdi o ânimo e a vontade de viver (de cozinhar de novo). Pensei que saindo da casa da minha mãe fosse emagrecer, mas tô gorda igual uma porca, poderia ser por causa do meu namorado que leva dois litros de sorvete pra minha casa quando tô de TPM e a gente acaba com tudo em dois dias, mas não vou jogar a culpa nele. Queria arrumar outro emprego pela parte da tarde ou noite, pra ganhar mais dinheiro já que a faculdade tá de greve, faço parte dessa geração que ninguém para de falar sobre, eu mesma não paro de falar nela, vamos falar nela, vamos falar nela, vamos falar nela, vamos nela, vamos falar nela, vamos falar nela, vamos falar nela, e somos ambiciosos, queremos fama, fortuna e glória. Minha história é outra. Aliás, amo a minha história. Uma menina tão inocente do interior que vem para a cidade grande realizar os seus sonhos e os realiza parcialmente após quase morrer de tanto tentar (HAHAHAHA parei).

Amanhã é dia dos namorados, os shoppings e a propaganda do boticário não te deixam esquecer isso. Inclusive, “nosssaaas que polêmica essa do boticário hein”. Tô atrasada? Tô. Queria dar minha opinião? No facebook é claro que não. O roteiro é bem tradicional né? Pessoas bonitas (isso que deveria ser notado, gente, bota uma galera mais “normal” pra fazer esses comerciais, alguém tipo eu conformada com a aparência que esse deus me deu), felizes e bem sucedidas entram em uma loja da marca pra escolher presentes pra seus parceiros. Depois, encontram-se com eles pra entregar o mimo, tudo isso, em meio a sorrisos, beijos, abraços e demonstrações de carinho.  Cara, eles acertaram em cheio no que se refere ao marketing, criando uma campanha voltada a um público cada vez mais significativo em termos de poder de compra, e ainda mostra como uma parcela dos brasileiros ainda é preconceituosa e intolerante. O mais interessante é que a homossexualidade está longe de ser uma novidade. Antes da greve, eu vinha fazendo uma pesquisa justamente sobre esses casos no período colonial brasileiro, e esse assunto me instigou muito. Na visão dos missionários e cronistas europeus, os índios apresentavam sexualidade tão devassa que só podiam mesmo ser escravos do Diabo: nus, polígamos, incestuosos, sodomitas. No Maranhão, pra “purificar a terra de suas maldades”, os frades determinaram a procura e captura dos homossexuais, conseguindo prender um deles. A execução foi terrível. Amarraram o coitado pela cintura à boca do canhão, e a bala “dividiu o corpo em duas porções, caindo uma ao pé da muralha, e outra no mar, onde nunca mais foi encontrada.” Acho que esse foi considerado o primeiro crime homofóbico aqui no Brasil. Mas o que é mais interessante, é saber que essa repressão não conseguiu terminar com esses relacionamentos. A Inquisição perseguia aqueles que praticavam a sodomia, também conhecida como “abominável pecado nefando”.

E as mulheres que amavam mulheres? Na verdade, encontrei pouca coisa sobre. Acho que esse comportamento era difícil de ser distinguido das práticas do cotidiano feminino da Colônia. No século XIX, o homossexual não era mais um pecador, mas um doente, a quem era preciso tratar. No século XX, as coisas não mudariam muito, e os homossexuais tiveram que viver seus amores nas sombras, pelo menos até os anos 60. Não faltaram tratamentos médico-pedagógicos que eram sugeridos, junto com a religião. Agora que estamos no século XXI, parece que voltamos ao passado. Há pouco tempo, um beijo entre duas atrizes na novela das nove se tornou um escândalo, enquanto cenas de violência e sexo heterossexual já se tornaram banais em qualquer programa de televisão. Os ataques aos homossexuais estão se tornando cada vez mais frequentes, e o casamento entre pessoas do mesmo sexo ainda enfrenta forte resistência. E alguns se desesperam anunciando o fim da “família tradicional”.

Quis dar uma de historiadora que tá começando o curso agora e amando? Sim, mas quando comecei a procurar mais coisas sobre esse assunto, comecei a procurar mais e mais e não consegui parar, realmente me interessou e é show de bolas rsrs, quando se estuda a História, você observa que as famílias tiveram formações variadas e nem sempre seguiram o modelo considerado ideal pela Igreja. E a homossexualidade esteve presente, nas mais diferentes culturas e épocas. Na boa, eu acho que existem problemas mais sérios pra nos preocuparmos que um simples comercial de TV. Em um cenário com tanta violência doméstica e sexual, criminalidade, educação precária, acho que essa mobilização deveria ser pra cultivar a solidariedade e o amor (que aquele cara lá do cabelo liso e olho azul, e não tô falando do Thiago Lacerda, tanto pregou e tal), em vez de atacar o modo de vida das outras pessoas. É só o que todo mundo precisa e quer (espero), minto, eu queria muito um cachorro... e depilação a laser. Tudo na internet morre de uma hora pra outra, se vocês me perdoarem por estar voltando a um assunto tão ultrapassado agradeceria muito.

Todo mundo vai ter um dia dos namorados bem massa e cabo, ganhei meu presente antecipado e dei (o presente rsrsr) antecipado também, o que não é nenhum pouco romântico, mas foda-se. Eu nunca passei um dia dos namorados namorando, mas também nunca fui dessas que fica reclamando porque não tinha um namorado no dia dos namorados, de boa, cada coisa tem seu momento (sem falar que ser solteiro também é bem massa), até porque eu vivia tendo diálogos dramáticos na cabeça onde eu lutava karatê e arrebentava a cara de todo mundo que já me fez mal, nem pensava tanto em se ia ter um namorado no dia dos namorados (ok, eu ainda faço isso, mas se vocês tentarem vão ver que é bem legal). Hoje eu tô feliz, é legal ter alguém pra compartilhar esses momentos, mas, mais do que sair pra jantar, ou reservar um motel, acho que é importante ter o olhar e o coração nos devidos lugares pra não esquecer que a data é uma grande brincadeira pra se aproveitar bons momentos com alguém legal, não se esquecer também que, se você tem uma pessoa ao seu lado e consegue levar essa relação de uma maneira saudável e benéfica, você é um grande privilegiado. Então, aproveitem, se puderem comprar presentes, comprem, vão a restaurantes, comam, sejam felizes.

¡Adiós chicos, y vivan para amar!

Minha professora de espanhol disse que eu falo espanhol “bonitinho”. Tenho muito amor por esse idioma. Amor mesmo. Culpa do Deus Supremo Silvio Santos por me impor novelas mexicanas desde que nasci? Talvez. Tá ficando irritante fazer essas perguntas no meio do texto e eu mesma responder? Tá Sim. Eu vou parar? Talvez. Adeus.