segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Um pouco sobre sapatos...

Nesse fim de semana eu usei um sapato lindo, daqueles do tipo amor à primeira vista, pelo qual ficamos loucas logo que batemos o olho. Só que ele não gosta muito de mim. Sempre que uso, ele insiste em machucar meu pé. Não é um machucado muito dolorido; está mais praquela dorzinha encardida, mas que cansa, sabe?

Hoje eu usei um sapato que já está velho, gasto, quase sem cor, muito diferente do primeiro, uso pra ir pra todo lugar, só por ser confortável, eu sei que ele ta velho, mas sou apaixonada por ele, e não quero me desfazer, e pior de tudo: não tenho vergonha de usá-lo em qualquer lugar que seja.

Daí que fiquei pensando na quantidade de sapatos que tenho, e em como alguns insistem em não se dar bem com meu pé. Também me lembrei de uns que nem são meus preferidos, e que só uso quando não tem outra coisa pra calçar, mas sempre que calço servem como uma luva (uma luva no pé, ta ok).

Muitos de nossos sapatos, no início, machucaram. Foi difícil até se moldarem ao nosso pé, ou até nosso pé se moldar a eles... Foi preciso aguentar firme por dias e dias, até que eles se tornassem quase perfeitos um pro outro.

Outros, no entanto, servem perfeitamente já no primeiro dia. São lindos! E ainda prometem ser um sucesso. Mas umas semanas depois, lá estão eles, com a sola gasta, os enfeites caindo, o brilho apagando. Era tudo promessa, e só.

Alguns dos meus sapatos vivem guardados. Comprei porque parecia uma boa ideia. Na verdade, esses são, geralmente, comprados por impulso. Devem ter saído uma vez, no máximo duas, pra ver a luz. E ainda assim não consigo me desapegar deles. Mesmo sabendo que não me servem, que incomodam, que vão me machucar... Mesmo sabendo de tudo isso, não consigo passar pra frente.

Há ainda aqueles sapatos baratinhos, que compramos "pra bater", e que usamos até não dar mais, pra depois jogar fora numa sacola de lixo qualquer. Foi bom enquanto durou. E acabou.

No fundo, acho que não estava pensando só em sapatos...

Quantas pessoas entram em nossa vida como uma promessa de sucesso, e acabam, pouco tempo depois, sendo a maior decepção da paróquia? E quantas outras chegam, ficam por um tempo, e vão embora sem nem deixar saudade? E aquelas que, mesmo nos fazendo mal, continuam ao nosso lado porque deixamos?

Bom mesmo é quando, mesmo depois da briga inicial, do estranhamento, de tantas e tantas conversas pra aparar as arestas, encontramos alguém que é do nosso número, e que não machuca nosso mindinho, sempre tão calejado pelas quinas da vida...

Bom mesmo é poder ter alguém pra chamar a qualquer hora, com a certeza de que aquela pessoa vai salvar o seu dia, ou ao menos não vai lhe causar uma ferida.

Eu bem sei que sapatos são objetos inanimados, mas quantas pessoas também não se fazem objeto? Aliás, quantas vezes não transformamos nossa própria vida em um objeto?

Nossos pés são a parte que nos sustenta e que nos leva pros lugares onde a alma quer estar. Nossos sapatos são a proteção do nosso caminho.

Nossa alma é a parte que sustenta nosso edifício. Nossos relacionamentos são aquilo que fazem com que esse edifício continue bonito e forte, ou desmorone.

Quanto a você [e eu], escolha seus sapatos com mais cuidado. E desapegue daqueles que - sim, eu sei, são lindos! - não lhe fazem bem. Assim, sobra mais espaço praquilo que realmente vale a pena.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Um texto retardatário sobre Black Friday


Sei que a Black Friday foi sexta-feira, mas os posts aqui saem dia de segunda, então saem sempre com atraso, quando já nem tem mais graça falar do assunto. Mas, vamos lá.


Pra você que vive em Marte, e não sabe o que é Black Friday, a Wikipédia te ajuda: “Black Friday é um termo criado pelo varejo nos Estados Unidos para nomear ação de vendas anual, que acontece sempre na última sexta-feira de novembro após o feriado de Ação de Graças. [...] No dia do evento muitas lojas abrem bem cedo, algumas com até quatro horas de antecedência para atrair maior número de consumidores e oferecer os menores preços. Milhares de pessoas aguardam em filas enormes. Embora não seja um feriado, muitas pessoas ganham o dia de folga e se tornam consumidores com grande potencial. O dia também é conhecido por dar início à temporada de compras de natal. A popularidade do evento é grande, muitos consumidores consideram os descontos oferecidos mais atrativos do que os natalinos. A ideia vem sendo adotada por outros países como Canadá, Austrália, Reino Unido, Portugal, Paraguai e Brasil.”


Começando pelo nome, poderiam dar uma atualizada e passar de Black Friday pra Yellow Friday. Todo mundo sabe que os chineses são os novos escravos rsrs.

A Black Friday começou em 1929, durante a Grande Depressão. Naquele ano uma jovem cantora amadora de nome Rebecca Black resol... não, eu não vou fazer isso com vocês, podem ficar tranquilos, não vou fazer essa piada, de piada ruim já bastou a da Yellow Friday, né? Então vamos adiante.


O Black Friday chegou ao Brasil em 2010, por iniciativa de uma empresa especializada em busca de descontos. O primeiro Black Friday do Brasil aconteceu no dia 26 de novembro e foi totalmente online. A data reuniu mais de 50 lojas do varejo nacional.

Os descontos oferecidos no Brasil foram mais modestos que os americanos, chegando a 40% em produtos de diferentes categorias. Assim como nos Estados Unidos, também acontece anualmente na quarta sexta-feira de novembro.

Acontece que, claro, nos EUA os descontos são realmente surpreendentes… Muita gente aproveita essa época para terminar de equipar suas casas, comprar aquele video game dos sonhos, roupas bacanas e muito mais.

Eu não moro lá, mas, sinceramente, ainda acho que não vale à pena. O Black Friday por lá, deve ser uma confusão do caramba, você economiza 100 dólares numa tv, mas sai com um olho roxo. Fora que você tem que chegar aos lugares e acampar na fila de madrugada pra conseguir alguma coisa. E pelo que eu pesquisei, as lojas lá fazem promoção o tempo todo. Nessa época então, tem toda semana. E são promoções boas. Então provavelmente não valeria a pena ser pisoteado até seu pulmão sair pela boca pra aproveitar essas promoções. Eu acho que pode até valer a pena pra quem realmente não tem condições. Mas olhando isso:


E aqui tem esse episódio de South Park, sobre a Black Friday lá nos EUA, muito bom.


Mas, enfim, pelo menos lá eles fazem bons descontos, e descontos DE VERDADE, infelizmente aqui no Brasil somos passados pra trás por muitas lojas, que aumentam seus preços de um dia pro outro e depois abaixam só para iludir as cabeças consumistas e doidas por um desconto. Sendo sincera, não sou muito fã de Black Friday. Acho que é muita propaganda, muito barulho, pra pouco desconto. Acho que a maioria das lojas ainda ficam longe de ter descontos tão bons quanto em época de liquidação, até porque não tenho dinheiro nem pra comprar coisas com desconto, sou pobre.

O desconto mexe com os impulsos do consumidor. Não interessa o valor, mas qualquer artigo à venda com 70% de desconto é considerado dado, desperta aquela sensação de “eu preciso aproveitar”.

Uma das estratégias mais antigas, e bastante simples: aumenta-se o preço para aumentar o desconto. Dessa forma, o consumidor pensa que fez economia e a loja consegue o lucro desejado. Todo mundo sai feliz (a não ser que o consumidor, dias depois, encontre o mesmo produto com um preço inferior, algo que quase sempre acontece). Portanto, lojas de todo o país dão ~ descontos imperdíveis ~ para você realizar o  sonho do supérfluo próprio.

Tudo indica que o ocorrido no ano passado se repetiu nesse ano. Algumas lojas aumentaram os preços dos produtos dias antes da “queima de estoque”.

Não dá para generalizar e falar que todas as lojas agiram de má fé agiram sim... A Black Friday só vale a pena para quem tem um bom conhecimento de mercado ou está acompanhando alguns produtos há algum tempo. Quem for seduzido por um “75% OFF-IMPERDÍVEL” sem conhecimento prévio, pode estar pagando de otário a mesma coisa.

Seria muito mais chamativo colocarem um banner dizendo "Olha, não vamos mentir: nossos preços durante a Black Friday são exatamente os mesmos. Pelo menos não mentimos como a concorrência".

Em um site de beleza, vi um finalizador de cabelo anunciado com 40% de desconto, de R$ 156 por R$ 94. Mas quarta-feira, vi esse mesmo produto sendo vendido por R$ 89 em uma loja de cosméticos aqui onde eu moro. E isso era preço regular da loja, sem desconto.

Outro problema que ocorreu na Black Friday desse ano, aqui no Brasil, foi os sites estarem fora do ar e ‘fila virtual’. Você fica acordado de madrugada, apertando F5 de tempos em tempos e vê a mensagem abaixo:



Algumas lojas chamam isso de sucesso, outras se orgulham do site estar "muuuito cheio" hahaha eu ri disso:



Sem falar, também, nas que descontam no produto, e adicionam no frete



Coincidência o valor começar com 666? É a presidente Gilma que vai entregar o colchão? Gente, um colchão de R$ 349,90 e um frete de R$ 666, 75, que lógica é essa?

Aí eu te pergunto Percival, o que será que vale mesmo a pena no meio de tanta propaganda?

Cheguei à seguinte conclusão: não existe Black Friday no Brasil. Até porque nos EUA ela acontece após o feriado de Ação de Graças, que nem existe em nosso calendário. É apenas numa sexta-feira qualquer, nem há motivo pra escolha da data. É apenas mais um caso de uma cópia mal feita do que acontece em outros países, como uma criança de seis anos fazendo uma cópia à mão do Abapuru. A “Black Friday” do Brasil é ideal pra comprar algo que você já esteja precisando ou procurando, e às vezes nem assim é. Não é do tipo liquidação, que você entra na loja pra ver o que tem de bom e garimpar. Se for fazer isso na Black Friday é capaz de acabar achando que algo está barato quando na verdade não está.

"Mal posso esperar pelo fim da Black Friday. Hahahaha!" - cara que põe o nome do pessoal no Serasa.


Mas o pior da Black Friday, pra mim, ainda foram as piadas com “Black Fraude” e “mimimi Black Friday vendendo coisas pela metade do dobro hehe”, vejamos como as pessoas são originais, e sabem inventar piadas novas, porque afinal de contas, falar “metade do dobro” ao invés de “mesmo preço” é muito mais engraçado, não é mesmo? Sem falar também nas típicas “aah da pra comprar beleza no Black Friday?” “comprar amor próprio na Black friday mimimi” “aah queria comprar força de vontade na Black Friday” Comprei o cu da sua mãe pela metade do dobro, e aí?

Esse achou super engraçado, hein

Ninguém postou nada igual




Você descobriu isso sozinho????



O engraçadíssimo Marcelo Tas, do programa humorístico melhor do Brasil muito engraçado CQC.