domingo, 18 de novembro de 2012

Eu fui uma criança estranha




Ultimamente eu tenho pensado muito sobre os primeiros anos da minha vida. Eu sou, e não nego uma pessoa muito nostálgica, mas muito nostálgica mesmo, tudo me dá saudades. É bom lembrar. A infância é a fase mais importante da vida de uma pessoa, as melhores lembranças, as piores lembranças, os medos, os traumas... ou vai me dizer que você não tem nenhum trauma que vem desde a sua infância? Ela define tudo o que você é, tudo o que você ainda vai ser. Nela você encontra os seus porquês, ela explica você a você.
Eu era o que se pode chamar (e todo mundo me chamava) de menina-macho, eu não tinha paciência pra brincar de Barbie, eu gostava de brincar de ximbra me recuso a falar bolinha de gude, não tinha muitas amigas na escola, vivia no meio dos meninos, apesar deles não gostarem muito da ideia de ter uma menina brincando com eles e eu sempre ter que voltar pro grupo das meninas. Eu gostava sim de brincadeira de menina, pular corda, pular elástico, amarelinha, mas estar com os meninos correndo era bem mais divertido.
Eu morava numa rua onde tinham muitas crianças, e meu primeiro melhor amigo se chamava Lucas, apesar dos meus pais não me deixarem brincar com meninos e eu sempre levar uns tapas quando eles me viam brincando com ele hahaha, e eu não me lembro absolutamente nada do Lucas, um dia do nada ele teve que se mudar com os pais, e sinceramente eu não dei a mínima, era só uma criança.
Lembro-me de alguns hábitos peculiares. Eu gostava de ficar esfregando meus olhos durante um tempão. Quando eu fazia isso conseguia ver várias luzinhas coloridas e cometas. Era divertido. Eu também gostava de ficar rodando em volta de mim mesma na sala. Quando ficava suficientemente tonta, caia no sofá, vendo os móveis e paredes rodando. À noite eu gostava de deitar no escuro e pensar sobre as coisas.

Não sei se isso é comum ou se acontecia só comigo. Eu ficava questionando sobre a minha existência “será que eu existo mesmo?”, “e se eu for apenas um sonho de mim mesma?” Eu sempre me fazia essas perguntas e me convencia que toda a minha vida era um sonho, que na verdade eu ainda não havia nascido. De manhã eu acordava e ia verificar se eu ainda era eu.

Um pouco depois passei a fazer questionamentos religiosos. Comecei a me perguntar “quem me garante que a nossa religião é a certa?” “e se na verdade nós estivermos sendo enganados pelo demônio e outra for a religião certa?” (pode rir, até eu tô rindo). Isso me deixava angustiada. Parei de questionar essas coisas porque tive medo que Deus me castigasse.

Todos falam que eu fui uma criança mimada. Discordo, eu apenas não sabia conviver com outras pessoas pela falta de prática. Eu era muito tímida, e isso se estendeu até os dias de hoje. Não era daquelas crianças extrovertidas que faziam amizades com outras crianças com facilidade. Eu tinha amiguinhos, mas poucos, e os mesmos... E sou muito traumatizada com isso, tenho uma tia muito adorável que me colocou um apelido de “matuta”, e só não me chama ainda hoje em dia... sei lá, nem sei porque, porque eu ainda sou do mesmo jeito.
Não posso terminar esse texto sem falar da minha segunda paixão (a primeira era a televisão mesmo), o Velotrol, que eu chamava de velocípede (mais precisamente velocípe). Ah, como eu o amava. Andava em casa com ele, e por toda a rua. Sempre que minha família viajava eu tinha que levar meu velocípe, chorava, esperneava, até eles colocarem na mala do carro. Na casa da minha avó tinha um quintal enorme, com umas árvores, e consequentemente tinha muitas lagartas, a minha diversão era encontrar uma dessas passeando por ali. Eu passava com a roda do velocípede por cima dela. Não sei por que, mas eu gostava. Eu era bem estranha. Tinha uma alma masculina.


Assistia Caverna do Dragão (que ainda pretendo fazer um post sobre minhas suposições pro seu final), Cavaleiros do Zodíaco, Tartarugas Ninjas, Power Rangers e Dragon Ball para aprender “golpes” e logo depois sair na rua imitando meus personagens favoritos. Mas nenhum desenho se comparava a Doug Funny, era meu desenho preferido. Brincava com Tamagotchi que sempre morria de maneiras estranhas, os mini games de 1000 in 1 jogos que na verdade não eram nem 15, Os Tazos que todo mundo tinha, Os bonecos Power Rangers que mudavam a cabeça. Nunca gostei da Xuxa, era super fã de Sandy e Junior, da Eliana e das Chiquititas. Jogava muito nintendo, Super Mario, Contra, Donkey Kong, mas meu jogo preferido era Mortal Kombat, e meu personagem favorito era o Sub-Zero, muito machinho, pera.
 
"Sub-Zero Win" hahaha

Tamagotchi (bichinho virtual)

  
   
Eu não cresci, apesar de ter exagerado um pouco no tamanho, se eu soubesse teria deixado maispessoas passarem por cima de mim quando era criança; Posso ter mudado meu ponto de vista sobre algumas coisas, meu gosto musical, meu modo de agir, minhas atitudes, minhas roupas, mas quando eu olho pra mim vejo uma pessoa tão imatura, tão... tão criança que às vezes até dá raiva de mim mesma. Parece que eu nunca vou ter o pensamento certo pra minha idade, não deveria gostar de ainda assistir desenhos, parece que eu vou retrocedendo a cada dia ao invés de amadurecer, às vezes pode até ser legal, mas eu acho que me atrapalha em muita coisa.


Não tenho feito muitos textos ultimamente, até posts mais criativos, sei que tô devendo, mas juro que usei toda a minha criatividade pra fazer um post bem legal pro blog do @TheCesarAugusto e não sobrou muita pra fazer o daqui huahsuhs, mas eu garanto ou não que ficou muito legal, é só vocês darem uma olhada no Maldito Ócio que é bem mais legal que isso aqui, garanto.




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